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Inovação na infraestrutura: conselho do CIO da JPMorgan

Chiarello diz que em todos os momentos ruins da economia pisou fundo na inovação

Publicado: 10/05/2026 às 04:43
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11 minutos
Inovação na infraestrutura: conselho do CIO da JPMorgan
Construção civil — Foto: Reprodução

Devido à natureza de informação intensiva de seus negócios globais, a inovação na infraestrutura da JPMorgan é muito mais complexa do que a da Starbucks e algumas outras. Empresas de serviços financeiros, geralmente, gastam entre 8% e 12% de seu rendimento em TI – isto quer dizer que a área de TI da empresa gastou mais US$ 7 bilhões neste ano. Em comparação, varejistas, geralmente, não gastam mais que uma pequena porcentagem de seu rendimentoI. “Serviços financeiros podem ser vistos como tecnologia corporativa que tem o dominio financeiro como especialidade”, disse Guy Chiarello, CIO do JPMorgan. 

Ele marca todos os maus tempos econômicos em sua carreira – 1987, 1991, 2001 e 2008 – como os momentos em que “pisou fundo” nas inovações e melhorias na área de TI. “Meu lema é sempre ataque versus defesa. Você não pode poupar para ter sucesso”, ensina. Depois de três décadas na panela de pressão que é a TI em Wall Street, Chiarello gosta de compartilhar dicas sobre como atacar uma economia em crise.   

Alguns dos melhores acordos acontecem com os fornecedores de TI que lutam para se manterem relevantes em um mercado consolidado. É mais fácil negociar os preços para hardware do que para software. Enquanto isto, as empresas de software virão atrás de você, pode se preparar. “Os fornecedores de software se sustentam com os lucros de manutenção e fazem auditoria de inventários, tentando arrancar qualquer dinheiro que puderem”, diz ele. Seu conselho é “mantenha os inventários de gerenciamento de propriedade bem-estruturados e entenda os contratos, assim você poderá atacar e combater essa atividade.”

Frequentemente, economizar exige uma estratégia de infraestrutura significativamente diferente e, às vezes, tecnologias emergentes. Nos últimos meses, a JPMorgan investiu em rede IP para diminuir contas de telefone com ligações interurbanas em certas regiões. Sua equipe tem examinado cada banco de dados, avaliando o custo por metro quadrado, para garantir que cada um está recebendo a carga de trabalho mais adequada e trazendo virtualização ao servidor VMware onde é necessário. A empresa está construindo ambientes privados de computação nas nuvens para fazer simulação de mercado e calcular riscos, e também está querendo usar serviços públicos de cloud.

Chiarello também tem cerca de 20% dos funcionários (cerca de 30 mil pessoas) usando desktop virtual e ele planeja expandir este número. Como a virtualização de um computador desktop é feita por meio de um software baseado em servidor, ele vê a possibilidade de aumentar o tempo de vida de um PC de três para cinco ou seis anos. O objetivo final do CIO é permitir que os funcionários criem seus próprios ambientes em PC virtualizados. Essa abordagem, por sua vez, deve gerar poder de negociação com as empresas de software para que a empresa pague apenas pelos softwares que usarem. 

O que MacGyver faria?

James Sims, CIO do Save Mart Supermarkets, navega em um barco completamente diferente. Com cerca de US$ 5 bilhões em rendimento anual e um orçamento de TI que corresponde a menos de 1% deste valor, ele deve cortar US$ 6 milhões do seu orçamento neste ano. Está quase lá. Mas Sims está acostumado a viver na escassez. “Eu nunca vi uma empresa mais escrupulosa em relação ao valor da TI como nós”, diz, justificando que lá eles analisam tudo e questionam o que se faz de verdade.

Sims queria comemorar a inovação que corta os gastos com infraestrutura de TI, então, ele criou o prêmio “Miraculous MacGyver”.  As ideias para usar software de código aberto de baixo custo ganharam alguns prêmios. Agora, a Save Mart usa o software de código aberto do projeto Hobbit, por exemplo, para gerenciar e monitorar alguns sistemas. A empresa está substituindo o SQL Server da Microsoft e os bancos de dados da Oracle em várias instâncias pelo o banco de dados em código aberto e de baixo custo da Ingres. “Nós já nos cansamos da falta de senso de parceria da Oracle”, declarou Sims, baseando-se na má vontade dos fornecedores de negociar ou cancelar licenças para sistemas que a Save Mart não usa mais. Usando virtualização, a Save Mart tem cerca de 370 servidores Linux em funcionamento e a empresa investiu, recentemente, em sistemas de armazenamento compartilhado, eliminando milhares de tape drives.

Há três anos, cada loja da Save Mart tinha quatro servidores individuais rodando Windows, AIX ou SCO. Usando o WMware, cada loja, hoje, tem dois servidores rodando em Suse Linux que se espelham, e dois sistemas ponto de venda idênticos e em tempo real. Em caso de falha no sistema, sempre há um backup. “O modelo antigo precisaria de um técnico no local”, disse ele, sinalizando que acabou saindo caro demais e consumindo muito tempo, especialmente depois que a Save Mart comprou a divisão Albertson”s Northern California, em 2007 e se tornou uma cadeia de 245 lojas. 

“Project S” e outros passos difíceis 

Como muitos hospitais, o Hospital Regional New Hanover, na Carolina do Norte, EUA, foi abalado pelo número crescente de pacientes desempregados ou sem plano de saúde, pelos gastos com pacientes em procedimentos médicos arbitrários, cortes governamentais para Medicaid e Medicare, doações filantrópicas cessadas e perdas em investimentos. O orçamento anual para TI do CIO, Avery Cloud, foi reduzido de US$ 11 milhões para US$ 9 milhões. 

O lado bom foi que, durante o perído difícil, o hospital pode passar mais tempo preparando a infraestrutura de TI para dar suporte às iniciativas estratégicas que certamente virão no futuro. E é ai que entra o chamado “Project S”, com objetivo de estabilizar sistemas e serviços. O hospital cortou 70% dos projetos de estratégias de TI orientados a crescimento, e os recursos que restaram foram para o “Project S”. Até agora, o New Hanover conseguiu evitar demissões transferindo as pessoas.

Comprou software do Compuware para gerenciar o desempenho da infraestrutura de TI, assim como o software de gerenciamento de portfólio de TI para garantir que a verba está indo para os projetos certos. Também está investindo em virtualização de servidor para cortar gastos com sistemas. “Eu não tive a oportunidade de fazer essas coisas antes porque o foco estava nos projetos orientados a crescimento”, disse Cloud. 

Também são tempos difíceis para a Valassis, empresa de mala-direta, que, entre outras coisas, faz livretos e cupons para jornais. A Valassis, que teve US$ 2,8 bilhões em rendimentos no ano passado, tem visto as vendas caírem nos últimos seis meses devido a orçamentos de marketing mais apertados. Ao mesmo tempo, mais clientes estão mudando de anúncios em versão impressa para online e pensando em novos canais, como dispositivos móveis. 

Para acompanhar o ritmo da mudança e reduzir gastos, a Valassis resolveu consolidar sua infraestrutura de banco de dados usando virtualização para dar suporte a um número maior de servidores em menos espaço e e pegar de volta o título de proprietária de sistemas que são usado em banco de dados da IBM. Esse projeto envolveu a expansão do banco de dados central da empresa, perto de Livonia, Michigan, do centro de operações e a compra de tantos equipamentos novos que os caminhões de entrega entupiram o estacionamento em algumas noites. “Ao consolidar, a Valassis cortou US$ 5 milhões por ano dos gastos de sua infraestrutura de TI e US$ 35 milhões em taxas de consultoria de TI relacionadas à um banco de dados outsourced fragmentado”, disse o CIO, John Lieblang. 

Enquanto a Valassis trouxe o trabalho em processos de volta pra casa, este raramente é o caso em inovação de infraestrutura. Normalmente, pelo menos uma parte da economia feita vem da diminuição na equipe de TI, devido ao aumento na automatização ou eficiência. Bob Beauchamp, CEO da BMC Software, que desenvolve software para gerenciamento de TI, disse que, em um grande acordo realizado recentemente, o CFO cliente se recusou a aprovar o acordo até que o gerenciamento de TI lhe fornecesse, por escrito, quais cargos específicos não seriam mais necessários já que o software garantia automatização. “As pessoas que ocupavam tais cargos foram demitidas ou transferidas”, conta Beauchamp. 

Momento certo de consolidar

A Emerson, empresa de manufatura e tecnologia, completou, recentemente, uma grande consolidação de banco de dados, uma mudança de quando TI descentralizada era considerada uma necessidade. “Muitas decisões foram tomadas em unidades individuais para que nós pudéssemos reagir com mais velocidade às condições de mudança do mercado”, disse o CIO, Steve Hassell.

A antiga estrutura causou muito desperdício. Depois de múltiplas aquisições, a empresa tinha 135 bancos de dados espalhados pelo país. Então, decidiu consolidar em apenas um grande em Saint Louis e, como parte do processo, fez algo um pouco diferente: reuniu a equipe de TI com os arquitetos da construção. 

Uma das decisões mais inovadoras que surgiu foi a de colocar o sistema de aquecimento do prédio no telhado junto com as unidades de ar-condicionado. Inicialmente, os arquitetos ficaram preocupados com a ideia, já que não é assim que geralmente se faz; os aquecedores costumam ser instalados no chão, atrás do prédio. Mas colocá-los no telhado fez com tivesse uma abordagem modular em expansão, deixando mais espaço para resfriamento somente onde fosse necessário conforme incorporasse outros núcleos ao principal.

O banco de dados começou a operar em meados deste ano e irá usar, inicialmente, apenas um terço de sua capacidade, mas como resultado da ideia do telhado, não está usando mais ar-condicionado do que precisa. Colocar os aquecedores tão perto do sistema de ar-condicionado fez com que a empresa economizasse quatro quilômetros em tubulações subterrâneas.

Em alguns casos, uma infraestrutura de baixo custo já está abastecendo inovações orientadas a crescimento. O banco de investimentos Cowen está usando o banco de dados Ingres baseado em Linux para expandir seu grupo de programa de traders e desenvolver um portal para o grupo compartilhar análises com os clientes. O programa de traders executa análises complexas para ajudar gerentes financeiros a tomar decisões sobre onde investir seu capital, trabalho que envolve um grande número de dados. “O Ingres é maduro o bastante para lidar com tal carga de trabalho e barato o suficiente para ajudar a Cowen a aumentar o programa”, afirma o CIO, Dan Flax. 

William Miller, da Nationwide Insurance, diz que, ultimamente, ele percebe muito mais o interesse dos executivos em problemas de infraestrutura de TI, o que torna mais fácil colocar os projetos em prática. “Vale lembrar que a luta contra o bug do milênio fez com que muitas pessoas que não entendiam nada de tecnologia de repente virassem especialistas”, disse Miller, vice-presidente associado e controlador de TI da empresa.

Hoje, mais do que nunca, é importante que os executivos e os profissionais de TI conversem seriamente sobre investimentos em infraestrutura. Milles cita o exemplo de um líder executivo que exige um servidor e um sistema de armazenamento extremamente redundantes para evitar que os aplicativos deixem de funcionar, mas os aplicativos não são tão essenciais para merecerem esse custo. “O que realmente deve ser feito é expor o negócio aos economistas de TI de uma forma que faça sentido e seja compreendido por todos”, explica Miller. A empresa usa softwares da Digital Fuel para rastrear os custos e o uso de TI por unidades de negócio individuais. “Não é questão de gastos, é questão de valores”, diz Miller. “Você gasta mais se for um investimento de valor. As empresas que não entendem essa relação de forma objetiva, não entendem nem a indústria em que estão”. 

Não surpreende que os negócios estejam mal. Mas as empresas não podem deixar que suas infra-estruturas de TI sejam superadas por seus concorrentes. “O fato é que os orçamentos podem estar apertados, mas a demanda por tecnologia está crescendo”, declarou Chiarello, da JPMorgan Chase. “Não é questão de gastar mais, é questão de gastar com inteligência”. Isso significa reconhecer as oportunidades únicas que vêm com uma economia em crise, e mais importante, entender que infra-estrutura não é questão de manter as luzes acesas. É questão de ajustar os motores que tornam possível inovar. 

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