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Entrevista: Cláudia de Andrade, CIO da Receita Federal

Há 17 anos no órgão, executiva comenta como se dá a segurança dos dados e projetos em andamento em 2010

Publicado: 21/05/2026 às 05:34
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8 minutos
Entrevista: Cláudia de Andrade, CIO da Receita Federal
Construção civil — Foto: Reprodução

Há 17 anos, quando a atual coordenadora-geral de TI da Receita Federal ingressou na instituição a realidade era bem diferente do ambiente de hoje. Se os papéis reinavam e acumulavam-se, as dificuldades apareciam na mesma proporção. Cláudia Maria de Andrade conta sobre aquela época com um sentimento de orgulho, ao observar aonde a RF chegou, e também com aquela alma futurística comum aos profissionais de tecnologia. Ela quer ver a Receita cada vez mais virtual, para que, online, os contribuintes possam resolver seus problemas e os funcionários consigam trabalhar remotamente. “Vai diminuir o custo Brasil”, faz questão de enfatizar. Este foi o tom da entrevista concedida pela principal executiva de TI da RF à InformationWeek Brasil.

InformationWeek Brasil – Qual é o principal projeto que a TI está envolvida atualmente?

Cláudia Maria de Andrade – Temos vários projetos em andamento. Por exemplo, estamos incrementando a declaração do imposto de renda. No ano passado, colocamos algumas novidades no programa, como o SMS e a retificação online. No finzinho do ano, conseguimos soltar o projeto de atendimento espontâneo para quem estava na malha fina, com agendamento do atendimento pelo site e também deixamos disponível a funcionalidade para verificar o porquê de ter caído na malha e a possibilidade de retificar.

IWB – Mas não são vocês que implementam?

Cláudia – Serpro e Dataprev colocam as funcionalidades que a TI da RF define. No processo de desenvolvimento, tem a elaboração do projeto, que é feita pela Receita, definimos o escopo e a previsão de cronograma, daí vai para especificação, mas continua sendo responsabilidade da RF. Depois que chamamos o prestador de serviço. O Serpro existe há 45 anos e a Receita, há 41. Então, a Receita, nos últimos anos, começou a fazer a gestão, porque antes a TI era toda do prestador. Hoje não. O prestador de serviço é chamado a participar, assim como ocorre no mercado externo. Para discutir a tecnologia

IWB – O alinhamento com as expectativas da instituição fica a cargo da TI?

Cláudia – Criamos, no fim do ano, a figura do gerente de atendimento, que está presente desde a criação do escopo. Além dele, também temos o analista de negócio, que participa desde a elaboração da especificação e é a pessoa de TI que faz a integração com as outras áreas. Há mais de uma década, existia um mecanismo de trabalho que a área de negócio falava diretamente com o prestador de serviço e isto era um problema sério, até o prestador achava o modelo ruim. A TI da Receita tem de ser um ente que tem a visão integrada, e a gente sabe que é a escolha de Sofia. O negócio quer uma coisa, mas quando a TI mostra o custo…

IWB – Há um comitê?

Cláudia – Em dezembro, o secretário assinou o comitê de TI que torna ainda mais estratégico este alinhamento. Ele é formado pelo secretário, os cinco subsecretários e a coordenação de TI. Um dos trabalhos que fizemos fortemente foi a identificação de todas as demandas, levantamos o escopo, as necessidades de recursos humanos e financeiros, a perspectiva de cronograma e quando e quanto conseguimos fazer em cada etapa. É um avanço.

IWB – O que vocês têm programado para este ano?

Cláudia – Uma das prioridades é mudar a plataforma do Siscomex – Sistema Integrado do Comércio Exterior. Hoje, a plataforma exige que você ainda tenha que ter um emulador para acessar e fazer a sua declaração. À medida que mudamos, vamos permitir que o contribuinte possa acessar desde qualquer lugar, usando o certificado digital.

IWB – Mas o certificado digital ainda não massificou.

Cláudia – Existem vários projetos. Na Espanha, por exemplo, a sua identidade já é um certificado digital e, com isto, há uma série de vantagens. No Brasil, infelizmente, ainda é uma camada restrita da população que o tem, então, o custo fica alto.

IWB – A Receita vem se sofisticando e tendo sistemas mais complexos e virtuais. Fico com duas impressões: uma que facilita a vida do cidadão e a outra que fecha o cerco para a sonegação, porque tudo fica interligado.

Cláudia – A Receita tem três grandes objetivos: aumento da arrecadação, fazer todo o controle aduaneiro e melhorar o atendimento. Por isto, até a coordenadora da área de atendimento pede cada dia mais serviços na internet. E queremos entregar isto, porque seria o melhor dos mundos. Por isto, começamos a implementar mais questões relacionadas à certificação digital para que tivéssemos um resguardo em relação ao sigilo. Então, o investimento na área de atendimento virtual é uma diretriz da Receita, porque tem uma série de vantagens: o contribuinte fica mais satisfeito, é mais fácil, acaba com o deslocamento, entre outros. Outro objetivo é tornar a RF mais informatizada. Quando eu entrei na divisão de tecnologia da informação, a exportação e a importação eram tudo papel. Era um setor grande, em Santos, que na época centralizavam-se lá a delegacia e o porto. A declaração era feita em papel, batia-se um carimbo, o Darf era pago no banco e tinha de levá-lo carimbado. Agora, como saber se ele era autêntico? Hoje, não existem mais estes problemas de recolhimento. Mudar para o virtual traz melhoria no atendimento e redução do custo Brasil.

IWB – Como vocês combatem as milhares tentativas de invasão de hackers?

Cláudia – O maior investimento é com firewall. Também temos uma política que os usuários internos até reclamam e nosso prestador de serviço responsável pelo site possui um grupo que fica acompanhando as tentativas de ataque. Este é um foco. O outro foco é aquela história que sempre falamos: você também tem um caminho crítico interno, de ataque interno de funcionários, alguém que tente acessar dados. Quando você tem uma instituição formada por seres humanos, existe sempre um probleminha e para isto há uma política, uma corregedoria ativa e a cultura. No passado, quando os dados ficaram mais disponíveis, existia uma curiosidade e as pessoas acabavam acessando informações até por inocência. Teve um que queria saber quanto que ganhava um superintendente de um determinado lugar e ele entrou na declaração. Mas nós rastreamos e ele foi chamado para esclarecer por que fez aquilo.

IWB – Cabe a vocês treinarem.

Cláudia – Há treinamentos para funcionários novos e uma das aulas é como se portar. Ou seja, não é porque você tem a senha que pode ver. Todo o acesso deve ser motivado. A curiosidade não é aceita. Além disto, há a política de segurança interna, todos têm certificados digitais e os acessos têm log. E, do lado da TI, o principal desafio é incrementar, avançar sempre. Estamos em um estágio bastante positivo. Usávamos código e senha, depois passamos para acessos criptografados e, na próxima etapa, para certificado digital. Hoje usamos um certificado digital como CPF e o próximo passo é migrar para token, porque queremos mobilidade e o cartão necessita de um software. Queremos segurança mais mobilidade.

IWB – O que mais vocês vislumbram?

Cláudia – Comunicação unificada. Existe uma serie de atividades na RF que são remotas. E, às vezes, há mais ganho de produtividade remotamente que presencialmente. Outra coisa é o atendimento virtual. O sonho é a Receita ser um órgão virtual. Com isto, fica cada dia mais preciso.

IWB – Quais vantagens você enumera em ficar tudo virtual?

Cláudia – Diminuição do custo Brasil, melhoria de atendimento e de imagem, facilidade dos procedimentos, redução de trabalho braçal, o que pode ser alocado para a atividade-fim.

IWB – Há novidades para o Sped?

Cláudia – O secretário deu uma determinação de que quer outro módulo de contabilidade implementado até o fim do ano. Mas para isto precisamos verificar com o prestador de serviço como está a infraestrutura dele. O foco original do Sped não é aumento de arrecadação, mas tornar os processos mais virtuais e, assim, poder acabar com as obrigações acessórias, além de ter maior integração com a secretaria de fazenda.

IWB – Qual é o maior desafio da TI hoje?

Cláudia – Ter a ciência de que os recursos são limitados e que você precisa fazer uma gestão eficiente para que as prioridades sejam estabelecidas e alinhadas com os projetos estratégicos da instituição, saber o que é importante para a Receita.

IWB – Você acredita que no futuro vamos ter um documento único como ocorre em outros países?

Cláudia – É uma questão de governo, mas acho que uma hora vai haver a unificação. Vimos isto no cadastro sincronizado, um projeto que começou há alguns anos. Antes, precisava-se tirar o CNPF, a inscrição estadual e a inscrição municipal, mas com o cadastro sincronizado faz-se tudo em uma única entrada. Nem todos os Estados implementaram, porque envolve uma série de requisitos. Então, acho que isto chega ao CPF e RG, mas, no primeiro momento, o foco é no CNPJ.

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