Crise econômica e valorização do dólar prejudicaram venda de aparelhos celulares
O Natal de 2008 ficou entre 17% e 20% abaixo do que estimava a indústria de telefonia celular brasileira. Segundo dados preliminares coletados pela Gazeta Mercantil junto a operadoras, fabricantes de aparelhos e varejistas, foram comercializados em dezembro cerca de 5 milhões a 6 milhões de aparelhos celulares, embora o vigor das vendas ao longo do ano levasse à previsão de um período pré-natalino mais forte, com pelo menos 8 milhões de aparelhos vendidos.
Os doze meses do ano deveriam totalizar, se não tivesse ocorrido a crise financeira mundial e a conseqüente alta do dólar em setembro, de 48 a 51 milhões de unidades vendidas no País.
O último trimestre é dono, tradicionalmente, de uma parte considerável das vendas, de 30%, enquanto os demais ficam com fatias de 18% (janeiro a março), 28% (abril a junho) e 24% (julho a setembro), tudo vinculado às comemorações de Dia das Mães, Namorados e Pais, cabendo ao Natal a principal confluência entre vendas e promoções das companhias celulares.
A Casas Bahia, uma das varejistas mais importantes na venda de aparelhos móveis, registrou 600 mil celulares comercializados em dezembro do ano passado, um total 11% superior aos 540 mil vendidos em dezembro de 2007, mas 8 a 9 pontos porcentuais abaixo do crescimento que havia sido previsto.
A Casas Bahia demonstrou uma evolução gradativa nas vendas ao longo do ano, com 270 mil comercializações em janeiro, 400 mil nos meses do meio do ano e 600 mil ao final, em dezembro. Ficou evidente, portanto, que a crise financeira não sustou o crescimento, apenas interferiu de forma a minimizá-lo.
No ano passado, a Casas Bahia vendera 3,6 milhões de telefones de janeiro a dezembro, e em 2008, nos doze meses, o total de vendas foi de 4,2 milhões, levando a uma expansão de 17% no final.
Dona de perto de 10% das vendas totais de aparelhos celulares do mercado, a Casas Bahia indica o comportamento médio do segmento de varejo de telefones celulares.
As varejistas vendem os aparelhos comprados pelas operadoras diretamente dos fabricantes, entre os quais Motorola, Sony Ericsson, Nokia, LG e Samsung.
Do total, 90% referem-se ao sistema pré-pago e inclui as três grandes operadoras que subsidiam aparelhos – Vivo, TIM e Claro. A BrT foi adquirida pela Oi e esta não estimula a venda de celulares, e sim de chips.
A grande parte do mercado de celulares está em mãos dos grandes hipermercados, magazines e lojas de departamentos, entre os quais Carrefour e Ponto Frio, além da Casas Bahia. Eles respondem por 90% da comercialização dos aparelhos, somados às lojas próprias das operadoras.