Para os provedores de serviços, o maior desafio será resolver a equação investimento-receita
Cloud computing é, sem dúvida, uma das principais buzzwords do momento na área de TI. Como o período é de altas expectativas, os fabricantes exploram o conceito de uma forma um pouco indisciplinada, agregando-lhe todas as novidades ou melhorias implementadas em suas plataformas de computação.
É natural que o mercado e, especialmente os CIOs, recebam grande quantidade de informação, que pode criar confusões conceituais, levando a dúvidas quanto à sua efetividade ou mesmo à sua importância. Contudo, computação em nuvem veio para ficar. Mais que uma tecnologia ou plataforma, trata-se de uma evolução na forma de disponibilizar a TI e, principalmente, de um novo modelo de negócios.
O conceito de cloud foi tomado emprestado do universo de telecom e internet. Nestes ambientes, utiliza-se uma nuvem para se abstrair das topologias de equipamentos e links utilizados na implementação de uma rede de comunicação, sendo que a nuvem representa todos os equipamentos e enlaces que compõe uma rede.
A nuvem vem para resolver problemas de economia de recursos de infraestrutura, oferecendo vantagens de independência geográfica, escalabilidade e elasticidade.
Uma forma de se entender a cloud computing é fazer uma analogia com o provimento de serviços públicos. Ao se utilizar ou mesmo ao se estabelecer um contrato com uma concessionária de energia, por exemplo, os clientes não questionam qual a fonte geradora de eletricidade, se provém da hidrelétrica A ou B, ou se é oriunda de uma usina termoelétrica ou termonuclear.
As unidades geradoras estão todas interligadas a um sistema ou a um barramento, a partir do qual os recursos são disponibilizados aos clientes. Então, neste modelo de prestação de serviço está presente uma independência geográfica da fonte geradora do recurso, e ele é suficientemente projetado para adequar-se, dentro de limites pré-estabelecidos, para suportar a sazonalidade da demanda dos clientes.
O bom de uma tecnologia ou conceito emergente é quando ele traz ganhos para o parque instalado. Neste sentido, a cloud computing já entra ganhando. Por exemplo, os mainframes ganharam um novo destaque, pois agora é possível compartilhar os excelentes recursos de I/O (Input/Output) entre diversas aplicações ou mesmo empresas. Era algo impensado no passado. Este ponto é também importante porque pode-se destacar aqui a independência da plataforma física trazida pela computação em nuvem.
Para os provedores de serviços, o maior desafio será resolver a equação investimento-receita. No modelo convencional, os recursos são adquiridos após o fechamento do contrato com o cliente. Na computação em nuvem, eles precisam investir primeiro para construir a infraestrutura de suporte ao serviço, ou seja, antes do fechamento dos contratos com os clientes.
Não por acaso, segundo o Gartner, a confiança no desempenho do serviço é o tópico de maior importância na relação entre cliente e fornecedor.
Carlos Maurício Ferreira é diretor de tecnologia da Algar Tecnologia. O executivo escreveu com exclusividade para InformationWeek Brasil.
Leia também:
Todos os artigos publicados em CIO Insight