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Clubes de futebol também apostam em TI

Responsáveis pela área de tecnologia de grandes clubes revelam estratégias. No radar, projetos de SOA, CRM e integração de sistemas

Publicado: 11/05/2026 às 07:48
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Clubes de futebol também apostam em TI
Construção civil — Foto: Reprodução

Mais que uma paixão nacional, o futebol é um negócio que movimenta US$ 3,2 bilhões, todos os anos, somente no Brasil. Estima-se que este esporte gire uma fortuna próxima a US$ 250 bilhões, anualmente, no mundo. Com relativa capacidade de passar incólume a intempéries econômicas, o segmento é apontado como um dos mais promissores financeiramente. No contexto, o mercado nacional ocupa a quinta posição entre os maiores do globo. Os números não são muito precisos, mas calcula-se que existam uns 33 mil clubes de futebol (entre profissionais e amadores), 360 mil jogadores, 30 milhões de praticantes eventuais e outros milhões de apaixonados pelo esporte em solo brasileiro. Um imenso porcentual dos valores movimentados pelos times nacionais origina-se da venda e da transferência de jogadores. Celeiro de craques, jogar bola no Brasil é um negócio “tipo exportação”. Segundo a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em 2008, 1176 jogadores foram negociados com equipes de outros países.

Alguns clubes brasileiros verificam receitas maiores que várias empresas nacionais. O visível potencial do setor, muitas vezes, esbarra na falta de organização. À medida que se exige maior profissionalismo na gestão, a TI começa a fincar raízes mais profundas nas instituições, ainda que não conte com orçamento preciso ou muita autonomia. Claudinei Santos, coordenador do núcleo de esportes da pós-graduação da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), cita que uma série de tecnologias começam a chegar ao futebol de carona com a filosofia de “clubes-empresas”. “Os grandes times já adotaram diversos conceitos, mas ainda há bastante para se fazer”, avalia.

É o caso do Clube de Regatas Flamengo. “De quatro anos para cá, triplicamos nosso parque de computadores e aumentamos o número de servidores”, dimensiona o coordenador de TI, Thadeu Cotts. Com cerca de 200 estações de trabalho, o Rubro-Negro carioca se equipara a uma empresa de médio porte no que tange ao uso de tecnologia da informação. No radar, o time da Gávea planeja integrar módulos de suprimentos, contábil e cobranças ao sistema integrado de gestão (ERP). “A visão de tecnologia está mudando devagar”, projeta o profissional. A constatação apenas reforça a transformação dessa indústria. 

Clube-empresa

Nos idos de 1996, o Cruzeiro Esporte Clube criou o cargo de diretor de tecnologia da informação dentro de uma visão estratégica para os cinco anos subsequentes. “Era uma época embrionária. Começamos a planejar um envolvimento maior de TI”, recorda Aristóteles de Paula Lorêdo, que responde como CIO do time mineiro desde aquele ano. A iniciativa ajudou a Raposa quando, em 1999, firmou uma parceria com um investidor estrangeiro que passou a exigir balancete mensal no quinto dia útil de cada mês, forçando um processo de gestão muito ágil. 

Mais ou menos por essa época, o clube adotou um ERP da RM Sistemas e começou um trabalho de mudança cultural em um processo que se estendeu por cerca de dois anos. “Quando se vê o futebol, você enxerga o campo e não a retaguarda”, analisa o gestor, destacando a complexidade da “empresa” Cruzeiro, que terceiriza seu data center com a Algar e possui 26 servidores para suportar os sistemas mais críticos.

Consolidar a retaguarda permitiu avançar em várias frentes. Em 2004, quando tinha 60% do ERP implantado e legados estáveis, o time partiu para o desenvolvimento de uma solução de business intelligence (BI) e um sistema de gestão da carteira de clientes (CRM, na sigla em inglês) para acompanhar de perto os cerca de 180 mil torcedores cadastrados. “O negócio do futebol exige respostas rápidas”, condensa Lorêdo sem revelar o orçamento que administra. Aliás, esta parece ser uma questão delicada nos departamentos de tecnologia dos clubes brasileiros, cujos gestores, normalmente, não tem uma verba muito exata para investimentos.

Pelas contas do CIO, o Cruzeiro trabalha com um índice de informatização na casa dos 95%. A TI do clube prepara revisão de projetos e pretende adaptar suas soluções para internet. Nesta toada, o CIO está no meio do processo de colocar na web o sistema de gestão do futebol profissional criado em 1998 e batizado de Tática.

A dinâmica não é diferente para outros times de grande porte. Quando ganhou o título do mundial interclubes, o Sport Club Internacional se viu diante da necessidade de conferir novos contornos à TI. Se antes da conquista a tecnologia já se alinhava ao planejamento estratégico, agora ela tornou-se fundamental para suportar as ambições do Colorado pela próxima década. Assim, há cerca de doze meses, Tiago Andres Vaz responde como assessor para assuntos de TI do clube gaúcho, reportando-se à presidência. Pouco antes da entrada do executivo, o clube remodelou sua infraestrutura administrativa física, renovando o parque de máquinas. “Hoje, você entra no clube e pensa que está numa multinacional”, compara. O movimento trouxe avanços e mudou percepções quanto à informática.

Os esforços preveem implantação de uma arquitetura orientada a serviços (SOA, na sigla em inglês). Segundo Vaz, o Inter possui sistemas heterogêneos. A ideia, agora, é implantar um middleware – ainda em avaliação entre proprietário ou open source – para fazer o legado conversar. “A iniciativa estará cercada de diversos micro projetos para integrar aplicativos já existentes nessa nova plataforma”, diz o assessor, apontando que o trabalho se estenderá até o fim de 2010.

O Colorado busca, ainda, um novo ciclo de desenvolvimento dentro da metodologia do PMI (Project Management Institute), que ajudará a mensurar os resultados de TI. E, recentemente, ao romper a barreira dos 100 mil sócios, encontra-se motivado para a instalação de um software de CRM, que está previsto para os próximos meses.

Juntando as tropas

No Sul do Brasil, dois rivais parecem seguir rumos semelhantes – pelo menos, quando o assunto é tecnologia da informação. Na verdade, o Inter persegue um passo já dado pelo rival gaúcho. Em setembro de 2009, o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense convocou sua legião de entusiastas para alistar-se em um grande CRM, batizado de Exército Gremista. Andrade Osório Prates, gerente de TI do Tricolor, calcula que, em trinta dias de ação, mais de 100 mil torcedores responderam ao chamado. Mas ainda há muito o que fazer. O executivo estima que o clube tenha 10 milhões de apaixonados espalhados pelo mundo. “A primeira fase previa a formação de um grande cadastro com informações da torcida”, conta, avisando que o passo seguinte consiste em integrar e cruzar dados para ações estratégicas de interação por meio de mídias eletrônicas e impulsionar resultados.

Nesse sentido, a internet surge como grande aliado. O Grêmio apoiou a estratégia de divulgação do programa em blogs e redes sociais. O site do clube e páginas de alistamento estão em servidores na Locaweb. O banco de dados com o cadastro dos torcedores e suas preferências ficam em um “mini data center interno” recém-remodelado com quatro grandes servidores.  Com um faturamento anual na casa dos R$ 100 milhões, o gestor de TI do clube gaúcho acredita que há muito o que fazer. O executivo trabalha internamente para dar início a um projeto de BI. “Pode ser um próximo passo. Estamos estudando, montando ferramentas. A ideia é construir um sistema baseado em web onde se veja desde o desempenho dos atletas até questões administrativas.”

Já o Esporte Clube Vitória aprendeu “na marra” a importância de investir mais em iniciativas tecnológicas. Quando caiu para a série C, em 2005, o clube percebeu que era fundamental modernizar-se. “Era para estarmos mais adiantados, mas, por conta da crise, alguns planos de informatização foram postergados”, reflete Ricardo Soares de Azevedo Lima, diretor de marketing.

Para o ano que começa, o clube baiano espera incluir verba para adoção de software de gestão do sócio torcedor, a exemplo do que fazem os times gaúchos. O planejamento prevê ainda modernização de sistemas de acesso e soluções de gestão. Talvez a freada nos investimentos não tenha sido de todo ruim. Isso porque o Vitória ampliará sua sede e contemplará nova infraestrutura de cabeamento e computadores. A medida pavimentará o terreno para evolução esperada no futuro. 

Os movimentos dos clubes mostram uma orientação em direção à tecnologia como impulsionadora de resultados, melhoria de gestão e profissionalização das estruturas. Mesmo que em alguns casos a TI, aparentemente, venha a reboque de necessidades mais urgentes, ela está presente na pauta dos times nacionais. Ao que tudo indica, o futuro será de modernidade tecnológica nesta indústria que movimenta fortunas e move a paixão de milhões de brasileiro.

Nota do autor: gestores de TI de outros grandes clubes da série A do Campeonato Brasileiro foram procurados, mas não concederam entrevista.

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