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Vice-presidente de TI do Itaú Unibanco explica como a instituição quer repensar o mundo

No banco há 30 anos, Alexandre de Barros fala sobre a integração, fruto da fusão do Itaú com Unibanco, estratégias do departamento e como eles trabalham a inovação em TI

Publicado: 27/05/2026 às 14:48
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11 minutos
Vice-presidente de TI do Itaú Unibanco explica como a instituição quer repensar o mundo
Construção civil — Foto: Reprodução

Os questionamentos vêm pela televisão. O narrador da propaganda do Itaú dispara frases: ?Qual o papel de um banco em uma sociedade de consumo que está descobrindo que o consumismo sem limites não vai levar a nada?? e ?Como deixar simples e humana a tecnologia que está cada vez mais sofisticada??. A mensagem invade a sala de milhões de brasileiros e inquieta. Faz pensar se vivemos uma Era de mudanças ou uma mudança de Era. Um sujeito aparentemente alheio à exposição midiática, Alexandre de Barros, de certa maneira, tem entre suas missões ajudar a responder tais questões. Ele está no banco há 30 anos e responde pela vice-presidência de TI desde 2007. Passou por momentos cruciais na história recente de um dos maiores grupos financeiros do Hemisfério Sul com a fusão recente com o Unibanco. De perfil tímido, aceitou falar rapidamente com InformationWeek Brasil pouco antes de participar de um painel com CIOs de outros grandes bancos nacionais. Foram apenas 15 minutos de conversa. O resultado você confere agora.

InformationWeek Brasil ? Como andam os projetos de tecnologia no Itaú Unibanco?

Alexandre de Barros ? Após a fusão, retomamos o ritmo normal de trabalho dentro da visão de um banco grande. Basicamente, estamos focados em toda a questão de lançamento de novos produtos e pontos já tradicionais da atividade bancária. O banco está crescendo bastante, com expansão em todos seus negócios. Soma-se a isso a revolução que vem acontecendo em termos de canais, tanto com mobile banking, iPad e todos esses aspectos.

IWB ? O que ainda falta fazer da fusão?

Barros ? Basicamente toda a integração foi feita. Para efeito de cliente, ela já acabou. Estamos ainda com uma frente para concluir, que é guardar todos os dados históricos dos dois bancos nos sistemas. Ou seja, estamos bem no final do processo.

IWB ? Ao longo do trabalho, o que foi mais complicado?

Barros ? Acho que o desafio sempre foi gerenciar centenas de projetos e escolher aqueles que seriam prioritários e que realmente agregariam valor para os clientes. Durante esses anos que trabalhamos, ultrapassamos mais de mil projetos. Gerir tudo isso acontecendo ao mesmo tempo, sem que o banco parasse, foi desafiador, afinal a instituição continuou crescendo com seus negócios.

IWB ? Quando a integração tecnológica estará plenamente concluída?

Barros ? Por volta do segundo semestre de 2011.

IWB ? O prazo de pouco mais de dois anos é, de certa maneira, agressivo se considerarmos o tamanho das duas instituições.

Barros ? O prazo era bastante agressivo. Demos uma meta ousada para acabarmos rápido a integração. Sob efeito de clientes, concluímos o trabalho nesse prazo de dois anos e agora precisamos fazer, praticamente, uma arrumação de casa, nessa etapa final.

IWB ? O que ficou de lição deste processo?

Barros ? Aprendemos realmente sobre a necessidade de gerenciar muito bem um projeto de maneira transparente para todo mundo e dar prioridade para o que o cliente necessita. São coisas importantíssimas. Outra foi tratar as pessoas envolvidas de forma bem clara desde o início, mostrando como ocorreria o processo de integração. Isto ajudou muito a diminuir a ansiedade das equipes. Uma fusão sempre gera este tipo de sentimentos e incertezas. Preocupamo-nos para que, desde o primeiro dia, todos soubessem dos prazos e trabalhassem para que a fusão acontecesse. Por isto, justamente, conseguimos um sucesso dentro um prazo tão curto para fazer uma operação desse porte.

IWB ? Existiu algum erro ?

Barros ? Não teria nada para destacar agora. Acho que os erros que aconteceram foram pequenos frente à dimensão do trabalho. Como eu disse, tratar as pessoas com muita transparência ajudou. Fizemos, depois de determinar os projetos, esforços expondo que, quanto mais conseguir acelerar as iniciativas, melhor; para deixar todo mundo na mesma página e a equipe inteira motivada.

IWB ? O projeto de integração entre Itaú Unibanco casualmente ocorreu na mesma época da fusão Santander Real. Houve algum tipo de troca de experiências das áreas de TI ou uma competição para ver quem acabaria o processo antes?

Barros ? Não. Acho que são projetos diferentes. A fusão do Itaú com Unibanco aqui no Brasil era de uma dimensão, o Santander é um banco internacional. Então, cada um tratou do seu projeto e nunca trocamos ideia a respeito disto.

IWB ? Instituições financeiras têm grandes orçamentos para investimento em tecnologia. Quanto vocês pretendem aplicar em TI em 2011?

Barros ? O total está acima de R$ 3,5 bilhões. Temos crescido os investimentos ano a ano e, basicamente, os recursos direcionam-se mais para pessoas do que para máquinas, pois estamos conseguindo eficiência bastante boa em termos de processamento.

IWB ? Boa parte dos orçamentos de TI dos bancos que passaram por processo de fusão foram para efetivar a fusão. Como fica agora com esta etapa vencida?

Barros ? Devemos lembrar que o Brasil está crescendo muito. Os negócios bancários evoluem na ordem de 15% a 20% ao ano e estamos mantendo o nível de investimento com crescimento até menor que isso, o que prova que estamos capturando muitas sinergias. Agora, voltamos o foco para recursos humanos para expansão do banco e novos produtos que atendam aos clientes com mais qualidade. Estamos trocando o recurso aplicado na integração em si por algo mais produtivo.

IWB ? Fala-se que a tecnologia agrega muitos diferenciais aos negócios dos bancos. Tem como mensurar isso?

Barros ? Acho que não dá. Para mensurar este ponto, é preciso seguir medições tradicionais que tocam índice de eficiência e satisfação de clientes. No caso do Itaú Unibanco, a tecnologia está muito entrosada com os negócios. Nada nasce sem que a TI esteja envolvida desde o início. O sucesso do banco é o sucesso da tecnologia.

Em novembro de 2008, Itaú e Unibanco anunciaram a fusão de suas operações. A junção, segundo as instituições, formou o maior banco do Brasil, com total de ativos combinado da ordem de R$ 575 bilhões (na época). De lá para cá, deu-se início um processo de integração tecnológica que deverá estar completo no segundo semestre de 2011

IWB ? Como vocês trabalham a questão da inovação?

Barros ? Inovação é feita pela tecnologia em conjunto com as áreas de negócio. Temos programas formais e também observamos as ideias que aparecem junto às pessoas do banco. O terceiro ponto é olhar para fora da instituição, então, tudo que acontece de novo no mundo tentamos usar aqui, alinhados ao mercado financeiro.

IWB ? Especula-se que a junção de tecnologias que chegam agora a um estágio de maturidade trará uma disrupção na forma como as companhias atuam. Como você enxerga isto?

Barros ? Vemos como uma oportunidade. Quem fizer um bom investimento nesta área conseguirá atingir uma camada de clientes emergentes que entram agora no mercado.

IWB ? Bancos brasileiros são bastante sofisticados no uso de TI. O que seria possível exportar para instituições financeiras de economias mais estabelecidas como EUA e Europa?

Barros ? A tecnologia bancária no Brasil é algo bastante avançado. No que diz respeito a tempos de processamento somos benchmarking. O uso de internet e celulares é outro ponto de destaque, assim como eficiência na adoção de tecnologia no dia a dia por parte do cidadão. Por exemplo, uma transferência aqui leva alguns minutos enquanto em outros países leva dias. Pagamento de tributos também. Tudo isso vemos que pode servir de exemplo.

IWB ? Qual a estratégia de longo prazo da sua área?

Barros ? É algo muito alinhado com o mundo. Devemos partir, cada vez mais, para virtualização, processamento em nuvem interna, investimento pesado em novas tecnologias de relacionamento e redes sociais. Queremos entender esse mundo novo.

IWB ? E o que você enxerga de desafio com isso?

Barros ? Certamente olhar esse futuro e alinhá-lo como o dia a dia. Afinal, o banco precisa rodar suas operações, funcionar 24 horas em sete dias por semana, fazendo com que a tecnologia trabalhe de uma maneira impecável. Isso ocorre no mesmo tempo que precisamos olhar para frente, ousando para inovar e sabendo que podemos errar algumas vezes nesse processo. O importante é conciliar esses pontos.

IWB ? Há espaço para erros na inovação em tecnologia? Isto é tolerado dentro de uma instituição financeira?

Barros ? Sem dúvida. Obviamente que a gente faz isso de uma maneira bastante controlada, afinal, somos um banco. Mas quem não assume riscos, não inova.

IWB ? Como TI acompanha e suporta esforços de bancarização, regionalização e internacionalização do Itaú Unibanco?

Barros ? Analisamos o País de uma maneira regional e, mesmo agora, com a expansão que o banco vem fazendo para América Latina, estamos juntos em termos de governança e guideline para unidades no exterior. E há a parte de gestão, pois o banco precisa gerenciar seus clientes de uma maneira global e isso depende de TI.

IWB ? Vocês está há 30 anos no banco. Quanto o consumidor e a tecnologia mudaram ao longo desse tempo?

Barros ? Mudou completamente. Tanto o consumidor está mais exigente quanto está mais tecnológico nos dias atuais. Muito mais online, sua necessidade está na casa do segundo, com tolerância a prazos e processos que a sociedade não aceita mais dentro de parâmetros do passado. Nós tivemos que correr atrás disso para disponibilizar tudo em tempo real e múltiplos canais, da melhor maneira possível.

IWB ? Isso tende a se intensificar daqui para frente.

Barros ? Cada vez mais. Essa é a chave para qualquer empresa ter sucesso.

IWB ? Sua afirmação não se restringe apenas a bancos?

Barros ? Vale para qualquer setor. Afinal, as pessoas exigem esses padrões para tudo o que consomem. O cliente quer rapidez, informação, transparência. Funciona assim para toda indústria, não só a financeira.

IWB ? A internet trouxe uma revolução na relação do banco com seus clientes.

Barros ? Completamente e, agora, com a mobilidade muda ainda mais.

IWB ? Você crê, então, que o avanço dos dispositivos móveis trará um impacto tão grande quanto foi a internet na década passada para os negócios?

Barros ? Acredito que sim. Hoje, a pessoa com internet tradicional, já interage de forma absolutamente diferente com as empresas. Agora a questão vai ser cada vez mais em tempo real.

IWB ? Como vocês se preparam para esse cenário?

Barros ? Estamos formando, há alguns anos, os times para trabalhar desse jeito. Fazemos isso focando em treinamento, olhando para fora para não ficarmos sentados em cima daquilo que a gente já tem, renovando e capacitando o nosso pessoal e trabalhando junto com as áreas de negócio, que capta demanda dos clientes e puxa a TI. Quem fica parado morre.Os questionamentos vêm pela televisão. O narrador da propaganda do Itaú dispara frases: ?Qual o papel de um banco em uma sociedade de consumo que está descobrindo que o consumismo sem limites não vai levar a nada?? e ?Como deixar simples e humana a tecnologia que está cada vez mais sofisticada??. A mensagem invade a sala de milhões de brasileiros e inquieta. Faz pensar se vivemos uma Era de mudanças ou uma mudança de Era. Um sujeito aparentemente alheio à exposição midiática, Alexandre de Barros, de certa maneira, tem entre suas missões ajudar a responder tais questões. Ele está no banco há 30 anos e responde pela vice-presidência de TI desde 2007. Passou por momentos cruciais na história recente de um dos maiores grupos financeiros do Hemisfério Sul com a fusão recente com o Unibanco. De perfil tímido, aceitou falar rapidamente com InformationWeek Brasil pouco antes de participar de um painel com CIOs de outros grandes bancos nacionais. Foram apenas 15 minutos de conversa. O resultado você confere agora.

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