A Microsoft anunciou um dos maiores aportes tecnológicos já feitos no Canadá: CA$ 19 bilhões entre 2023 e 2027, dos quais mais de CA$ 7,5 bilhões serão desembolsados nos próximos dois anos. O compromisso, divulgado por Brad Smith, vice-presidente e presidente da empresa, é um capítulo decisivo na estratégia canadense para crescer em inteligência artificial […]
A Microsoft anunciou um dos maiores aportes tecnológicos já feitos no Canadá: CA$ 19 bilhões entre 2023 e 2027, dos quais mais de CA$ 7,5 bilhões serão desembolsados nos próximos dois anos. O compromisso, divulgado por Brad Smith, vice-presidente e presidente da empresa, é um capítulo decisivo na estratégia canadense para crescer em inteligência artificial (IA), consolidar infraestrutura local e proteger a soberania digital do país.
Segundo comunicado publicado no site da empresa, a Microsoft abriu seu primeiro escritório em Toronto em 1985. Ao longo de quatro décadas, a operação acompanhou o desenvolvimento tecnológico do país e se expandiu para 11 cidades, onde cerca de 5,3 mil colaboradores atuam próximos de clientes e parceiros. Segundo estimativas independentes citadas pela companhia, o ecossistema movimentado por suas tecnologias e parceiros envolve mais de 17 mil empresas e sustenta mais de 400 mil empregos diretos e indiretos.
Para o ministro de Inteligência Artificial e Inovação Digital do Canadá, Evan Solomon, o anúncio reforça a confiança na capacidade canadense de se tornar referência em IA aplicada e competitividade global. Ele destacou que investimentos dessa magnitude aceleram o ritmo de inovação e ajudam empresas locais a transformar operações e lançar produtos com mais rapidez.
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O pacote bilionário dedica uma parte substancial à ampliação dos data centers Azure nas regiões Central e Leste do Canadá. A empresa afirma que essas instalações começarão a ganhar nova capacidade a partir da segunda metade de 2026 e terão foco em eficiência energética, uso crescente de fontes renováveis e tecnologias avançadas de refrigeração, alinhadas ao compromisso global de ser carbono negativo, water positive e zero waste até 2030.
Essas expansões sustentam uma demanda crescente: o país já figura em 14º lugar no ranking global de adoção de IA da Microsoft, com mais de um terço da população utilizando ferramentas do tipo e participação relevante na comunidade de desenvolvedores do GitHub. O avanço acontece tanto em pesquisa quanto em aplicação prática, setores como varejo, finanças, agroindústria, cleantech e computação quântica vêm adotando soluções em escala, segundo a empresa.
A companhia também intensifica aportes em tecnologias de baixo carbono, apoiando startups canadenses como Eavor, Cyclic Materials, Arca, Deep Sky e Carbon Engineering, que atuam em remoção de carbono e inovação em energia limpa.
Junto ao investimento físico, a Microsoft anunciou um plano de cinco pilares voltado à proteção da soberania digital canadense. A iniciativa abrange medidas de segurança, privacidade, infraestrutura e continuidade operacional.
O primeiro eixo contempla a criação, em Ottawa, de um centro dedicado de Inteligência de Ameaças. O hub reunirá especialistas da empresa em pesquisa de ameaças, análise de ataques e aplicação de IA em segurança, com acesso ao fluxo global de sinais monitorados pela Microsoft, cerca de 100 trilhões por dia. A estrutura apoiará órgãos governamentais e autoridades locais na investigação de grupos criminosos e operações de espionagem digital, incluindo ataques atribuídos a países como China, Rússia e Coreia do Norte.
Outro ponto crítico é a garantia de residência de dados. A partir de 2026, a empresa expandirá controles de soberania e trará ao país o processamento local das interações do Copilot. Também ampliará o Azure Local para permitir que organizações mantenham parte das operações em ambientes próprios e lançará no Canadá o SAIL, um blueprint open source para implantar soluções de IA dentro das fronteiras nacionais em conformidade com as regras de privacidade e compliance.
Para reforçar proteção a dados sensíveis, a companhia afirma que trará ao país recursos de confidential computing e armazenamento criptográfico com gestão de chaves sob controle do cliente. A Microsoft também formalizará, por contrato, o compromisso de contestar judicialmente quaisquer solicitações de acesso a dados de clientes canadenses quando houver base legal para tal.
O plano ainda prevê apoio a desenvolvedores locais, com destaque para a parceria ampliada com a Cohere. Os modelos da empresa canadense passarão a integrar o portfólio do Microsoft Foundry no Azure, fortalecendo a presença de tecnologias de IA construídas no país.
A companhia também reiterou que defenderá a continuidade dos serviços em território canadense em cenários de pressões geopolíticas, buscando todos os meios legais e diplomáticos para evitar interrupções em caso de pedidos de suspensão de operações.
Além de infraestrutura e governança, o terceiro pilar do anúncio foca em capacitação. De acordo com a Microsoft, apenas 24% dos canadenses receberam algum treinamento em IA, enquanto o percentual global é de 39%. A empresa vê nesse déficit um risco à competitividade do país.
Para mitigar o desafio, o business unit Microsoft Elevate pretende apoiar 250 mil canadenses a conquistar credenciais em IA até 2026. Desde 2024, mais de 546 mil pessoas concluíram cursos gratuitos oferecidos pela companhia, que alcançaram 5,7 milhões de aprendizes.
O investimento se estende ao setor social, por meio do Nonprofit AI Impact Hub, criado com organizações locais para fortalecer a resiliência digital de 170 mil entidades filantrópicas. E, em uma frente dedicada à juventude, a Microsoft firmou parceria com a Actua para levar competências em IA a 20 mil jovens, incluindo programas específicos para comunidades indígenas, combinando tecnologia e preservação cultural, como o uso de IA para documentar idiomas nativos.
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