Analistas dizem que captação irá testar mercado financeiro, que começou o ano em marcha lenta
A Oi pretende emitir até R$ 3 bilhões em debêntures simples não-conversíveis em ações. O primeiro passo dado para permitir a operação foi a convocação da assembléia geral extraordinária para 23 deste mês.
A emissão faz parte dos planos anunciados quinta-feira (05/03) com a divulgação do balanço financeiro, de captar este ano em torno de R$ 4,5 bilhões para fazer frente às necessidades de caixa, conforme o diretor financeiro e de relações com o mercado, Alex Zornig.
Procurada, a operadora negou-se a fornecer mais detalhes. Sabe-se que no ano passado foram captados pela Oi, apenas para viabilizar a compra da Brasil Telecom, R$ 9,9 bilhões em três operações.
A menor e mais recente das três ocorreu em 27 de novembro de 2008 no valor de R$ 2 bilhões em notas promissórias. O prazo também foi o mais reduzido dos três – 360 dias -, ao custo mais elevado, de CDI + 3% ao ano.
Antes dessa, e também antes de a crise financeira mundial atingir seu nível mais agudo, a Oi foi a mercado em 15 de agosto captar R$ 3,6 bilhões em notas promissórias. Neste caso o prazo obtido foi mais estendido, de dois anos, e o custo bem mais baixo – CDI mais 1,60% ao ano.
A primeira captação do ano foi também a mais elevada, de R$ 4,5 bilhões, ao custo mais baixo, de CDI mais 1,30% ao ano, com prazo de oito anos e carência de dois anos para pagamento do principal.
A captação a ser aprovada dia 23 tem duas séries: a primeira com vencimento em maio de 2011 e a segunda, em abril de 2012.
Na opinião de analistas, a emissão da Oi/Telemar deve testar o mercado de capitais, que começou o ano em marcha lenta. Nos dois primeiros meses de 2009, foram realizadas apenas duas operações de debêntures, que somaram R$ 820 milhões – menos da metade, portanto, do valor que a operadora de telefonia pretende captar logo mais.
Com o agravamento da chamada aversão ao risco, os investidores têm evitado ao máximo se expor aos títulos emitidos por empresas, ou exigem rentabilidades mais elevadas para ficar com os papéis. A Oi/Telemar, porém, não deve enfrentar problemas de demanda. “Os bancos responsáveis por coordenar a oferta costumam oferecer garantia firme”, diz um analista.