Vejo de modo positivo a cobrança que os usuários fazem em relação à TI dos ambientes corporativos. Mas área não pode deixar lado estratégico
“De médico e louco todo mundo tem um pouco.” Para nós que vivemos o mundo digital com intensidade e acompanhamos sua evolução com paixão, o informático pode facilmente fazer companhia ao médico e ao louco. Afinal, hoje, quase todos julgam ter conhecimentos de TI. Aqui não é o caso de discutir as particularidades, mas por que a tecnologia pode fazer parte deste ditado popular?
Lembro com carinho, nem por isto com saudades, quando a informática era restrita às grandes corporações, com recursos escassos e limitada atuação. Mas o mundo digital evoluiu exponencialmente e está cada vez mais difuso nas organizações e na sociedade. Um dos efeitos é que hoje a tecnologia se confunde entre o uso corporativo e o doméstico.
Quantas vezes ouvimos que é só colocar um “IF”, que a internet de casa é mais rápida que a do trabalho, que o computador do filho é melhor que o notebook corporativo ou que o e-mail pessoal não tem tantas restrições. De fato, sabemos que essas situações não são hipotéticas.
Nota-se que muitas vezes essas comparações são por demais simplistas e não levam em consideração aspectos importantes para a organização como segurança da informação, níveis de serviço, padronização, compatibilidade, rastreabilidade, preservação de investimentos e suporte técnico. É claro que a infraestrutura de TI corporativa possui inúmeros componentes inexistentes em ambientes domésticos e estes extrapolam custo e dimensão. Esta avaliação adversa quando comparada com os ambientes domésticos fica ainda mais exacerbada pela inabilidade de comunicação da TI.
Esse cenário de confronto entre o ambiente corporativo versus o doméstico acaba criando um parâmetro e força um maior nível de serviço, ao mesmo tempo, que exige uma comunicação mais assertiva – educar a organização deve ser uma missão cada vez mais presente na agenda dos CIOs. Obviamente comunicação por si só não basta para uma boa imagem e a TI também é avaliada conforme a qualidade dos serviços que presta, dos projetos que executa, da postura e atitude frente às adversidades e das oportunidades geradas para o negócio.
Vejo de modo positivo essa cobrança que os usuários fazem em relação à TI dos ambientes corporativos. Porém, a área não pode ficar reduzida ao desktop e ao help desk deixando de lado coisas como controle dos processos, facilidades no atendimento aos clientes, geração de informações precisas em tempo real, redução de custos operacionais e tantos outros pontos que fazem parte do valor mais nobre que a TI deve entregar à organização. Por fim, abençoado é o CIO onde os executivos entendem e confiam no que a tecnologia pode fazer pela organização. Amém!
*Ricardo Fernandes de Miranda é CIO da Suzano Papel e Celulose. O executivo escreveu com exclusividade para InformationWeek Brasil