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Milton Beck

O LinkedIn por dentro: o que o algoritmo esconde e o que ele revela

Por muito tempo, o LinkedIn foi visto no Brasil como um lugar funcional, quase burocrático. Um currículo on-line, acessado em silêncio, muitas vezes até bloqueado nas empresas. Hoje, a plataforma é palco de disputas narrativas, construção de reputação, recrutamento ativo, aprendizado contínuo e, cada vez mais, decisões orientadas por inteligência artificial (IA). Essa virada não […]

Publicado: 04/03/2026 às 15:47
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6 minutos
Milton Beck, LinkedIn. Foto: Divulgação
Construção civil — Foto: Reprodução

Por muito tempo, o LinkedIn foi visto no Brasil como um lugar funcional, quase burocrático. Um currículo on-line, acessado em silêncio, muitas vezes até bloqueado nas empresas. Hoje, a plataforma é palco de disputas narrativas, construção de reputação, recrutamento ativo, aprendizado contínuo e, cada vez mais, decisões orientadas por inteligência artificial (IA). Essa virada não foi acidental nem simples, mas construída ao longo dos anos.

A conversa que tive com Milton Beck, diretor-geral do LinkedIn para a América Latina e África, executivo que participou da implantação da plataforma no Brasil e acompanhou de perto sua maturação, ajuda a entender os bastidores dessa transformação e desmonta alguns dos mitos mais comuns sobre o funcionamento do algoritmo da rede profissional mais influente do mundo.

Em 2011, falar em recrutamento ativo, marca empregadora ou visibilidade profissional era quase um tabu. Beck relembra reuniões em que diretores de RH pediam para “esconder” os funcionários da plataforma ou para serem avisados quando alguém atualizasse o perfil, sinal inequívoco, na época, de que a pessoa queria sair da empresa. “Naquele momento, ficou claro que o mercado não estava preparado para a lógica da transparência.”

O choque cultural era evidente. O mercado brasileiro ainda operava majoritariamente de forma reativa. Vagas eram publicadas, e candidatos ficavam à espera. O LinkedIn trouxe outra lógica: a do recrutamento passivo, em que os melhores profissionais muitas vezes nem sabem que estão sendo buscados.

Essa foi, segundo Beck, a grande virada do jogo. “A maioria das pessoas não está no LinkedIn para procurar emprego”, explica. “Elas estão para aprender, fazer networking, vender, comprar ou simplesmente manter a empregabilidade em dia.” O algoritmo passou a trabalhar a favor desse comportamento, não contra ele.

O algoritmo não é um oráculo

Poucos temas despertam tanto fascínio quanto o algoritmo do LinkedIn. Há quem procure a “hora certa” para postar, a fórmula mágica do alcance ou a combinação perfeita de palavras-chave. Beck desmonta essa ideia de forma direta. “O algoritmo muda o tempo todo. E muda porque o comportamento das pessoas muda o tempo todo”, afirma.
Nem mesmo ele, como executivo, diz conhecer uma fórmula fixa. “Se alguém disser que decifrou o algoritmo, está mentindo. O que funciona hoje pode não funcionar amanhã.”

Não existe mais “melhor horário universal”, nem receita pronta. O feed é moldado por sinais de engajamento, contexto, histórico individual e, principalmente, pela capacidade de gerar interações reais. Conteúdos excessivamente artificiais, inclusive os gerados por IA sem critério, tendem a ser ignorados. “Quando o conteúdo soa artificial demais, as pessoas simplesmente não engajam”, diz Beck. “O mundo é seletivo.”

IA no LinkedIn

Ao contrário do discurso externo, a inteligência artificial no LinkedIn não nasceu para criar posts virais, mas para automatizar tarefas invisíveis e escalar decisões complexas. Hoje, a IA atua desde o primeiro filtro de candidatos até a inferência de habilidades que não estão explicitamente descritas no perfil.

“O algoritmo não olha foto, não olha raça, não olha gênero”, afirma Beck. “Por design, ele trabalha com habilidades, experiências e dados comportamentais.” Quando erros acontecem, segundo ele, normalmente vêm de inferências estatísticas e não de decisões intencionais. “Pode haver falha, mas não há viés embutido por escolha.”

O sistema cruza milhões de pontos de dados por minuto, quem mudou de cargo, quem fez um curso, quem aplicou para uma vaga, quem interagiu com determinado conteúdo, e transforma isso em produtos. “Esses dados alimentam a inteligência artificial e ajudam a identificar gargalos de talentos, necessidades de capacitação e movimentos do mercado”, explica.

Nem tudo que viraliza importa

Outro mito comum é que o LinkedIn recompensa apenas polêmica ou volume. Beck relativiza essa leitura. “Às vezes, o que viraliza é justamente o conteúdo que não tem profundidade nenhuma”, diz. Em contrapartida, conteúdos mais densos tendem a crescer de forma menos ruidosa, porém consistente.

Programas como o Top Voices, por exemplo, não são monetizados nem negociáveis. “É uma decisão editorial. Não é algo que se compra, nem algo que passa por mim”, afirma Beck. “É escolha de relevância, contexto e impacto.”

Durante a pandemia, profissionais da saúde e pesquisadores ganharam destaque mesmo sem grandes audiências. “O critério não era alcance, era a qualidade da mensagem naquele momento”, relembra. A decisão reforça o posicionamento da plataforma como um espaço que tenta equilibrar engajamento e responsabilidade.

Hoje, o LinkedIn opera como uma espécie de mapa vivo da economia global. A plataforma conecta mais de 1,3 bilhão de usuários, 68 milhões de empresas, 14 milhões de vagas e cerca de 40 mil habilidades mapeadas. Não por acaso, a maior parte da receita vem das empresas, especialmente da área de soluções de talentos, considerada o carro-chefe do negócio.

O Brasil, terceiro maior mercado da plataforma em número de usuários, é um laboratório importante dessa evolução. Embora o País não tenha o mesmo peso em receita, é um dos mais ativos em uso, engajamento e produção de conteúdo. “O brasileiro usa muito o LinkedIn. Ele produz, comenta, compartilha”, diz Beck. “Aqui, a plataforma realmente virou parte da rotina profissional.”

A principal lição dos bastidores do LinkedIn talvez seja a de que a plataforma não foi desenhada para atalhos. Ela favorece consistência, clareza de propósito e contribuição real. O algoritmo amplifica comportamentos, bons ou ruins, mas não os cria.

Em um ambiente em que todos querem visibilidade, o LinkedIn segue apostando em algo menos óbvio: reputação construída no longo prazo. “Não existe prompt que resolva isso sozinho”, resume Beck. “No fim, o que sustenta uma carreira ainda é o que a pessoa entrega ao longo do tempo.”

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