O Reino Unido deve registrar um aumento expressivo no número de data centers nos próximos anos. Segundo dados analisados pela consultoria Barbour ABI e divulgados pela BBC, o total de instalações pode subir de 477 para cerca de 570, alta de quase 20%, impulsionada pela expansão da inteligência artificial e pela crescente demanda por capacidade […]
O Reino Unido deve registrar um aumento expressivo no número de data centers nos próximos anos. Segundo dados analisados pela consultoria Barbour ABI e divulgados pela BBC, o total de instalações pode subir de 477 para cerca de 570, alta de quase 20%, impulsionada pela expansão da inteligência artificial e pela crescente demanda por capacidade de processamento.
Mais da metade dos novos empreendimentos será construída em Londres e arredores, financiados em grande parte por gigantes norte-americanos como Google e Microsoft, além de fundos de investimento globais. Projetos também estão previstos em outras regiões: nove no País de Gales, um na Escócia, cinco em Manchester e um megacomplexo em Blyth, próximo a Newcastle.
Esse último, avaliado em £10 bilhões, é liderado pelo grupo de investimentos Blackstone e prevê 10 edifícios gigantes ocupando 540 mil m², o equivalente a vários shoppings. As obras devem começar em 2031 e se estender por mais de três anos.
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Microsoft planeja quatro novos centros no Reino Unido, ao custo de £330 milhões, enquanto o Google investirá £740 milhões em uma instalação em Hertfordshire, prometendo usar ar em vez de água para resfriar seus servidores.
O governo britânico classificou os data centers como infraestrutura nacional essencial e considera o setor estratégico para o crescimento econômico. O Reino Unido já é o terceiro maior mercado mundial nesse segmento, atrás apenas de Estados Unidos e Alemanha.
No entanto, especialistas alertam para os impactos do consumo de energia e água. O operador do sistema elétrico nacional projeta que os novos centros possam adicionar até 71 TWh de demanda em 25 anos, dobrando a necessidade de energia limpa.
O aumento da demanda pode impactar diretamente os consumidores. Nos Estados Unidos, por exemplo, moradores de Ohio registraram alta de até US$ 20 (£15) em suas contas mensais devido à presença de data centers na região, segundo especialistas citados pela reportagem.
O uso intensivo de água também preocupa. Embora algumas empresas defendam sistemas de refrigeração mais sustentáveis, como o “dry cooling” e soluções em ciclo fechado, a falta de transparência sobre o consumo real gera desconfiança. Em Hertfordshire, moradores já se mobilizam contra a construção de um centro avaliado em £3,8 bilhões em área de cinturão verde.
Além da pressão ambiental, executivos do setor destacam os obstáculos burocráticos. Segundo a Equinix, operadora global de data centers, obter licenças e acesso à energia no Reino Unido pode levar até sete anos, o que estaria empurrando algumas cargas de trabalho de IA para outros países.
A vice-primeira-ministra Angela Rayner já interveio para derrubar vetos de conselhos locais a novos projetos, reforçando a prioridade dada pelo governo à infraestrutura digital.
Enquanto Irlanda mantém uma moratória para novos centros por causa do impacto no fornecimento nacional de energia, o Reino Unido avança em ritmo acelerado. Para mitigar riscos, o governo anunciou a criação de um Conselho de Energia para IA e investimentos de £104 bilhões em infraestrutura hídrica, incluindo a construção de dez novos reservatórios.
Mesmo assim, o debate sobre sustentabilidade continua. Para parte da população, os benefícios econômicos não eliminam a preocupação com possíveis aumentos nas contas de energia e os impactos ambientais da corrida por capacidade computacional.
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