Com a crise, as empresas aprenderam a fazer mais com menos recursos, tempos reduzidos, menos estoque e menos investimentos
O ano de 2009 foi inesquecível para a maioria das empresas no Brasil e no mundo. A crise mundial, anunciada no fim do ano anterior e sentida durante boa parte do ano que passou, obrigou as companhias a imprimirem mudanças consideráveis buscando garantir sua sobrevivência e continuidade no mercado.
Se olharmos de forma pessimista, 2009 foi um ano com demissões, faturamentos reduzidos, orçamentos restritos e investimentos somente no estritamente necessário. Algumas companhias não resistiram aos impactos da crise e tiveram de buscar alternativas como fusões e cisões. Outras tiveram que literalmente “fechar as portas”.
Considerando investimentos em TI, as organizações mantiveram a mesma cautela e regras definidas. Como área crítica para a continuidade dos negócios, os departamentos de tecnologia da informação passaram também por um momento de revisão de processos e mudanças estruturais.
Em pesquisa realizada junto aos CIOs de empresas do Estado de Santa Catarina, foi notória a redução nos orçamentos de investimentos previstos com TI em 2009, em relação aos anos anteriores. A análise do retorno de investimentos (ROI) passou a ser elemento obrigatório para a aprovação de projetos e liberação da verba para sua execução.
A maioria das empresas pesquisadas não realizou a totalidade do orçamento previsto, tamanha foi a cautela. Foi preciso redobrar os cuidados em serviços de missão crítica que não puderam sofrer melhorias e atualizações, suportar o negócio e as alterações em processos, reduzir custos e cortar despesas. A pressão pela redução de custos foi sentida pelos fornecedores, que passaram por duras revisões de contratos e reduções de escopo.
Sem dúvidas, foi um ano que exigiu demais dos gestores de TI.
Por outro lado, as previsões para o próximo ano são bem mais otimistas. De forma cautelosa, os investimentos previstos para 2010 são superiores aos de 2009 e se aproximam dos demais anos. A crise parece ter passado e o momento é de retomada do crescimento.
Mas a turbulência dos últimos meses não pode ser encarada apenas como um momento ruim. Existem pontos positivos advindos dela e que não podem ser menosprezados. Empresas tiveram que rever seus processos internos, reduzir custos sem perder o nível de serviço e manter a qualidade do produto (ou serviço).
O que antes era considerado melhoria ao negócio, passou a ser obrigatório no cenário de crise. As empresas aprenderam a fazer mais, com menos recursos, tempos reduzidos, menos estoque e menos investimentos.
Fica então a pergunta: se conseguimos atravessar a crise com essa estrutura e com esta cultura, por que precisamos voltar ao modelo anterior? Sem dúvidas esta questão deverá ser respondida pelos gestores em 2010, antes de sugerirem novos investimentos ou aumentos de custos.
*Sandro Tavares é gerente-corporativo de TI da Tigre e presidente do GUCIO-Santa Catarina
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