Presidente da Aptel, Pedro Jatobá, diz que modelo depende de legislação, políticas de incentivo à indústria e diálogo
Desde que o assunto entrou em pauta, muitas pessoas e empresas se perguntam quando a internet via rede elétrica chegará de fato. Mas ainda há um grande caminho a ser percorrido. Um dos principais desafios está na definição de um modelo de negócio, como apontou o presidente da Associação de Empresa Proprietárias de Infraestrutura e de Sistemas Privados de Telecomunicações (Aptel), Pedro Jatobá, em evento sobre o tema em São Paulo.
“Tecnicamente não há barreiras, a tecnologia é aplicável à infraestrutura atual”, comenta Jatobá. “Mas falta modelo de negócio, que envolve políticas públicas, legislação e uma série de questões”, completa.
Para o executivo, o movimento que se vê no governo ainda é fraco e precisaria de diálogo maior com os envolvidos, além de uma política de incentivo à indústria nacional, de forma que sejam produzidos equipamentos no País. “O governo é o agente regulador, deveria criar algo para essa área. É preciso pensar política pública para migração tecnológica da rede elétrica”, afirma Jatobá.
Na mesma linha vai o presidente da Associação Brasileira de Pequenos Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrappit), Ricardo Lopes Sanchez. Ele defende o modelo e também concorda que o governo deveria ter participação mais eficaz. Além disso, Sanchez afirma que, quando se tornar realidade, a internet via rede elétrica será uma grande oportunidade de negócios para os pequenos provedores. “Em regiões onde não há outra infraestrutura disponível, pequenos provedores podem usar essa rede de forma combinada às necessidades principais da concessionária.”
Ambos acreditam que PLC não será a única solução para universalizar o acesso à internet no País e concordam que as tecnologias disponíveis irão se complementar. “Tem local onde a tecnologia agrega valor, em outros não”, diz Jatobá. Essa afirmação serve, por exemplo, para zonas rurais, como lembrou o executivo. Em locais afastados, a tecnologia pode funcionar, mas não seria a melhor solução perto de outras ofertas do mercado.
Longo prazo
Pelas experiências que estão em curso no País e também pelos discursos dos executivos, o que se vê é que a tecnologia PLC não é algo para o curto prazo e tampouco deve começar por grandes centros, onde a oferta de internet banda larga é mais farta. Existem testes no interior do Paraná, Maranhão e alguns negócios com provedores promovidos pela Eletronorte. No caso do Maranhão, por exemplo, a oferta é por meio de integração de tecnologias e acaba sendo um PLC indoor (quando a internet chega por um provedor tradicional e a distribuição interna é via PLC) “A migração tecnológica é de longo prazo, 10 anos”, conta Jatobá.
Parte dessa demora, além de estar ligada à ausência de uma política pública que incentive esse meio e também de agilidade na regulamentação por parte da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), se deve ao fato de, para se ter uma rede inteligente de fato, seria necessária a modernização de todo o sistema elétrico, o que incluiria a troca dos 60 milhões de medidores instalados em todo o Brasil.
Cada novo medidor estaria associado a um canal de comunicação. “O objetivo é fazer a medição mais eficiente e barata, além de tornar o sistema mais transparente”, afirma Jatobá. Esses medidores permitiriam que chegasse a internet via rede elétrica e possibilitaria a ampliação do portfólio de oferta das fornecedoras de energia, uma vez que elas poderiam vender por meio de diferentes formatos.
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