Para presidente da companhia, João Cox, redução no ganho por assinante se deve ao crescimento da base de pré-pagos
A operadora Claro divulgou nesta terça-feira (27/10) os resultados financeiros da companhia referentes ao terceiro trimestre de 2009. No período, a receita da empresa avançou 4,6%, em relação ao mesmo trimestre do ano passado, totalizando R$ 3,1 bilhões. Já o Ebitda, lucro antes de amortização, impostos e depreciação, da operadora registrou oscilação positiva de 0,8% na mesma comparação, atingindo R$ 678 milhões.
Por outro lado, o ARPU, que é o ganho que a operadora registra por assinante, sofreu redução de 10,1% quando comparado com o mesmo trimestre de 2008, ficando em R$ 23. “Quando se olha isoladamente, o ARPU de pós-pago está crescendo”, defende João Cox, presidente da companhia. De acordo com o executivo, a campanha para atrair clientes na modalidade pré-pago, conhecida na mídia como fale 1 ganhe 30, trouxe muitos novos usuários. E esse movimento, “baixa o ticket médio, mas cresce em número de assinantes.”
Em coletiva de imprensa para comentar os resultados da companhia, Cox falou sobre o conservadorismo que impera na empresa quando o assunto é balanço financeiro e disse que o modelo que a operadora adotou desde 2006, quando assumiu compromisso de liderar mercado com rentabilidade, é o de manter a estrutura simples. “Não tem mágica. É controlar custo, inovar, entregar para o cliente e respeitá-lo”, pontua.
Entre julho e setembro, a Claro adicionou 1,792 milhão de clientes à sua base, chegando a 42 milhões de assinantes no País. O fato é comemorado por Cox, que frisou que apenas “duas companhias no Brasil têm mais de 40 milhões de assinantes”, em referência à líder de mercado Vivo.
Sobre a concorrência, aliás, o executivo lembrou que vem reduzindo a distância para a líder, hoje em torno de 4%. “A compra da Telemig (pela Vivo) é o que sustenta essa diferença”, avisa Cox, ao apresentar um gráfico onde a distância para a primeira operadora móvel em share seria de apenas 0,7% sem a aquisição mencionada.
Estratégia
Em relação à queda do ARPU, o executivo explicou que a companhia trabalha forte para reverter a situação e tentar elevar o gasto por usuário mesmo entre usuários pré-pago. A ideia é levar a possibilidade de montar o plano de acordo com as necessidades, que já existe para assinantes da modalidade pós-paga, para clientes pré. “Queremos que os clientes possam escolher a Claro. Permitir que ele não tenha a obrigação de escolher determinado plano. Levaremos facilidade de montar o plano como quiser, como se fosse um lego.”
Além disso, a Claro tenta trabalhar o consumo de serviços de valor adicionado, como acesso a dados e envio de SMS, que tem um nível ainda bastante baixo no Brasil quando se comparada com outros países de economia similar, mesmo na América Latina.
Para 2010, Cox não revela valores, mas garante que investimentos serão superiores aos de 2009, com grande foco em ampliar acesso. “Quem tem 3G não tem como não investir em acesso, mesmo sem expandir a rede. Haverá investimento em voz também. O volume de tráfego da rede está subindo. Não colocaremos em risco a qualidade”, enfatiza.