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100+: o discurso na prática é outro?

Na categoria tecnologia e computação, destaque para as organizações que fizeram a inovação parte da estratégia e de ganhos de produtividade

Publicado: 09/05/2026 às 23:21
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5 minutos
100+: o discurso na prática é outro?
Construção civil — Foto: Reprodução

O setor de tecnologia e computação tem uma presença

conflitante no estudo As 100+ Inovadoras.

Somente cinco das empresas que se inscreveram aparecem no ranking geral. A

situação não difere muito de 2008, quando apenas duas figuraram entre as cem.

No entanto, as mais bem-colocadas – Redecard, Totvs e Tecban – classificaram-se

entre as 20 melhores e contam com boa pontuação.

De uma forma geral, as companhias desse setor parecem não

aproveitar o que pregam em suas propagandas para clientes. Para 55% delas, a TI

é um centro de custo. Na média geral, esse índice é de 46%. Embora 100% afirmem

que há uma estratégia de inovação definida, 64% delas dizem que não há qualquer

métrica para o retorno destas ações.

O setor também aparece bem dividido quando questionado sobre

os processos prioritários da área de TI. O relacionamento com clientes,

operação e suporte de sistemas é foco principal para 36% das companhias. Com o

mesmo porcentual aparece a entrega de soluções e integração. O planejamento da

arquitetura e desenvolvimento de sistemas fica com 26%, enquanto o planejamento

estratégico e a gestão do modelo de negócios não são citados.

Com isso, ganharam destaque as organizações que fizeram a

inovação parte da estratégia de negócios e de ganhos de produtividade. As três primeiras

do setor não poupam esforços para se adaptarem às constantes mudanças nos

negócios e lidam muito bem com todo o arsenal tecnológico que ajudaram a

difundir pelo mundo.

A Redecard, parte importante no ecossistema de pagamentos

por meio eletrônico no Brasil, já contabiliza 11 mil pessoas realizando m-payment por meio de uma solução

própria. O novo modelo é tido como a próxima evolução, impulsionada,

principalmente, pelo aumento da base de celulares e uso desses aparelhos como

substituto dos cartões de crédito.

Outra inovação da empresa nasceu de uma necessidade fora da

TI. A campeã da categoria e 11ª no geral precisava melhorar a segurança dos pontos

de venda (POS, na sigla em inglês) existentes no comércio. Quando um destes

aparelhos apresenta problema de vulnerabilidade, precisa ser retirado do estabelecimento

e enviado para o laboratório. Uma solução de telemetria inventada pela área

técnica está mudando essa situação.

Com sensores de radiofrequência, a equipe de manutenção

poderá descobrir o problema e consertar a máquina em instantes, sem precisar

desligar ou trocar o POS. O sistema está em fase de patente internacional e

deve contribuir para a companhia melhorar o serviço prestado ao cliente.

“Antigamente, a TI fazia muitos projetos de pouca complexidade, hoje, nos

focamos em poucos, mas de extrema ligação com o negócio da companhia”, destaca

o diretor de TI da Redecard, Alessandro Raposo.

Ambos projetos mostram a fase na qual vive a TI da empresa. Há cerca de

três anos, o primeiro passo de inovação na área foi definir os processos por

meio de metodologias de gestão da qualidade. A segunda etapa, entre 2007 e 2008,

contou com a adoção de novos sistemas automatizados e a inclusão de scoredcards e workflow na rotina da área. Agora, na terceira fase da mudança, a

eficiência do negócio é feita em cima do que foi construído, seja tecnologia ou

metodologia.

Expansão

consciente

Uma operação remota de manutenção também está ajudando a

Tecban, terceiro lugar no setor e 19º no geral, a diagnosticar e recuperar

defeitos em sua rede de caixas eletrônicos do Banco 24 Horas. “O tempo gasto em

campo tem interferência direta no crescimento do negócio”, explica o diretor de

TI, Lisias Lauretti. Antes, a empresa precisava mandar um técnico a cada

terminal para fazer a manutenção. Com a operação remota, uma central pode

cuidar de várias máquinas ao mesmo tempo e até prevenir futuros problemas. A

solução será essencial para aumentar a disponibilidade da rede no plano de

expansão para 2012.

A economia esperada é de R$ 510 mil por ano. Por enquanto, a

empresa já descobriu que o tempo de atendimento vem caindo drasticamente,

passando de 23 minutos, em janeiro, para 8 minutos, em março. A disponibilidade

da rede é uma das grandes preocupações. Para diminuir os problemas que podem

fazer o cliente deixar de usar o caixa eletrônico, a empresa planeja usar uma

conexão reserva de telefonia 3G nestes terminais. Já existem algumas máquinas

destas funcionando e à medida que as operadoras aumentarem a cobertura, o

projeto será ampliado.

Na Totvs, vice-campeã da categoria e 15ª colocada entre As 100+, o destaque é para o uso de

canais de troca de ideias para inovação. O portal i9 é o centro mais aparente

dessa política. Mais de 3 mil sugestões de melhorias  já foram enviadas para avaliação. O foco

principal é a experiência do usuário e as metas de negócio da empresa.

Os clientes também possuem formas de contato direto com a

empresa para sugestões e o CEO da empresa possui uma conta de e-mail específica

para receber insights dos

funcionários. “Com isto, a inovação não é pontual e fica presente por toda a empresa

e em todos os processos”, explica o vice-presidente de tecnologia e gestão da

qualidade Weber Canova.

Leia também:

Confira o especial completo sobre a nona edição de As 100+ Inovadoras.

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