CEO Siemens Enterprise Communications, Armando Alvarenga, relata os planos da companhia após o spin-off
IWB – Apesar de ainda ser incipiente, vocês já identificaram setores que têm procurado mais soluções de comunicação unificada?
Alvarenga – Sim, alguns segmentos em serviços, principalmente varejo e seguradoras.
IWB – Por que estes setores?
Alvarenga – Pela própria característica de pulverização. Os
profissionais de companhias destes segmentos estão em campo ou em
deslocamento, então, acaba sendo natural o interesse.
IWB – Qual é a maior demanda da companhia hoje?
Alvarenga – Serviços gerenciados. Este é um mercado que tem aumentado
muito. Para você ter uma idéia, no ano passado, crescemos 30% só com
serviços gerenciados. Reforçamos muito esta área e hoje temos um centro
de gerenciamento de rede e de segurança.
IWB – A parte de serviços tem enfrentado dificuldades, tanto nacionais
como internacionais. Como você compete em um mercado tão acirrado como
este?
Alvarenga – Você só consegue competir se tiver escala, recursos
técnicos, alta capacitação e capilaridade. O fato de a Siemens
Enterprise estar em diversas cidades do Brasil faz com que tenha
condições de gerenciar e operar a rede onde o cliente esteja.
IWB – Como foi a separação das duas empresas – Siemens e Siemens Enterprise Communications?
Alvarenga – Hoje, a SEC é parte do Grupo Siemens, porém, como entidade
legal separada e processos independentes e com foco em soluções IP. A
separação em termos de entidade legal ocorreu entre meados de junho e
começo de outubro de 2006. Este foi o período no qual reformulamos ou
criamos atividades, funções e áreas que compartilhávamos com a Siemens,
desde jurídico, tributário, fiscal, comunicação e marketing. A unidade
de negócios em si passou por poucas mudanças porque os produtos e
serviços continuariam iguais aos de quando éramos uma unidade de
negócios. Junto com isso, fizemos a migração de sistemas e ferramentas
que tinham de estar no ar em outubro de 2006.
IWB – Como foi a criação dessas áreas de back office?
Alvarenga – Como passamos a nos alinhar com a SEC global, muitos
processos adotados por ela foram replicados aqui. Mas foi uma
força-tarefa porque desenhamos tudo o que seria necessário para que a
empresa estivesse rodando de maneira independente em outubro daquele
ano.
IWB – Nesse processo, como ficou a fábrica de Curitiba?
Alvarenga – Estudamos bem o caso porque não podíamos perder os
benefícios fiscais que já tínhamos conquistado e para que continuasse
exportando. Então houve a necessidade de se regulamentar e deixar a
fábrica totalmente de acordo com a legislação. Foi um trabalho hercúleo
na época para conseguirmos fazer em tempo.
IWB – A fábrica ficou sendo da SEC?
Alvarenga – Sim, com a separação, ela ficou sendo uma fábrica exclusiva
nossa. Hoje, ela produz não só para a SEC, mas também para outras
empresas da própria Siemens como telefones com e sem fio e celulares.
IWB – Como vocês sentem a relação do governo para se conseguir, no Brasil, uma maior competitividade?
Alvarenga – O que eu vejo é que o governo agora está tomando
iniciativas não só voltadas ao mercado interno, mas também com vistas à
competitividade internacional. E, aí, temos grandes oportunidades,
especialmente para o software. Ainda existem passos a tomar com relação
à mão-de-obra. Nós temos problemas deste tipo no caso de segmentos
muito especializados. A mão-de-obra existe, mas ela é escassa, então,
acabamos pagando mais caro. Pela demanda que o mercado possui, se
houvesse uma política de formação, o mercado teria como absorver isso
facilmente.
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