Foi preciso muito trabalho, mudança de cultura e cerca de seis anos para que a Ford abraçasse a área de TI como estratégia de negócios. Em 2018, a montadora possuía cinco sistemas logísticos diferentes, localizados em três países e mantidos por três grupos de desenvolvimento distintos na América do Sul. A limitação de conectividade atrasava […]
Foi preciso muito trabalho, mudança de cultura e cerca de seis anos para que a Ford abraçasse a área de TI como estratégia de negócios. Em 2018, a montadora possuía cinco sistemas logísticos diferentes, localizados em três países e mantidos por três grupos de desenvolvimento distintos na América do Sul.
A limitação de conectividade atrasava a entrega de pedidos e exigia modernização, já que o sistema usado na Colômbia e na Venezuela não permitia atualização dos servidores.
Sem previsão para a chegada da solução global da companhia e diante dos possíveis riscos, Djalma Brighenti Jr decidiu que era momento de agir. À frente da TI da empresa há quase dez anos, o CIO estruturou um plano para unificar os sistemas de depósitos na América do Sul.
A operação, nomeada WINGS (Warehouse Inventory Next Generation System), endereçaria o risco exposto e modernizaria as operações, mas antes era preciso convencer seus pares de que o investimento era necessário. “Naquele momento, éramos uma área de suporte. Foi preciso reunir argumentos tecnológicos para vender o projeto, mostrando os riscos para a operação”, conta Brighenti.
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Além disso, o WINGS levaria para a operação uma redução de custos significativa, já que implicava menos aplicações e uma diminuição no número de times trabalhando no suporte às soluções existentes. Futuramente, o projeto também faria com que fosse mais simples a adesão à solução global da Ford.
Com o projeto aprovado, o desenvolvimento da solução teve início nas unidades da Colômbia e da Venezuela. Depois, avançou para os depósitos do Chile e do Peru, chegando ao Brasil no início de 2023. A cada etapa, o sistema ganhava robustez: funcionalidades obrigatórias em algumas regiões se transformavam em recursos adicionais em outras. No entanto, a chegada ao Brasil representou um desafio especial.
“O Brasil tinha um volume maior de movimentações e mais operações, além de funcionalidades muito específicas do País. Não foi um lançamento simples, passamos mais seis meses aprimorando a solução até estabilizar a operação.”
Todavia, o maior desafio ainda estava por vir. Após a entrega da migração brasileira no final de 2023, o executivo começou a planejar a última entrega para os depósitos na Argentina. Eles ainda estavam no início da estruturação quando a operação precisou ser adiantada.
“Nosso plano era concluir a fase final em meados de 2025, mas os benefícios da solução, percebidos além da TI, geraram pressão para antecipar a entrega ainda em 2024. O segundo desafio surgiu justamente na Argentina, cujo lançamento era ainda mais complexo do que o do Brasil, com 14 funcionalidades adicionais.”
Se antes o negócio precisou se adaptar para enxergar a TI de outra forma, agora era a área que precisava mudar para sustentar uma nova estratégia. Para isso, o executivo adotou o modelo dual tracking, em que dois times atuam em paralelo: enquanto um conduz o discovery com os negócios, criando protótipos e definindo funcionalidades, o outro já desenvolve o que foi desenhado.
Após uma série de mudanças, a equipe de Brighenti concluiu o projeto em outubro de 2024, com implantação realizada em apenas um final de semana. Desde então, o negócio registrou 75% menos discrepâncias nas entregas a concessionários, 84% menos divergências de inventário na Argentina em seis meses e uma queda expressiva de custos, já que a nova plataforma representa apenas 23% do valor da anterior.
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