Executivos apontam o celular como a plataforma ideal, que, segundo Marco Aurélio, da Qualcomm, nasce como triple play
Investimentos para a construção de infra-estrutura de redes e a expansão da banda larga representam os maiores desafios da competição em um mundo convergente, na perspectiva de presidentes de operadoras e fornecedoras para o mercado de telecomunicações. Para João Cox, presidente da Claro, a primeira discussão que o setor deve fazer é sobre a separação do que é convergente daquilo que é conveniente para os clientes, como contas conjuntas de produtos diferentes. “Convergência é acessar diferentes mídias e serviços com a mobilidade necessária”, esclareceu.
Diante disso, Cox classificou o celular como a plataforma ideal, opinião compartilhada por Marco Aurélio Rodrigues, da Qualcomm. “Os acessos da banda larga móvel serão maiores que os da banda larga fixa. O celular já nasceu triple play”, defendeu Rodrigues, explicando que a rede 3G para tornar isto realidade será expandida em 2009, cobrindo, dentro de três a cinco anos, todo o território nacional.
Colocar o máximo de funções possíveis nos aparelhos e aproveitar a mesma infra-estrutura prestar mais serviços e, assim, ganhar escala: na opinião do presidente da Vivo, Roberto Lima, estes são questionamentos que as empresas precisam fazer. “Se eu fizer isto, o cliente será mais fiel? Com mais serviços vou conseguir aumentar o ARPU?”, indagou. O ponto de Lima está relacionado aos riscos frente aos benefícios que as operadoras correm ao se tornarem “polivalentes”.
Outro aspecto da convergência é a mudança no modelo da competição, que passará a ter uma única rede suportando tudo. “O dono da rede não necessariamente precisa ofertar todos os serviços. O que se altera é o modelo de sustentabilidade. Quem sabe no ano que vem não teremos um player que não investiu R$ 1 em rede”, projeta Pedro Ripper, presidente da Cisco no Brasil.
Lima lembrou o que aconteceu com o mercado de cartão de crédito – que se uniu para otimizar estrutura e investimentos – para chamar as operadoras para o compartilhamento da rede. “A exemplo dos ATMs isto não vai inibir a competição.”
Luiz Eduardo Falco, pontua que o grande desafio é a implementação das redes de dados. “As empresas são privadas, então, o modelo de negócio tem de ser rentável e sustentável”, afirmou. A velocidade da implantação depende, segundo ele, da facilidade do processo. “As redes são estreitas e de voz, elas estão ficando saturadas.”
Tributação
Os presidentes das telcos aproveitaram o painel para questionar a tributação do setor. “Banda larga móvel tem tributação diferente da banda larga fixa”, levantou Cox, apontando que ambas deveriam ser semelhantes. “É preciso reduzir o IPI dos equipamentos e eliminar os problemas com as taxas estaduais.”
Lima sugeriu que o governo repense as alíquotas da banda larga. “É compreensível que o governo não queira diminuir a arrecadação, mas a verba da banda larga ainda é incipiente, não representa muito no orçamento. Ele não conta com esta verba”, sinalizou.
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