Campeã e vice da categoria destacam-se pelo alinhamento da TI à estratégia do negócio, mas o setor amarga a menor pontuação neste quesito
No início de 2008, a
Votorantim Celulose e Papel (VCP), campeã na categoria de papel e celulose em As 100+ Inovadoras em TI, criou um programa para incentivar os funcionários
a expor ideias. Denominado i9, o projeto visava a eliminar a resistência à
mudança, à inovação e ao empreendedorismo. Foi desenvolvido tendo por base um diagnóstico
que indicava deficiências como baixo índice de geração de ideias e ciclo lento
para obtenção de lucro a partir das mesmas. A iniciativa já é um sucesso. Ao
todo, cerca de 2,3 mil sugestões foram aprovadas, 500 das quais estão em fase
de implementação. “Todas têm relação com os direcionadores estratégicos
definidos pela diretoria, como, por exemplo, aumento da produção e da
eficiência dos equipamentos, foco no cliente, aumento da receita e redução de
custos”, explica Wilson Roberto Lopes da Silva, CIO da VCP.
O i9 é uma das iniciativas da VCP – que este ano incorporou as ações da Aracruz
gerando a Fibria, uma gigante com capacidade produtiva superior a 6 milhões de
toneladas anuais de celulose e papel – para tornar a inovação um fator cultural
e permanente. Na área da TI, a busca é por tudo aquilo que traga benefício à
empresa e satisfação ao usuário. “Definimos como inovação com simplicidade”,
diz Silva, que comanda uma equipe composta não apenas por especialistas em
tecnologia, mas também por profissionais com domínio sobre o mercado de
celulose e papel. A área se reúne anualmente com todas as demais unidades de
negócios para propor melhorias e novas tecnologias, além de participar de fórum
bimestral com a presença da média gerência e de usuários-chave. “Assim
capturamos as demandas mais práticas, que embasarão o desenvolvimento de
novas soluções”, revela o CIO.
Os principais serviços de TI da VCP são padronizados, o que implica forte
parceria com os fornecedores. Junto a eles, a empresa busca readequações de
contratos enquanto implementa novas soluções. “Isto atualiza as unidades de
negócio ao mesmo tempo em que resolve o embate entre a pressão para redução de
custos versus pressão para modernização. Não é simples, mas vem trazendo
bons resultados, principalmente, em anos com orçamento enxuto como este de 2009″, enfatiza Silva. Para
tirar bom proveito das parcerias e acompanhar de perto a evolução tecnológica,
a VCP seleciona empresas certificadas e que, além de oferecer serviços, novas
tecnologias e modernização, consigam conhecer e compreender a cultura do Grupo
Votorantim.
O orçamento de 2009 praticamente não sofreu alterações. “O principal desafio
foi readequar alguns serviços e renegociar contratos, o que está possibilitando
alguns investimentos.” Outro desafio para 2009 foi a inauguração da planta
industrial de Três Lagoas, maior fábrica de celulose do mundo, que iniciou as
operações em abril de 2009. “Foi o principal projeto deste ano, e a área
de TI teve papel fundamental”, revela o CIO.
O executivo afirma que a expansão experimentada atualmente pela empresa levou à
aprovação da participação da VCP no projeto denominado Centro de Excelência em
Processos (CEP), que tem como objetivo reter o conhecimento na empresa por meio
de treinamentos sobre processos que suportam os negócios do Grupo Votorantim e
da VCP. “Não se trata de cursos sobre sistemas, mas sim de capacitação em
processos utilizando o método de treinamento a distância via web. Ao final de
cada treinamento, medimos os resultados obtidos”, explica.
Na VCP, a criação e manutenção de melhores práticas, padrões, políticas e
procedimentos de TI fica a cargo do Centro de Competência de Tecnologia da
Informação (CCTI), criado em 2007 e responsável pela governança corporativa de
TI do Grupo Votorantim. “Na nossa área, procuramos atuar de forma proativa,
identificando sinergias entre as empresas do Grupo e adequando-as aos negócios
da VCP. No caso do grupo Votorantim, a TI é caracterizada como um centro de custo”,
informa o CIO.
Inovação como meta
A VCP e a vice-campeã da categoria, Klabin, produtora, exportadora e
recicladora de papéis, se destacam pelo alinhamento da área de TI à estratégia
do negócio em setor com a menor pontuação neste quesito. A nota da indústria
foi de 2,23, abaixo da média total de 2,63 e pouco mais da metade da nota
máxima do quesito de 4. As duas empresas também se revelam como as únicas,
entre as respondentes, a contar com estratégia para avaliar e pesquisar novas
tecnologias a ser aplicadas ao negócio. “Estamos em um ramo de atividade de
capital intensivo e buscamos incessantemente excelência operacional em nossos
processos. Neste cenário, a TI se integra cada vez mais às áreas de negócio e
busca gerar diferencial competitivo para empresa”, diz José Geraldo Antunes,
CIO da Klabin.
Cada gestor da vice-campeã tem, em seu plano de metas individual, a tarefa de
implantar ao menos um projeto de inovação por ano. “Ao todo somos 11 gestores,
mas nada impede que o número seja muito maior.” Entre as iniciativas mais
relevantes dos últimos anos, ele destaca a completa revisão de processos e a
reimplementação do sistema de gestão integrada (ERP), realizadas em 2007.
“Ficamos atualizados com as melhores práticas do mercado”, informa Antunes,
cuja equipe se vale, no dia a dia, de metodologias como Itil, gestão de
portfólio de projetos e enterprise project management (EPM).
A TI da Klabin pratica o conceito de serviços compartilhados e está
subordinada à diretoria financeira da corporação. Para não perder o ritmo da
evolução tecnológica, o CIO e sua equipe participam de processos de benchmarking
formais com outras empresas da indústria. “Participamos de fóruns de TI, de
grupos de usuários e do networking
do pessoal da área. Também faço parte do GETI – Grupo de Executivos de TI, para
compartilhamento de melhores práticas”, contabiliza.
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