Na Suzano Papel e Celulose, ordem é não se deixar levar pelo apelo tecnológico
Tratar supostos modismos com pragmatismo, dirigindo o foco não para o que a ferramenta é capaz de fazer, mas para o que ela traz de benefício para o negócio. Esta receita simples direciona a estratégia que a Suzano Papel e Celulose adota para lidar com hypes na área de TI. “A ordem é não se deixar levar pelo grande apelo que tem naturalmente a tecnologia e nem se deixar contaminar pelos exageros”, salienta o gerente-executivo de TI, Ricardo Miranda.
No comando de uma equipe de 40 profissionais, Miranda identifica e avalia todos os principais avanços nas áreas de infraestrutura e modelos de distribuição de serviços de computação. O esforço faz parte da preparação da empresa para um novo ciclo de crescimento, anunciado em meados de 2008 e que contempla a construção de novas fábricas, uma no Maranhão e outra no Piauí, que devem começar a operar em 2013 e 2014, respectivamente, e uma terceira em local a ser definido. A Suzano quer atingir, na próxima década, capacidade adicional anual de produção de celulose de 4,3 milhões de toneladas e capacidade anual de produção de papel e celulose de 7,2 milhões de toneladas.
Na companhia, o ponto de partida da busca de inovações tecnológicas é, em geral, o planejamento estratégico. Mas não há inflexibilidade quanto a isso. “Pode-se abrir exceção para tecnologias que passaram longe do planejamento, mas se revelam benéficas para o negócio.” A Suzano atuou como early adopter em algumas circunstâncias, como na adoção pioneira do sistema de gestão empresarial da SAP. “Mas nunca tivemos intenção de ser pioneiros inveterados”, diz o executivo. Segundo ele, empresas do seu segmento econômico dificilmente se caracterizam como agressivas nesta seara. “Elas surfam a primeira onda apenas naquilo que precisam com muita rapidez. Mas a praxe é esperar uma maior consolidação e garantia de que a ferramenta terá continuidade e os investimentos serão preservados.”
Atualmente, a equipe de TI da Suzano, em paralelo com a revisão de processos da empresa, estuda com afinco as novas modalidades e serviços relacionados a data center – incluindo discussões sobre virtualização, SaaS, computação em nuvem e outras medidas que prescindam da compra de hardware. Na área de internet, a empresa fez movimentos pontuais em direção à Web 2.0. “Estamos analisando ferramentas como Twitter, Youtube e Facebook para ver qual deve ser a posição da Suzano no mundo das redes sociais e rastrear o que falam da empresa neste ambiente”, explica Miranda.
A pressão para adoção de novas tecnologias parte da própria TI e não recai sobre uma única pessoa. “A equipe sabe que tem de ser proativa e antenada, porque o dinamismo da área é grande. Ao mesmo tempo, tem de gerenciar a dicotomia de, por um lado, ser otimista e proativa, antecipando-se às demandas e, de outra parte, manter-se cética e pragmática para escapar de promessas eufóricas mas sem fundamento.” Para ele, tão importante quanto identificar a relevância de uma novidade para o negócio é investir na comunicação entre a TI e os seus públicos internos.
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