Fabricantes e VARs estão descobrindo que entrar em contato com clientes via redes sociais tem gerado benefícios importantes
As mídias sociais estão ficando mais populares e ganhando espaço no
mundo dos canais. Fornecedores como Dell e IBM têm trabalhado rápido
para incorporar estratégias que envolvam mídias sociais, a fim de
facilitar a interação com parceiros e clientes. Os canais que não
começarem a prestar atenção às novas maneiras de se relacionar e
interagir com os clientes correm o risco de não sobreviver.
O Twitter e o Facebook são duas das redes sociais que mais crescem
na internet, segundo a Nielsen (equivalente ao Ibope nos Estados
Unidos). O Facebook, que registrou mais de 20 milhões de usuários nos
EUA em fevereiro de 2008, saltou para mais de 65,7 milhões de usuários
no mesmo período no ano seguinte. Em 16 de julho, o Facebook atingiu
250 milhões de usuários no mundo inteiro.
É também impressionante o crescimento do Twitter de 2008 a 2009. No
ano passado, o serviço de microblogging tinha 475 mil membros; em
fevereiro deste ano, esse número saltou para mais de 7 milhões, alta de
1382%.
Ainda que alguns canais vejam as redes sociais como algo exclusivo
para jovens, os números da Nielsen mostram o contrário. A empresa
descobriu que quase 42% da audiência do Twitter é composta por pessoas
entre 35 a 49 anos de idade.
Isso significa que os seus clientes estão usando redes sociais. Os
canais que forem rápidos para criar estratégias nesse ambiente têm
grande probabilidade de encontrar um público receptivo e, em grande
número, pronto para ser explorado comercialmente.
A Dell chega ao Twitter
Por mais que possam parecer misteriosas, as redes sociais trazem
benefícios para os fabricantes que insistem na tendência. É o caso da
Dell. A fabricante de PCs afirmou recentemente que gerou cerca US$ 3
milhões por meio de uma de suas contas no Twitter, serviço que utiliza
desde 2007.
A Dell utiliza o DellOutlet para divulgar ofertas especiais e cupons
de desconto. Com mais de 700 mil seguidores, a conta é uma das 75 mais
acessadas, segundo análise do TwitterCounter. De acordo com a Dell, o
tráfego de usuários para o DellOutlet gerou cerca de US$ 2 milhões em
vendas diretas e mais US$ 1 milhão em vendas indiretas de hardware, com
a conta no Twitter funcionando como uma porta de entrada para clientes.
A Dell aposta no Twitter para divulgar, em tempo real, as melhores
ofertas que cria, aponta Tyler Dikman, CEO da CoolTronics, canal da
Flórida, EUA. “Não me surpreendem os US$ 3 milhões em vendas [pelo
Twitter]. Eles estão atuando como empresas de outros setores, como
companhias aéreas, que apostam em ofertas relâmpago via Twitter”, disse
Dikman, que completou: “No total, US$ 3 milhões não é muito para a
Dell, mas mostra como a empresa está buscando outras maneiras de vender
seus produtos”.
A estratégia da fabricante pode mostrar o caminho para os canais que
querem ter benefícios com as redes sociais. Para Sandy Flynn,
vice-presidente de marketing da BMC Solutions, a utilização que a Dell
faz das redes sociais é interessante, mesmo que, por enquanto, seja
apenas com ofertas. “A BMC vende soluções e, por isso, estamos
empolgados em ver a Dell vendendo através do Twitter. Acreditamos que é
possível também dialogar com os clientes sobre soluções e esse diálogo
pode gerar benefícios para nós”.
Ainda que o Twitter esteja gerando negócios para a Dell, provedores
como a CoolTronics e a BMC não acreditam em retornos financeiros do
serviço de microblogging. Mas isso não significa que o serviço não
traga outros pontos positivos.
Kevin Carpenter, gerente da Netarx, provedor de soluções baseado em
Michigan, EUA, conta que está usando o Twitter como um complemento para
as estratégias tradicionais de marketing. Mas essa não era a ideia
original da empresa. “O nosso objetivo era usar o Twitter para gerar
leads, mas não gerou novas vendas. Ainda assim, quanto mais eu uso [o
Twitter], mas valor eu vejo”, resume Carpenter.
O executivo conta que criou uma linguagem diferente para a conta da
Netarx no Twitter e está se focando em divulgar serviços e tecnologias
específicas para aquela audiência. “Escrevo meus tweets para agradar as
pessoas que eu quero que me encontrem”, disse. Isso significa que, se a
Netarx está trabalhando em um encontro sobre sustentabilidade, os
tweets da empresa vão falar sobre o tema por algumas semanas.
“Eu começo falar sobre o tema no Twitter ou faço re-tweets de
potenciais clientes sobre o assunto. Até agora, já tive duas ou três
pessoas me procurando para falar os assuntos que eu discuti na rede.
Ainda não há resultados de negócios, mas o diálogo está começando”,
Carpenter.
Por mais que a movimentação esteja no começo, Carpenter destaca
outro benefício do serviço: a capacidade de ‘ouvir” as conversas em
tempo real.
Os canais que estão ativos nas redes sociais também conseguem uma
relação mais forte com os fornecedores. “Vejo sempre os blogs
corporativos, da Cisco, Sun, e tento entender o que é importante para
eles”, disse Bob Olwig, vice-presidente de desenvolvimento corporativo
da World Wide Technology. “O Twitter me dá a sensação de que a
informação a que tenho acesso está saindo do local mais nobre
possível”, complementa.
Novas ferramentas para novos mercados
A IBM está usando as redes sociais de várias maneiras para se
comunicar e atrair parceiros. A responsável por essa estratégia é Sandy
Carter, vice-presidente de marketing de SOA e WebSphere. Em vez de se
focar em uma única porta de entrada, a empresa usa a maior quantidade
possível de ferramentas para falar com os parceiros.
“Nossa estratégia para redes sociais começou com um blog para
compartilhar informação, ouvir os parceiros e abrir para discussões por
comentários. A partir daí, passamos a usar a iniciativa de jogos para
educar os canais”, conta Carter.
Os jogos corporativos envolvem o treinamento dos parceiros sobre
como usar a tecnologia para prestar de forma mais inteligente serviços
aos clientes e criar rede de entregas. Conforme os parceiros participam
com mais ênfase dos jogos, os resultados e os recordes são postados em
outras redes como Twitter e LinkedIn.
Para Carter, as redes sociais abrem caminho para que as pessoas
participem dos programas da empresa. Parceiros podem aprender algumas
lições com a experiência da IBM. “Nós usamos as redes sociais para
cortar gastos. Criamos uma página no Flickr para um evento e abrimos
para que parceiros subissem fotos – conseguimos 750 imagens no primeiro
dia. Aí, criamos um canal no YouTube para que fossem postados vídeos”,
acrescenta Carter.
Os vídeos não eram produzidos pela IBM e, para Carter, isso
significa um espaço importante para os parceiros mostrarem os motivos
por terem vindo ao evento e por trabalharem com a IBM. Conforme os
parceiros ficavam mais confortáveis com as mídias sociais, Carter e a
IBM passaram a oferecer a eles recursos de marketing que poderiam ser
gastos em eventos reais co-patrocinados ou virtuais.
Parceiros e redes sociais na prática
Como os fabricantes estão usando as mídias sociais para se
relacionar com os parceiros, era apenas uma questão de tempo até que os
canais começassem a investir nisso. Por enquanto, eles estão apostando
apenas em redes mais antigas como Facebook e LinkedIn, mas com o
crescimento de popularidade do Twitter, o serviço de microblogging
também começou a ser usado.
Para a maioria, contudo, usar as redes sociais como ferramenta de
negócios é um processo que leva tempo e demanda capacidade de criar
estratégias para o futuro.
“Estamos estudando redes sociais”, disse Jeremy Nelson, CEO da Friendly
Computer Services. “Eu comecei a usar o Facebook [meses atrás] e já
tenho amigos que são meus clientes. É fácil entrar em contato com
eles”, acrescenta. Para Nelson, o Facebook é interessante por agrupar
seus usuários por interesses. Ele conta que parceiros da Microsoft, por
exemplo, tendem a participar do grupo da empresa, o que facilita na
hora de colocar colegas em contato, assim como clientes potenciais.
Críticos apontam que o Facebook, no entanto, é muito informal para uso
de empresas. Mais do que discutir possíveis negócios, a rede social é
um local para usuários comuns. E isso é suficiente para que alguns
canais fujam da rede. “Não está claro, no Facebook, a diferença entre o
uso particular e o de negócios”, diz Olwig.
Já o LinkedIn fornece algumas oportunidades de negócios reais. Além
disso, pode ser usado também para recursos humanos e procura de
profissionais. “Estamos contratando via LinkedIn. A ferramenta ajuda a
encontrar a pessoa certa para a vaga exata”, diz Bali Singh,
vice-presidente de desenvolvimento de negócios da Zillion Technologies.