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Mulheres na linha de defesa: a importância da presença feminina na cibersegurança e na proteção de dados

A cibersegurança brasileira vive uma fase de expansão acelerada e de grandes desafios. O mercado, estimado em US$ 3,34 bilhões em 2024, deve alcançar US$ 5,46 bilhões até 2029, impulsionado pela transformação digital, pela inteligência artificial e pela adoção crescente de soluções em nuvem. De acordo com o estudo Transformação Empresarial: Inovação Tecnológica, seu Uso […]

Publicado: 05/03/2026 às 10:46
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Mulheres na linha de defesa: a importância da presença feminina na cibersegurança e na proteção de dados
Construção civil — Foto: Reprodução

A cibersegurança brasileira vive uma fase de expansão acelerada e de grandes desafios. O mercado, estimado em US$ 3,34 bilhões em 2024, deve alcançar US$ 5,46 bilhões até 2029, impulsionado pela transformação digital, pela inteligência artificial e pela adoção crescente de soluções em nuvem. De acordo com o estudo Transformação Empresarial: Inovação Tecnológica, seu Uso e Impactos na Indústria Brasileira, elaborado pela Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) em parceria com o IDC, os investimentos projetados para o triênio 2025-2028 somam R$ 104,6 bilhões. Neste cenário, marcado por avanços tecnológicos e riscos complexos, cresce também a importância de profissionais que saibam conciliar conhecimento técnico, visão jurídica e responsabilidade social, e é justamente aí que a presença feminina pode fazer a diferença. 

Nos últimos anos, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD, Lei 13.709/18) consolidou-se como um dos pilares da governança digital e da responsabilidade corporativa no Brasil. Nesse cenário, o papel do Encarregado pelo Tratamento de Dados Pessoais (DPO), regulamentado pela Resolução CD/ANPD nº 18/2024, tornou-se essencial para garantir transparência, ética e confiança nas relações entre pessoas, tecnologia e organizações. Mais do que um cargo técnico, trata-se de uma função que exige escuta ativa, empatia e a capacidade de traduzir a linguagem jurídica e tecnológica em práticas compreensíveis e inclusivas. 

As mulheres que atuam como DPOs e especialistas em privacidade e segurança da informação têm desempenhado um papel transformador nesse campo. Elas incorporam uma perspectiva crítica e cuidadosa sobre o uso dos dados, compreendendo que informação também é poder, e que proteger dados é, em grande medida, proteger pessoas. Essa visão dos dados valoriza a diversidade, a equidade e a ética como fundamentos de uma governança digital mais justa. Ao trazer rigor técnico para a conformidade regulatória e consciência sobre os impactos sociais das tecnologias, essas profissionais ajudam a redefinir a cultura organizacional: fazem da proteção de dados não apenas uma exigência legal, mas um compromisso com a dignidade e a autonomia de todos os indivíduos. 

Leia mais: Quando a máquina aprende, o humano precisa pensar melhor 

Mas, apesar de alguns avanços, os números ainda revelam desigualdade. Uma pesquisa de 2023 indicou que apenas 20% das empresas analisadas estavam completamente adequadas à LGPD. Ao mesmo tempo, a presença de mulheres em cargos de liderança em tecnologia e segurança da informação ainda é significativamente inferior à dos homens. Essa lacuna não é apenas uma questão de representatividade, é uma oportunidade perdida de fortalecer a resiliência do ecossistema digital. 

A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) tem intensificado a fiscalização e ampliado o alcance de suas regulamentações, como sobre transferência internacional de dados e dispensa de DPOs em micro e pequenas empresas. Esse movimento reforça a necessidade de profissionais preparados para atuar de forma técnica e estratégica. E, mais do que nunca, abre espaço para que mulheres assumam papéis de liderança nesse diálogo entre regulação, inovação e ética.  

Promover mais mulheres em posições estratégicas de cibersegurança e proteção de dados é fortalecer a governança, a credibilidade e a sustentabilidade das instituições. Trata-se de reconhecer que a defesa digital de um país vai muito além de firewalls e algoritmos, depende de lideranças que compreendam o valor social e político dos dados e o impacto que seu uso tem sobre vidas reais. A segurança da informação não é apenas um tema técnico: é, antes de tudo, uma construção coletiva de confiança, equidade e responsabilidade. 

Heloísa Matias é DPO da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES).

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