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100 +: InCor PME Categoria vence

Instituto cria solução para levar computador a beira do leito, melhorando atendimento aos pacientes e vencendo barreiras culturais

Publicado: 10/05/2026 às 01:31
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6 minutos
100 +: InCor PME Categoria vence
Construção civil — Foto: Reprodução

A qualidade dos serviços de saúde depende de informações

precisas para ações rápidas e efetivas. Os hospitais sabem: os ganhos são

significativos quando iniciativas de informatização e mobilidade incorporam-se

às rotinas. As vantagens são sistêmicas. O computador ajuda no armazenamento e na

troca de informações, contribui para a redução dos índices de erro, provê

melhor acesso a dados históricos o que, por fim, facilita o trabalho na hora de

tratar os pacientes.

Dito assim, tudo parece muito simples. Mas não é. Barreiras

culturais erguem-se como muros dentro de instituições do setor. A computação,

por imensos benefícios que agregue, tem sido vista apenas como mais um processo

burocrático a ser seguido por médicos e enfermeiros. Os argumentos dos que

refutam o computador passam pela dificuldade no manuseio de equipamentos,

teclados e telas pequenos, baixa autonomia das baterias, pouca integração entre

sistemas, falta de robustez e por aí vai. Tudo isto é válido. Por que não seria

se durante anos as coisas foram feitas da mesma forma e funcionaram?

Não se muda uma cultura moldada pelos séculos a força. Marco

Antonio Gutierrez, CIO do Instituto do Coração de São Paulo (InCor), ganhador

na categoria PME, sabe disto. Mas o executivo sabe também que alinhar TI com

negócio e facilitar a vida dos usuários contribui – e muito – para mudar

paradigmas. Por mais que a modernidade tente impor-se no estabelecimento de

novas formas de fazer o trabalho, sem benefícios claros, as máquinas não

vingam. Quando os gestores de tecnologia conquistaram a sensibilidade de

compreender a melhor maneira de resolverem equações envolvendo pessoas e

computadores elevam o índice de sucesso de seus projetos.

Ponto de mudança

Voltemos a 2003. O departamento de tecnologia da informação

do instituto vinculado ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da

Universidade de São Paulo trabalha no desenvolvimento de um grande sistema de

gestão que irá controlar todas as etapas da assistência ao paciente. No final

do ano seguinte, a solução começa a rodar, englobando módulos de prescrição

eletrônica, resultados e pedidos de exames, imagens médicas nos mais variados

formatos. Mais ou menos naquela época, a figura do Prontuário Eletrônico do

Paciente (PEP) surge como um importante aliado, impulsionando profundas

mudanças na forma de se praticar medicina.

Já nos primeiros momentos com o novo sistema, os avanços

mostraram-se animadores. Mas, para Gutierrez, embora todo processo de

informatização tivesse gerado diversos ganhos acarretou alguns ônus ao corpo

médico que “possuía informação do paciente, mas não no ponto de cuidado”. Ainda

faltava algo. O desafio residia em adaptar a tecnologia à grande mobilidade dos

profissionais. O problema, na visão do CIO, estava “última milha”, que restringia

a abrangência do projeto uma vez os benefícios não chegavam até o ponto de

cuidado do paciente (POC, na sigla em inglês).

Para tentar resolver a questão, surgiu a ideia de utilizar pocket PCs. “O resultado foi muito ruim,

porque estes aparelhos têm várias limitações”, comenta Gutierrez, citando como

problema identificado o teclado para inserção de dados, a baixa durabilidade

das baterias e a fragilidade das máquinas. “Adotar estes dispositivos não era a

solução”, sentencia. O hospital, então, começou testes com tablets. “Mas também foi ruim devido ao peso, autonomia de bateria,

dificuldade de colocar à beira do leito e o custo”, pontua. Ficou claro que a

saída não viria de uma tecnologia de mercado.

Dentro de casa

O time de TI do InCor, então, começou a desenhar um projeto

próprio de mobilidade em medicina (que acabou batizado de MobMed). Como parte

integrante da iniciativa desenvolveu-se o conceito e o MedKart: um carrinho

ergonômico com um notebook embarcado, protegido por um bloco de alumínio criado

para que médicos e enfermeiros levem o computador até onde o paciente está.

O dispositivo possui periféricos para leitura de códigos de

barra, um monitor de LCD de 15 polegadas, teclado resistente à água e com

limpeza simplificada, no-break com

autonomia de até 6 horas e acesso à rede Wi-Fi do hospital. “O médico leva esse

carro à beira do leito, podendo consultar todo o histórico do paciente

centralizado no sistema”, detalha Gutierrez, mencionando que a solução foi

desenvolvida no primeiro semestre de 2008 e entrou em operação na segunda metade

do ano.

Em termos tecnológicos, a iniciativa se baseia em uma

arquitetura aberta, seguindo padrões públicos de interfaceamento e

interoperabilidade. Para o desenvolvimento do projeto foi necessário ampliar a

infraestrutura de rede sem fio do complexo hospitalar. A solução garante

agilidade, controle e confiabilidade no atendimento ao paciente. De acordo com

o executivo, podem ser citados como exemplos o registro em tempo real de

medicamentos, materiais, pedidos de exames e a possibilidade de visualização de

laudos, resultados laboratoriais, imagens médicas, sinais vitais e indicadores

assistenciais diretamente no POC.

O projeto foi conduzido pela equipe de TI em parceria com o

departamento de engenharia do hospital e, para romper barreiras culturais, teve

participação fundamental dos médicos da unidade de terapia intensiva (UTI) na

etapa de avaliação da usabilidade e funcionalidade da ferramenta. A solução opera

há seis meses. Atualmente, oito carros percorrem os corredores das UTIs

cirúrgicas, unidades de internação e pronto-socorro do InCor. Pelas contas do

CIO, hoje há um dispositivo para cada dez leitos, pois o equipamento pode ser

compartilhado com diversos pacientes.

De acordo com o diretor, a iniciativa foi patrocinada pela Dell

e apoiada sob o âmbito da Lei de Informática. “Tínhamos recursos de pesquisa e

desenvolvimento e fizemos um protótipo”. O auxílio da fabricante de

computadores permitiu escalar o projeto, que consumiu aproximadamente R$ 150

mil. Ao todo, cinco pessoas se envolveram no trabalho, três destas do time de

TI do hospital, que possui 32 funcionários na área de tecnologia.

Este é o segundo ano que As 100+ Inovadoras no Uso de TI contempla a categoria PME, voltada

para empresas com faturamento inferior a R$ 250 milhões.

Leia também:

Confira o especial completo sobre a nona edição de As 100+ Inovadoras.  

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