Adriana Aroulho não costuma romantizar a própria carreira. “Pensamos que devemos estar 100% preparadas para uma posição de liderança. Mas a verdade é que nunca estamos totalmente prontas. É preciso ter um pouco mais de coragem que medo”, resume. É uma frase que, sozinha, já traduz boa parte da sua trajetória marcada por disciplina, escuta […]
Adriana Aroulho não costuma romantizar a própria carreira. “Pensamos que devemos estar 100% preparadas para uma posição de liderança. Mas a verdade é que nunca estamos totalmente prontas. É preciso ter um pouco mais de coragem que medo”, resume. É uma frase que, sozinha, já traduz boa parte da sua trajetória marcada por disciplina, escuta genuína e habilidade rara de transformar desafios em oportunidades.
Formada em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP), Adriana começou sua jornada de forma nada óbvia para quem hoje comanda a SAP na América Latina. Ainda na faculdade, iniciou um estágio na HP em um programa voltado a Sociologia no final dos anos 1990, quando a tecnologia não parecia o destino natural para profissionais dessa área. “Eles estavam focados em Gestão da Qualidade e começando a implementar processos alinhados ao que hoje chamamos de experiência do cliente”, lembra.
Antes de se apaixonar pelo universo corporativo, Adriana sonhava em ser bailarina. Passava horas ensaiando passos e piruetas, encantada pela disciplina e pela expressão artística da dança. Embora tenha seguido outro caminho, ela acredita que a base do balé, feita de esforço, foco e resiliência, também a preparou para o mundo dos negócios.
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O início da sua carreira se mostrou decisivo para o que viria a seguir. Mais de duas décadas na HP traçaram sua visão de negócios e seu senso de pertencimento em ambientes corporativos. “Tive sorte de entrar em uma empresa tão bacana, mas também me dediquei bastante. Fui efetivada, assumi projetos desafiadores e cresci junto com a companhia”, diz. Foi esse alicerce que a impulsionou a aceitar, em 2017, o convite para se juntar à SAP como vice-presidente de Plataforma Tecnológica.
Dois anos depois, Adriana assumiu o cargo de COO da SAP Brasil. Sob sua liderança, a unidade foi eleita a melhor subsidiária do mundo. Em agosto de 2020, em plena pandemia, herdou o posto de presidente da SAP Brasil, movimento que colocou mais de 1,2 mil colaboradores sob sua gestão e desafiou suas habilidades de liderança em um dos momentos mais delicados para empresas de tecnologia. “Reuni a liderança, transmiti confiança e partimos juntos, com muito comprometimento. Sou grata a todos que fizeram acontecer”, afirma.
Os resultados mostraram que a aposta foi certeira. O ano de 2020 foi forte para a companhia no Brasil, com empresas cada vez mais dependentes de tecnologia para manter operações e atender clientes em um cenário instável da pandemia. Agora, à frente da SAP na América Latina, Adriana carrega o legado construído no Brasil para um universo ainda maior.
“Quero dar continuidade ao trabalho que realizei com um time de craques da tecnologia. Meu principal olhar é para as pessoas, com atenção especial a temas de diversidade e inclusão”, explica. Para ela, a comunicação é a alma das relações, um princípio que aplica em um estilo de liderança conciliador. “Quanto mais você se coloca no lugar do outro, melhor será o processo de tomada de decisão. Às vezes, você terá de concordar em discordar, e tudo bem. O equilíbrio é essencial quando se lida com pessoas e times diversos, que pensam diferente – e isso é combustível para a inovação.”
Essa visão não é apenas retórica. Sob sua gestão, a SAP intensificou o uso de tecnologia para promover ambientes corporativos mais justos e transparentes. Com soluções como o SAP SuccessFactors, por exemplo, a empresa apoia clientes na análise de indicadores relacionados à equidade salarial entre homens e mulheres, sinalizando práticas discriminatórias e propondo medidas corretivas.
Adriana também enxerga avanços claros para as mulheres na tecnologia, mas não ignora que ainda há um longo caminho a percorrer. “Quem deve reger isso é a inteligência, a competência, o interesse e a vocação. A pauta ESG está cada vez mais presente, e com ela surgem mais oportunidades de diversidade e respeito em todos os níveis”, analisa.
Quando fala de legado, a presidente da SAP Latam não menciona apenas números ou resultados de mercado. O que move Adriana é a certeza de oferecer o melhor, e mais humano, ambiente de trabalho possível. Para isso, aposta no estudo contínuo, na persistência e na empatia como ferramentas de transformação. “Nos tornamos melhores quando ouvimos o outro, experimentamos e nos aprimoramos. É isso que quero multiplicar agora na América Latina”, conclui.
*Texto originalmente publicado na Revista IT Forum.
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