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Carreira: conheça histórias de expatriados

Não há um profissional que não queira voltar ao Brasil, mas, também, não há quem se4 arrependa da experiência

Publicado: 18/05/2026 às 06:18
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Carreira: conheça histórias de expatriados
Construção civil — Foto: Reprodução

Você tem de batizar sua filha.” A exigência da escola católica para matricular a menina de dez anos não estava no extenso check-list seguido à risca por Julio Mesquita ao se mudar para Buenos Aires. Vencedor de um processo de seleção interno para preenchimento do cargo de CFO da T-Systems na capital argentina, o executivo de 47 anos, formado em administração de empresas com MBA em finanças, derrotou candidatos estrangeiros e se submeteu a toda a trabalheira da expatriação. Obteve vistos, reuniu a documentação da escola das crianças, providenciou a mudança dos móveis, fez viagem prévia para “reconhecimento do terreno” e cuidou de uma lista enorme de providências. Todo cuidado não evitou o imprevisto estressante. “Sem o documento de batismo, a escola católica não aceitava nem mesmo conversar”, lembra Mesquita.

Padre e igreja providenciados, batismo feito, imbróglio, enfim, resolvido. Isto ocorreu em meados de 2007. A surpresa na escola argentina é apenas um exemplo dos percalços sofridos por quem enfrenta o desafio de assumir posições no exterior. Para entender como é a vida de expatriados, InformationWeek Brasil ouviu alguns executivos que já voltaram ao Brasil e outros que ainda estão fora, além de diretores de RH. Os relatos estão repletos de dicas de como aproveitar ao máximo a oportunidade de crescimento pessoal e profissional trazida por uma estadia prolongada em países com culturas similares ou totalmente distintas da brasileira.

Mesquita é enfático quanto aos benefícios da experiência. “Francamente, vale a pena. Cresci muito profissionalmente, fiz viagens turísticas, estudei a história da Argentina, fiz uma rede de contatos internacional”, diz. Ter ido para um país com cultura não muito diferente, com idioma compreensível e integrante do Mercosul facilitou.

No entanto, seria ilusão acreditar que o impacto não foi grande. Para começar, ruiu a crença de que é fácil brasileiro entender espanhol. “Essa ideia se desfez no primeiro dia”, diz o executivo, que precisou da ajuda da secretária, enquanto estudava. Na família, os traços orientais da mulher e da filha, comuns em São Paulo, atraia olhares de curiosidade em todos os lugares.

“A saudade bateu”

Muito apegado aos demais parentes, Mesquita recomenda a futuros expatriados que negociem o máximo de visitas ao Brasil, juntamente com a família. Ele conseguiu suporte da T-Systems para vir três vezes por ano, além das vindas a trabalho. “As pessoas não entendiam essa minha necessidade de rever familiares, porque me mudei com mulher e filhos. Acho que é a cultura latina. A T-Systems, alemã, é diferente.”

Na Argentina, Mesquita era vice-presidente de finanças. Seu contrato de dois anos incluía cláusulas que garantiam o retorno ao Brasil. “Para deixá-lo mais confortável”, explica Deborah Toschi, gerente de RH da T-Systens. Ela informa que o expatriado não se desconecta da empresa no Brasil, mas passa por processo de legalização. “Ainda mais neste caso, em que ele tinha procuração para assinar pela empresa”, explica. O contrato, descrevendo remuneração fixa e variável e benefícios como residência, dispositivos móveis de comunicação e automóvel, segue a política global da sede na Alemanha, variando de acordo com o prazo. A corporação ajuda com toda a burocracia para obtenção de visto temporário e permanente. “Contamos com o auxílio de uma empresa especializada nesses assuntos”, diz a gerente, acrescentando que o número expatriados têm aumentado muito, devido à política da T-Systems de se tornar cada vez mais global.

Deborah explica que o executivo fora do Brasil não sai da folha de pagamento local e continua contribuindo para efeito de FGTS e tempo de aposentadoria. “Mas se trata de um recolhimento diferente. Se decidir não mais voltar, será ?demitido” aqui, receberá os seus direitos e firmará o vínculo permanente no novo país.” Não foi o que aconteceu com Mesquita. “A saudade bateu”, conta, explicando um dos motivos que o fez dispensar o uso da cláusula que previa a prorrogação do contrato.

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