A Microsoft reforça, a cada ciclo de resultados, que sua família de produtos Copilot vem ganhando terreno no mercado corporativo. Segundo a companhia, mais de 150 milhões de pessoas já utilizam alguma versão do assistente, um número que reforça seu alcance, mas não elimina dúvidas sobre o valor percebido pelas organizações. Reportagem da CNBC, publicada […]
A Microsoft reforça, a cada ciclo de resultados, que sua família de produtos Copilot vem ganhando terreno no mercado corporativo. Segundo a companhia, mais de 150 milhões de pessoas já utilizam alguma versão do assistente, um número que reforça seu alcance, mas não elimina dúvidas sobre o valor percebido pelas organizações. Reportagem da CNBC, publicada após o Ignite, mostra que clientes e consultores ainda avaliam o retorno do investimento e apontam obstáculos práticos no uso da ferramenta.
O Copilot começou a ser vendido comercialmente há dois anos por US$ 30 por usuário ao mês, como complemento ao Microsoft 365. Desde então, a empresa tenta converter sua dominância em produtividade em adoção acelerada de IA, mas interlocutores ouvidos durante o evento em San Francisco afirmam que a decisão não é simples. Adam Mansfield, da UpperEdge, citou clientes que pedem para reduzir licenças ao mínimo, argumentando que ainda não percebem ganhos que justifiquem o investimento adicional.
Essa percepção dialoga com uma dúvida comum entre CIOs: o assistente realmente devolve US$ 30 mensais por colaborador? Para muitos, ainda não. O retorno varia conforme maturidade de dados, disciplina de processos e capacidade da empresa de adaptar fluxos de trabalho. A Microsoft anunciou para dezembro um plano mais barato, voltado a empresas com até 300 funcionários, por US$ 21 por usuário, numa tentativa de ampliar o alcance.
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A pressão sobre o Copilot também vem de outro lado: concorrentes que avançam rapidamente. Google, Adobe, Salesforce, Workday, OpenAI e Anthropic oferecem modelos ou agentes corporativos, cobrindo desde produtividade até desenvolvimento. Segundo parceiros entrevistados pela CNBC, algumas empresas têm voltado e-mail e colaboração para o Google Workspace para aproveitar a evolução do Gemini, e isso inclui organizações com dezenas de milhares de funcionários.
Para consultores, o Copilot só se torna realmente útil quando a base de dados de cada empresa está estruturada. Um executivo ouvido pela reportagem afirmou que incentivos da Microsoft para projetos de limpeza e organização dos dados poderiam acelerar a adoção, já que o assistente depende diretamente da qualidade das informações internas para gerar respostas consistentes.
Mesmo enfrentando resistência, casos como Land O’Lakes e Pearson mostram que o Copilot encontra tração em organizações com forte dependência do ecossistema Microsoft. Ambas ampliaram o uso do assistente, incluindo aplicações próprias desenvolvidas com Foundry e integrações com GPT-4o mini. A chegada dos modelos Claude da Anthropic ao Foundry também amplia o leque do que pode ser construído sobre a plataforma, fortalecendo a estratégia multiautorias da Microsoft.
Há, contudo, sinais de desconforto competitivo. De acordo com Mansfield, empresas estão avaliando alternativas mais seriamente, e times de vendas da Microsoft precisam, agora, explicar o valor em detalhes, um movimento incomum para um fornecedor visto historicamente como padrão de mercado.
Na própria Microsoft, a adoção parece mais rápida. A chief AI transformation officer, Pam Maynard, afirmou que 70% dos times de vendas, suporte e serviços parceiros já usam o Copilot diariamente, contra 20% um ano antes. Para ela, os 30% restantes dependem de mudança de hábito e gestão da transformação, não de tecnologia.
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