A história é trágica e bem conhecida. Fundações precárias, a
Vivíamos num mundo estatizado, quase sem concorrência, com tecnologias em lentíssima evolução, produtos simples e quase imutáveis, onde o consumidor e o cliente eram um ?mal necessário. O desafio das novas empresas formadas com a privatização e a abertura do mercado era, do lado das operadoras tradicionais, integrar a Babel existente nas empresas reunidas à força (e as barreiras tecnológicas não são menores do que as barreiras culturais) e, do lado das espelhos, criar da noite para o dia condições de existir e prestar serviços. Hoje, as operadoras tradicionais, convivem com um legado ineficaz, embora mais integrado. Paradoxalmente, os novos entrantes optaram, em sua maioria, por importar o legado de sistemas voltados para o passado.
Em paralelo, a tecnologia IP provoca a revolução definitiva nos mercados. Os modelos de negócios foram revolucionados. A ameaça de serviços de voz gratuitos, vista inicialmente como brincadeira, tira o sono dos executivos. Surge como um fantasma a comoditização dos serviços de dados. Falamos em Internet Data Centers, Application Service Providers, wholesalers, empresas virtuais de telecomunicações (sem rede, sem OSS/BSS, sem nada além de marketing, comprando serviços e alugando instalações dos outros) com a naturalidade de quem comenta o futebol.
O resultado é um ciclo frenético de criação e lançamento de novos produtos e serviços sobre uma arquitetura de tecnologia e processos criada para um mundo que desapareceu. Como provisionar produtos baseados em diferenciação, qualidade de serviço, time to market, quando isso exige a manutenção de dezenas de tabelas em sistemas desestruturados, com uma teia incompreensível de interfaces por vezes mais complexas que as próprias aplicações? Como reagir de imediato a campanhas de marketing dos concorrentes? Como criar e cobrar por ?pacotes? de serviços montados para cada cliente?
Sobreviver no mundo novo exige, acima de tudo, um projeto e arquitetura, quando antes havia apenas desenvolvimento de sistemas. A tentativa de construir esse edifício com excessiva economia, improviso e métodos obsoletos, mesmo usando as ferramentas e aplicações mais modernas, não será bastante para colocá-lo em pé. São poucos os executivos de negócios que reconhecem o problema, poucos os CIOs com força para mudar o status quo. Mas convém não esquecer o Palace II.