Crescimento do uso de serviços de banda larga fará com que a faixa atual do 3G esgote sua capacidade em três anos, segundo a fabricante
A implantação das redes de 3G no Brasil mal começou e a Nokia Siemens já acredita no esgotamento do espectro disponível para a tecnologia nos próximos três anos por conta da alta demanda. Isso levaria à adoção do Long Term Evolution (LTE), já entre 2010 e 2011.
Segundo pesquisa da fabricante, o tráfego móvel no País deve crescer a uma taxa de 90% ao ano até 2013, atingindo 1,7 Gbps até lá. Enquanto 2008 deve encerrar com 3,5 milhões de usuários da 3G, 2013 deve somar 100 milhões tanto em 3G quanto em 4G. Outros 100 milhões devem continuar no 2G. Para agüentar todo este crescimento, as operadoras terão que desembolsar R$ 9 bilhões nos próximos cinco anos evoluindo suas redes. O retorno previsto, no entanto, é interessante: um faturamento previsto em R$ 36 bilhões.
Para a Cisco, o tráfego de dados móveis, na América Latina deve dobrar a cada ano até 2012, partindo de zero ao mês em 2006, para 271 petabytes (um milhão de gigabytes).
“Nos próximos três anos, serão necessárias a introdução de tecnologias mais eficientes no uso do espectro disponível, e uma participação do mercado para discutir as faixas disponíveis”, pontuou Wilson Cardoso, diretor de soluções para a América Latina da Nokia Siemens. Apesar de pertencer à mesma família da 3G, o LTE demanda uma nova faixa de freqüência para operar, a de 2,6 GHz, que precisa ser leiloada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). “Este é o espectro mais valioso que existe hoje em dia”, destacou Mário Baumgarten, diretor de assuntos corporativos da empresa.
Por conta disso, Jean-Pierre Bienaimé, chairman do UMTS Fórum, acredita que ela deve estar no foco dos reguladores brasileiros. “É importante que o espectro não seja entregue tão cedo para outras tecnologias, como o WiMAX”, disse. A banda de 2,6 GHz foi reservada para tecnologias móveis IMT-2000 durante a World Radiocommunication Conference 2000 (WRC2000).
Em 2008, a Nokia Siemens projeta um crescimento de 20% na América Latina. Para 2009, Armando Almeida, presidente da empresa para a região, acredita que ainda é muito cedo para afirmar, por conta das incertezas da economia mundial.