Entidade integra comitê de normas técnicas que definirá o protocolo de comunicação para os medidores eletrônicos de energia, batizado provisoriamente de Sistema Brasileiro de Medição Avançado.
A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) criou neste mês de novembro um grupo de trabalho para estudar redes inteligentes (smart grids), a próxima geração de redes de medição e controle de distribuição de energia elétrica. A entidade também participa de comissão que define um protocolo de comunicação aberto para ser usado por todos os modelos e marcas de medidores de consumo residencial do País. Essa padronização é uma iniciativa única no mundo, segundo Roberto Barbieri, assessor do grupo de GTD (Geração, Transmissão e Distribuição) da Abinee.
A definição do protocolo aberto de comunicação está a cargo de um comitê da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que a Abinee integra, e deve estar pronto até meados do ano que vem. A padronização vai cobrir a saída de dados do medidor de consumo elétrico para o equipamento de comunicação, de onde será possível fazer a “telemedição” – transmissão de dados até a central de operação das distribuidoras. Ou seja, o protocolo vai permitir ao medidor falar com o modem ou o rádio – acoplado ou externo, dependendo da tecnologia. Noutra etapa serão definidas tecnologias de comunicação que poderão ser adotadas para transmissão das informações (ZigBee, GPRS, PLC, Wi-FI, etc). “Não estamos padronizando a comunicação, mas a saída de dados”, diz Barbieri. O protocolo tem o nome provisório de Sibma (Sistema Brasileiro de Medição Avançado).
De acordo com o assessor do GTD da Abinee, essa é uma exigência das distribuidoras, para que elas possam usar e substituir medidores eletrônicos de quaisquer fabricantes. E também para facilitar a integração de soluções e aplicações futuras, de gestão doméstica do consumo, integrando a medição inteligente aos equipamentos eletrodomésticos.Um novo e atraente mercado para fornecedores de software e serviços.
A Atos Origin, por exemplo, lançou no Brasil, esta semana, durante o Seminário Nacional de Distribuição de Energia Elétrica (Sendi), sua divisão de smart grid, que já atua no projet da França. A rede francesa, em fase de piloto nas cidades de Tour e Lyon, usa GPRS (celular) para mandar dados do medidor ao concentrador (na rua, no bairro), e redes PLC, até a central de operação. Para cobrir 200 mil instalações, o projeto inicial vai requerer investimentos de 100 milhões de euros, que por subir a 4 bilhões de euros, na estimativa para cobrir o país todo, com 35 milhões de medidores, diz o gerente de utilities da Atos Origin, Glauco Brito. A migração deve começar no final de 2011 e seguir até 2018 ou 2020.
Atualmente, os medidores eletrônicos usam sistemas proprietários, e há cerca de dez fabricantes no País.A consulta pública da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para especificação desses sucessores dos antigos relógios de luz acaba dia 17 de dezembro. E tanto a Abinee quanto a Atos Origin devem apresentar várias contribuições.
A proposta da agência é que o medidor tenha, entre suas funcionalidades, controle de quantidade e qualidade da energia (número de interrupções, variações, etc.),como já acontece no consumo industrial, e possibilidade de implantação de pré-pago, corte e religamento remoto e até quadro degraus tarifários. Atualmente, o modelo com todos os recursos previstos pela Aneel tem preço estimado (unitário) entre 300 reais e 400 reais, total que pode cair cerca de 60% em projetos de larga escala, segundo alguns executivos dessa indústria.
Já tocam projetos-piloto de smart grid as distribuidoras Light, no Rio de Janeiro, Cemig/Light, em Sete Lagoas (MG), Eletrobrás, em Parintins (AM), e AES Eletropaulo na capital paulista, no bairro do Ipiranga. O novo GT de redes inteligentes da Abinee tem cerca de 20 participantes, de vários setores da economia (automação, comunicação, etc.), e deve fazer sua primeira reunião ainda este ano.