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Indústria de semicondutores acelera com IA generativa e mira novo ciclo histórico em 2025

A indústria global de semicondutores entra em 2025 sustentada por um ritmo de crescimento que reposiciona o setor como um dos principais motores da economia digital. Após um desempenho robusto em 2024, com expansão próxima de 19% e faturamento estimado em US$ 627 bilhões, a expectativa é de um novo recorde no próximo ano, quando […]

Publicado: 05/03/2026 às 07:56
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4 minutos
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Construção civil — Foto: Reprodução

A indústria global de semicondutores entra em 2025 sustentada por um ritmo de crescimento que reposiciona o setor como um dos principais motores da economia digital. Após um desempenho robusto em 2024, com expansão próxima de 19% e faturamento estimado em US$ 627 bilhões, a expectativa é de um novo recorde no próximo ano, quando as vendas devem alcançar cerca de US$ 697 bilhões. O avanço consolida a trajetória rumo à marca simbólica de US$ 1 trilhão em receitas até o fim da década.

Segundo o Deloitte Center for Technology, o principal vetor dessa expansão continua sendo a inteligência artificial generativa (GenAI). Chips voltados para esse tipo de aplicação, que incluem aceleradores, GPUs, CPUs especializadas, memórias avançadas e componentes de comunicação, já representam uma fatia relevante do mercado.

Em 2024, esse segmento respondeu por mais de um quinto da receita total da indústria, superando previsões iniciais. Para 2025, a estimativa é de que o mercado de chips para IA generativa ultrapasse US$ 150 bilhões, refletindo a corrida global por capacidade computacional em larga escala.

Leia também: MP do Redata entra na reta final e setor pressiona Congresso por aprovação ainda em 2025

Esse movimento também se reflete no mercado financeiro. As dez maiores fabricantes globais de semicondutores somavam, no fim de 2024, uma capitalização de mercado próxima a US$ 6,5 trilhões, quase o dobro do registrado um ano antes. Ainda assim, o desempenho não é homogêneo. Empresas diretamente expostas à cadeia de IA generativa avançam mais rapidamente, enquanto fabricantes focadas em segmentos tradicionais, como automotivo, PCs convencionais e smartphones, enfrentam crescimento mais moderado.

Demandas em alta

Do ponto de vista de demanda, PCs e smartphones seguem relevantes, ainda que em um novo patamar. As vendas globais de computadores pessoais, que ficaram estáveis em torno de 262 milhões de unidades nos últimos dois anos, devem crescer mais de 4% em 2025. Já os smartphones avançam em ritmo mais lento, com crescimento de um dígito, mas ainda representam um volume anual superior a 1,2 bilhão de aparelhos.

A diferença agora está na incorporação de capacidades de IA embarcada, com destaque para os chamados AI PCs, equipados com unidades de processamento neural (NPUs), que devem representar cerca de metade das vendas de PCs em 2025.

Apesar do crescimento expressivo em receita, a indústria convive com uma assimetria estrutural. Chips de IA generativa são altamente sofisticados e caros, mas representam uma parcela mínima do volume total produzido em wafers. Em 2023, quase um trilhão de chips foram vendidos globalmente, com preço médio inferior a um dólar por unidade. Já os chips de IA, embora concentrem grande parte do valor, ocupam menos de 1% da produção física. Esse descompasso ajuda a explicar por que, mesmo com aumento de faturamento, o uso da capacidade fabril nem sempre acompanha o mesmo ritmo.

Outro ponto crítico é o aumento dos custos de inovação. Os investimentos em pesquisa e desenvolvimento vêm crescendo mais rápido do que a rentabilidade operacional do setor. Em menos de uma década, a fatia do EBIT destinada a P&D ultrapassou a marca de 50%, refletindo a complexidade crescente dos projetos, a corrida por eficiência energética e o avanço de arquiteturas como chiplets, empacotamento avançado e sistemas heterogêneos.

Pressões externas

Além dos desafios tecnológicos, o setor enfrenta pressões externas cada vez mais intensas. Tensões geopolíticas, restrições comerciais, políticas de subsídios nacionais e eventos climáticos extremos passaram a influenciar diretamente as cadeias globais de suprimentos. A concentração da produção em determinadas regiões e a dependência de materiais críticos ampliam os riscos, ao mesmo tempo em que impulsionam estratégias de reshoring, friendshoring e diversificação de fornecedores.

Por fim, a escassez de talentos segue como um dos gargalos estruturais mais relevantes. A indústria precisará incorporar centenas de milhares de profissionais qualificados até o fim da década, em áreas que vão do design de chips à manufatura avançada. Embora a própria IA seja vista como parte da solução, o desafio de formação, atração e retenção de talentos permanece no centro da agenda estratégica das empresas do setor.

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