Em entrevista, Mark Zuckerberg reconhece que ferramenta não é corporativa e desafia desenvolvedores a criar aplicações para este segmento
Em sua primeira passagem pelo Brasil, Mark Zuckerberg, fundador e CEO do Facebook, ressaltou a importância do País para a companhia, falou sobre a questão da privacidade e deu a entender que o uso corporativo de redes sociais como a que ele criou depende do desenvolvimento de aplicativos que atraiam este segmento de usuários.
“Todos no mundo querem ficar conectados na medida do possível. Sabemos que existem outras redes e que 1,3 milhão de usuários é um começo (perto do Orkut)”, comenta Zuckerberg sobre o desempenho da rede no País. O fundador do Facebook lembrou, entretanto, que a quantidade de assinantes do serviço dobrou nos últimos três meses, o que seria um bom sinal.
Apesar desse crescimento no trimestre recente, ainda não está nos planos da rede social ter um escritório no Brasil. O Facebook possui atualmente mais de 250 milhões de assinantes e o número de usuários brasileiros ainda é uma pequena fração perto deste universo. E, para justificar uma representação por aqui, Zuckerberg pontua que são necessários milhões de pessoas dentro da rede.
Isso não significa, entretanto, que uma sede brasileira esteja totalmente descartada, uma vez que o norte-americano se mostra animado com o potencial existente no País. “O Brasil é um dos maiores países e por isto é muito importante para nós”, explica, acrescentando que há muito espaço para crescer.
Durante a entrevista concedida a alguns veículos de comunicação, nesta terça-feira (04/08), em São Paulo, onde a companhia realiza um evento para desenvolvedores, Zuckerberg mostrou que, para ampliar a participação em alguns países, a aposta é desenvolver aplicativos locais, como ocorreu na Turquia.
E esse mesmo movimento vale quando o assunto é uso de redes sociais em ambiente corporativo. “A necessidade de compartilhar informação é global. São pessoas de todas as idades, culturas e demografias”, arrisca, dizendo que nas empresas ocorre o mesmo. Zuckerberg reconhece que o Facebook não é uma ferramenta totalmente corporativa e diz que os desenvolvedores podem trabalhar para que ela ganhe espaço no segmento, produzindo aplicativos que atraiam esse público ou mesmo desperte o interesse das corporações.
Essa visão é interessante, uma vez que há um forte movimento de algumas companhias para aproveitar o potencial de comunicação e marketing que esses portais oferecem e, no mesmo caminho, de algumas redes sociais tentando mostrar que realmente podem fazer diferença no mundo empresarial. O próprio Twitter anunciou, na primeira semana de agosto, o lançamento de ferramentas para este segmento e diversas companhias já adotaram o serviço de microblog.
Privacidade
“As pessoas gostam de sentir que têm o controle da informação”, dispara o fundador do Facebook sobre a questão da privacidade na rede social. E ele afirma que tudo o que os usuários postam é de responsabilidade deles, dizendo ainda que o tema é extremamente importante dentro da empresa.
Ele foi questionado sobre até onde iria essa privacidade, uma vez que usuários poderiam se classificar como fã de determinado restaurante ou marca e isso ser usado para venda de um anúncio. Sem ver uma relação direta, afirmou: “nosso foco é dar controle total às pessoas sobre as informações.” O executivo disse ainda que as ferramentas de buscas sabem tudo sobre os usuários sem que eles tenham qualquer controle sobre a atividade.
E o futuro das redes sociais? “É mais gente, mais compartilhamento, mais aplicativos, mais tudo.”