A Visa Inc criou uma nova empresa no Brasil para apostar pesado no Pix. Batizada de Visa Conecta, a instituição de pagamento vai oferecer uma tecnologia que promete eliminar o maior atrito das compras online via Pix: o vai-e-vem entre aplicativos para confirmar transações. O timing não poderia ser mais provocativo. Enquanto o governo Trump […]
A Visa Inc criou uma nova empresa no Brasil para apostar pesado no Pix. Batizada de Visa Conecta, a instituição de pagamento vai oferecer uma tecnologia que promete eliminar o maior atrito das compras online via Pix: o vai-e-vem entre aplicativos para confirmar transações.
O timing não poderia ser mais provocativo. Enquanto o governo Trump investiga o sistema de pagamentos brasileiro por alegada concorrência desleal contra empresas americanas, a própria Visa (uma das supostas prejudicadas) decide abraçar o Pix com força total.
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“Onde há transações financeiras, é lá que as empresas da Visa devem estar”, resume Leonardo Enrique Silva, diretor executivo da Visa Conecta. A frase sintetiza a estratégia da multinacional: se tornar uma plataforma completa de movimentação financeira.
Os números justificam a aposta. O Pix já responde por 35% de todas as transações do comércio eletrônico brasileiro — um mercado que movimenta dezenas de bilhões de reais anualmente. Para a Visa, ignorar essa fatia seria um erro estratégico.
A Visa Conecta nasceu como empresa independente, com CNPJ próprio e estrutura jurídica separada da operação tradicional da Visa no país. Silva deixa claro que Open Finance é apenas o começo: “Já estamos desenvolvendo outras unidades de negócio que vão além”, diz, sem revelar detalhes por questões estratégicas.

A proposta é simples: acabar com a dor de cabeça do Pix no comércio eletrônico. Hoje, quando escolhemos pagar com Pix, precisamos copiar um código, sair da loja virtual, abrir o aplicativo do banco, encontrar a área Pix, colar o código, confirmar com biometria e torcer para não ter esquecido nada pelo caminho.
A solução da Visa Conecta elimina essa jornada. Após vincular a conta bancária uma única vez, o consumidor paga com um clique e autenticação biométrica. Pronto. A empresa atua como Iniciadora de Transação de Pagamento (ITP), licença obtida junto ao Banco Central em agosto.
A segurança segue os protocolos mandatórios do Open Finance, incluindo autenticação FIDO e análise de sinais de risco em tempo real. Silva enfatiza que todos os participantes precisam cumprir exigências rigorosas para operar no sistema.
A Visa Conecta vende tecnologia como serviço para varejistas eletrônicos. As receitas vêm de taxas por transação processada – o mesmo modelo da Visa tradicional, adaptado ao ecossistema Pix.
A empresa usa tecnologia da Tink, líder em Open Banking na Europa que a Visa comprou por € 1,8 bilhão em 2022. “Isso acelera nossa entrada no mercado”, explica Silva. As operações começam no final do ano, mirando inicialmente plataformas com alto volume transacional.
Enquanto isso, do outro lado do mundo, o governo americano trata o Pix como ameaça. O Escritório do Representante de Comércio dos EUA acionou a Seção 301 do Ato Comercial de 1974 para investigar supostas práticas discriminatórias do Brasil.
A alegação: incentivos governamentais ao Pix criariam vantagem desleal contra soluções americanas como Apple Pay, Google Pay, Visa e Mastercard. O governo brasileiro rebateu, lembrando que os próprios EUA têm sistema similar — o FedNow.
Para Silva, a Visa Conecta é a resposta prática da empresa: “É a materialização de que não somos contra o Pix. Pelo contrário, queremos alavancar cada vez mais essa forma de pagamento no Brasil”.
A estratégia se encaixa na divisão de Serviços de Valor Agregado da Visa global — segmento que já engloba mais de 200 soluções além dos cartões tradicionais.
“Sonhamos grande aqui, com crescimento exponencial”, projeta Silva. A expectativa é transformar a subsidiária brasileira em centro de inovação para outros mercados latino-americanos.
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