A trajetória de Igor Freitas começa bem longe do Brasil. Filho de missionários brasileiros, nasceu na África do Sul, no período em que o país ainda vivia sob o apartheid. “Eu nasci no Sul da África, quando meus pais foram trabalhar com refugiados em Angola e Moçambique”, relata. Voltou ao Brasil com a família ainda […]
A trajetória de Igor Freitas começa bem longe do Brasil. Filho de missionários brasileiros, nasceu na África do Sul, no período em que o país ainda vivia sob o apartheid. “Eu nasci no Sul da África, quando meus pais foram trabalhar com refugiados em Angola e Moçambique”, relata.
Voltou ao Brasil com a família ainda pequeno e cresceu em Minas Gerais. Sempre teve gosto pelas ciências exatas e, no final da década de 1980, quando chegou a hora de escolher a faculdade, cogitou engenharia elétrica. Uma leitura do famoso Guia do Estudante, no entanto, mudou seu rumo. “Li sobre ciência da computação, me encantei e troquei a inscrição. Entrei na Universidade Federal de Uberlândia sem nunca ter visto um computador de perto”, conta.
O primeiro contato com o PC viria no laboratório de informática da universidade. Lá, ajudou a implementar redes e softwares em um período marcado pela chegada da internet ao Brasil. Em 1997, montou, com colegas e um professor, sua primeira empresa, dedicada a serviços de internet e desenvolvimento de sistemas.
“Não tínhamos produto, mas vontade de aprender e entregar. Configurei de firewall a servidor de e-mail”, pontua. O empreendimento foi vendido em 1999 e, em 2001, Freitas iniciou a carreira corporativa em São Paulo, decidido a se especializar em desenvolvimento de software.
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A jornada do executivo o levou a companhias de setores variados. Hoje, na Cogna Educação, lidera a área de Tecnologia e coordena iniciativas que atingem milhões de alunos. Entre elas está o Plu, assistente inteligente da plataforma Plurall, voltada a estudantes, professores e gestores escolares da SOMOS Educação.
“O Plu torna o conteúdo mais próximo e útil ao professor em sala de aula. Ele gera um roteiro de aula, questões para uma prova ou até um PowerPoint baseado em capítulos específicos do material didático”, explica. O recurso também permite que alunos façam perguntas sobre os conteúdos.
A plataforma teve um período de desenvolvimento de cerca de um ano, incluindo treinamento extensivo em materiais pedagógicos. Toda a companhia foi envolvida, incluindo os times de tecnologia, equipe acadêmica, área de dados, mercado e até psicólogos.
Para Freitas, entre os principais desafios estiveram a curadoria de documentos – para evitar respostas incorretas ou inadequadas – e a definição de guardrails, que restringem o uso em temas sensíveis. “Não bastava treinar o modelo (IA). Era preciso garantir que a inteligência artificial não misturasse contextos ou produzisse conclusões estranhas”, diz.
O impacto já aparece em escala. Lançado em janeiro deste ano, o assistente foi disponibilizado para mais de 6 mil escolas que, juntas, somam cerca de 90 mil professores e 1,2 milhão de alunos. Já são mais de 107 mil usuários únicos e uma taxa de engajamento de 80%. Além disso, novos aprendizados emergem da experiência com o Plu, como um plano de ensino individualizado voltado a alunos com neurodiversidades.
*Texto originalmente publicado na Revista IT Forum.
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