Analista do Yankee Group observa que os provedores de banda larga mantêm foco exclusivo na competição da velocidade do download
Cerca de 79% dos usuários de comunidades on-line geram tráfego alto na rede de internet porque trocam arquivos. O maior porcentual é de downloads (baixar arquivos), mas 39% do universo pesquisado têm o hábito frequente de também enviar arquivos (upload). As aplicações chamadas peer to peer, como as do site YouTube, em que se postam vídeos para outros acessarem, consomem banda mais elevada.
Apesar de a pesquisa do Yankee Group ter feito essa constatação por meio de entrevistas junto a 408 internautas brasileiros, o analista senior Júlio Puschel observa que os provedores de banda larga mantêm foco exclusivo na competição da velocidade do download, concentrando a oferta de produtos nesse interesse.
“Não se coloca em evidência qual é a capacidade para upload. E mesmo quando o consumidor tem banda comprada de 4 Mbps, por exemplo, conta para upload com menos da metade dela, ou 512 kbps a 1 Mbps.
Ou seja, é necessário que os prestadores possuam ofertas mais avançadas e específicas para atender também aos usuários mais exigentes, disse Puschel.
A fim de entender melhor esse mercado, e poder orientar os investimentos das operadoras telefônicas e de TV por assinatura, a empresa de pesquisa de capital americano formulou 58 perguntas a 408 usuários de internet do País, em janeiro de 2009, sobre a frequência e quais conteúdos na internet são mais ou menos acessados.
As conclusões incluíram que 85% dos usuários das comunidades on-line acessam os sites de casa; 53% o fazem do trabalho e pouco mais de 20% a partir de cyber cafés e lanhouses.
Quando se voltau às faixas de idade dos usuários, a pesquisa constatou que os adolescentes só utilizam a banda larga a partir de suas residências. Surpreendentemente, usuários com menos que 15 anos não frequentam lanhouses, provavelmente por conta de controle dos pais e por aspectos ligados à segurança.
O acesso a partir do trabalho tem a maior gama de variação entre faixas de idade. Cerca de 70% dos que têm 30 a 34 anos acessam a internet do trabalho.
Como era de se esperar, Orkut é a comunidade on-line mais acessada do País, com 95% de incidência entre os entrevistados. A segunda colocada é o YouTube, com 68%, igual ao Google. O site de mensagens instantâneas Live MSN foi o terceiro com 46%, enquanto as comunidades internacionais My Space e Facebook são acessadas por menos de 17% dos usuários brasileiros de comunicades on-line.
Comunicação unificada
É de se ressaltar que os usuários de comunidades on-line já estejam familiarizados com a comunicação unificada, utilizando indiscriminadamente email, telepresença, mensagens instantâneas e celular por internet (VoIP).
“E como a grande parte desses frequentadores de comunidades são jovens, é de se prever que o hábito será transferido ao desempenho dos mesmos no ambiente de trabalho”, afirmou Puschel.
Sites favoritos
Os sites mais frequentados são os de música (65%) e hobbies (50%), além dos relacionados ao trabalho dos usuários, que surgem em terceiro lugar, com 46%, mostrando que a tendência dos usuários comprarem ferramentas que complementam o trabalho é uma realidade no País.
Sites com informações sobre cinema e teatro têm o acesso de 42% dos pesquisados, enquanto turismo conta com 34%, jogos, 31%, bares e restaurantes, 28%, sites acadêmicos, 27%, empregos 26%; carros, 25%; celebridades, 24%; organizações sociais, 24%.
Frequência
A maior parte dos entrevistados (57%) acessa comunidades on-line diariamente, enquanto somente 7% o fazem uma vez por semana, o que pode indicar o quanto as comunidades on-line são potencialmente importantes para fins de entretenimento e ferramentas de trabalho.
Baseando-se na alta frequência de acesso, a inovação é praticamente obrigatória: as pessoas vão se cansar se não houverconstantes inovações.