A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta quinta-feira (18) um projeto de lei que promete acelerar a concessão de licenças federais para a construção de infraestrutura essencial à inteligência artificial (IA). Conhecida como SPEED Act, a proposta mira principalmente data centers, redes de transmissão de energia e outros ativos considerados críticos para sustentar […]
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta quinta-feira (18) um projeto de lei que promete acelerar a concessão de licenças federais para a construção de infraestrutura essencial à inteligência artificial (IA). Conhecida como SPEED Act, a proposta mira principalmente data centers, redes de transmissão de energia e outros ativos considerados críticos para sustentar a expansão acelerada da computação de alto desempenho no país.
O texto foi aprovado por 221 votos a 196 e segue agora para o Senado, onde deve integrar um debate mais amplo sobre a modernização das regras de licenciamento ambiental e de obras federais. A votação ocorreu após dias de tensão política, incluindo resistências internas no Partido Republicano e críticas de parlamentares democratas, especialmente em relação aos impactos sobre projetos de energia renovável.
Segundo a CNBC, o principal objetivo da SPEED Act é reformar a aplicação da Lei Nacional de Política Ambiental (NEPA), em vigor desde 1969, que exige análises detalhadas de impacto ambiental para grandes projetos. Na prática, o projeto reduz prazos para essas avaliações, limita o tempo para questionamentos judiciais e busca dar mais previsibilidade ao cronograma de obras consideradas estratégicas para o país.
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A iniciativa conta com apoio explícito de grandes empresas de tecnologia e da indústria de semicondutores, como OpenAI, Microsoft e Micron. Para esses grupos, a lentidão no licenciamento tem se tornado um gargalo relevante diante da explosão da demanda por capacidade computacional, impulsionada por modelos de IA cada vez maiores e mais intensivos em energia.
Defensores do projeto argumentam que a questão extrapola o campo econômico e entra no debate geopolítico. Com China, União Europeia e outros países investindo pesado em infraestrutura digital, parlamentares favoráveis ao texto afirmam que os Estados Unidos precisam reagir rapidamente para não perder competitividade em um setor visto como estratégico tanto para aplicações civis quanto militares.
Além de acelerar os processos, a SPEED Act reduz de seis anos para 150 dias o prazo para a abertura de ações judiciais relacionadas a licenças ambientais concedidas com base na NEPA. A mudança é apresentada como uma forma de reduzir incertezas legais que frequentemente atrasam ou inviabilizam projetos de grande escala, incluindo data centers e linhas de transmissão.
O debate sobre licenciamento ganhou força nos últimos meses à medida que a expansão dos data centers passou a pressionar a infraestrutura elétrica norte-americana. O crescimento do consumo energético associado à IA reacendeu discussões sobre capacidade de geração, resiliência das redes e necessidade de novos investimentos, especialmente em regiões que concentram grandes polos tecnológicos.
Apesar do discurso de modernização, a proposta enfrentou resistência significativa entre democratas. Parte da oposição argumenta que o texto foi alterado para proteger decisões recentes do presidente Donald Trump que dificultaram ou bloquearam projetos de energia renovável, como parques eólicos offshore. Para esses parlamentares, o projeto corre o risco de institucionalizar um modelo de licenciamento que favorece determinados tipos de infraestrutura em detrimento da transição energética.
Mesmo assim, o tema do licenciamento tem mostrado potencial de apoio bipartidário em outros contextos, especialmente quando envolve projetos de energia limpa. A diferença, neste caso, está na combinação entre infraestrutura de IA, segurança nacional e disputas políticas mais amplas sobre o papel do governo federal na aprovação de grandes obras.
No Senado, a expectativa é de que o texto passe por ajustes e negociações antes de qualquer votação final. Parlamentares de ambos os partidos já sinalizaram interesse em discutir uma versão mais ampla e consensual de reforma do licenciamento, que contemple tanto as demandas da indústria de tecnologia quanto preocupações ambientais e energéticas.
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