Processo envolveu 228 pontos distribuídos por todo o Brasil
A Fundação Getúlio Vargas aponta que o setor de comércio investiu 2,7% de seu faturamento líquido em TI ao longo de 2008. O estudo conduzido pelo professor Fernando Meirelles acredita que este porcentual tinha potencial para chegar próximo a 3% em 2009. Com números mais agressivos que a média do mercado, as Lojas Marisa direcionou 12% de seu capital para tecnologia no último ano. Deste total, 28% destinou-se à implantação de um sistema para controle de retaguarda.
Poucas horas após o Grupo Pão de Açúcar anunciar que havia comprado as Casas Bahia, no dia 4 de dezembro, Mendel Szlejf, CIO das Lojas Marisa – concorrente direto – concedeu, por telefone, entrevista para InformationWeek Brasil, quando contou o projeto de uma solução para controle financeiro, que consumiu aproximadamente dois anos de esforços e atingiu 228 lojas da rede varejista. A tecnologia provida pela N&L demandou uma “logística monstruosa” devido ao número de localidades atingida.
Por sua complexidade e abrangência, a Marisa dividiu o País em várias regiões e, à medida que as lojas recebiam o sistema, o time de TI virava a chave de uma localidade e partia para um novo desafio. A rede varejista conviveu com dois sistemas paralelos durante seis meses, entre janeiro e junho de 2009. Nas palavras do CIO, a iniciativa classifica-se como uma das principais tocadas pelo departamento ao longo do ano passado.
“A loja pode ser dividida em três partes”, explica o executivo, “ponto de venda (PDV), retaguarda financeira (tesouraria fiscal e contábil) e retaguarda mercantil (controle de estoque e operações de entrada e saída de mercadoria)”. A solução ataca justamente a segunda camada, de forma a consolidar todas informações colhidas e facilitar o processo nos momentos de “fechar o caixa”, atualizando dados em todos sistemas corporativos. As vendas são realizadas e o software manda informações para um banco de dados, que faz todas as contas para fechar as conciliações financeiras ao fim do expediente.
O sistema reduziu o tempo de processo. Grande parte dos fechamentos acontece no mesmo dia, “na pior das hipóteses, em D+1”, comemora o Szlejf. O executivo recorda que o sistema anterior era suportado por uma plataforma tecnológica desenvolvida em Clipper por uma pequena fábrica de software. Durante muito tempo, a ferramenta foi útil, mas o crescimento da companhia e as diversas personalizações realizadas ao longo dos anos transformaram-se em gargalos. “Era um fim e não um meio”, comenta o diretor, sentenciando com a justificativa que os funcionários não podiam mais quebrar a cabeça no fim do expediente. “Varejo é uma indústria muito dinâmica. Nenhum dia é igual ao outro”, sentencia.
A ferramenta trabalha de forma integrada com todos os sistemas legados da Marisa, inclusive integra-se ao ERP da SAP, o que permite a consolidação das informações para a realização de todas as contabilizações, apurações e movimentações de estoque da companhia. O sistema conferiu automatização aos processos. Com isto, melhorou a acuracidade dos dados, velocidade para realizar contabilizações e apurações dos movimentos das lojas, processos mais integrados e redução no retrabalho.