Depois de queda na receita, em decorrência da crise, companhia não espera crescimento expressivo para 2010
Reflexo da crise econômica, a Qualcomm reportou no ano
fiscal 2009 (que compreende o período entre outubro/2008 e setembro/2009) um
faturamento menor que o registrado em 2008 – US$ 10,39 bilhões contra US$
11,10. E não tem expectativa de crescer muito em 2010. Em decorrência dos impactos dos
abalos financeiros nas empresas, a Qualcomm prevê receita entre US$ 10,3 bilhões
e US$ 10,5 bilhões para o próximo ano. “É reflexo da economia. Não acreditamos
que haja um crescimento muito rápido. A melhoria será gradativa”, explicou o presidente da Qualcomm América Latina e vice-presidente da Qualcomm Inc., Flávio Mansi.
A estratégia para angariar receitas contempla também os
países emergentes, quando a organização volta seus olhos para as chamadas novas
economias, como o Brasil, China e Índia. Neste sentido, Mansi espera que este
contingente de nações represente algo em torno de 40% da Qualcomm já no ano que
vem. O trabalho não será fácil. Apesar de a crise ter afetado estes países em
menor escala, as telecomunicações ainda não estão maduras. “Os dispositivos
vendidos costumam ser mais baratos que nos países desenvolvidos”, afirma o presidente da Qualcomm América Latina.
No Brasil, o foco para crescer está, principalmente, na
evolução das redes (rumo à HSPA+ e LTE), aumento de assinantes 3G (e também a
migração de 2G) e da oferta de celulares de terceira geração, consolidação da
banda larga móvel, além da expectativa de novas faixas de frequências (2,5 GHz
e 450MHz).
Em encontro com jornalistas na tarde desta quarta-feira
(25/11), executivos da Qualcomm reforçaram a aposta na América Latina. Entre as
justificativas, apontaram a enorme população e, sobretudo, o número de
assinantes de GSM que migrarão para WCDMA. “Será superior ao dos EUA. Índia,
Japão e China daqui a dois anos. E o Brasil terá 50% dos assinantes da região”,
destacou Mansi.
Há ainda um outro fator a ser considerado. Como sede da Copa
do Mundo e das Olimpíadas, o Brasil terá de investir e sua infraestrutura de
rede. Em outras palavras, é dizer que as operadoras precisarão se preparar para
o aumento da demanda por dados. A Qualcomm aponta um forte interesse das telcos
em HSPA+ e na evolução das redes 3G para LTE – a companhia projeta que testes
nesta tecnologia devem ocorrer já em 2010. Tudo isso impulsionado pelo
crescimento nas vendas de smartphones e modens de banda larga móvel.
Diversificação de portfólio
A América Latina é também a região de onde parte uma nova aposta
da Qualcomm: acordos com operadoras para uso da plataforma de serviços. No
total, a expectativa é lançar a solução em 18 países – por enquanto, o primeiro
acordo foi fechado no México com a América Móvil (para widgets) e o segundo no Brasil
com a TIM (para aplicativos). “Os primeiros acordos mundiais saem da AL”,
ressalta o presidente para América Latina .
Por trás destes contratos, a Qualcomm quer ajudar as
operadoras a prover serviços de valor agregado e, assim, incentivar a migração
de 3G para 3G. “Queremos apoiar as telcos para atrair clientes. Não vamos mudar
nosso foco, que continua sendo chips”, enfatizou Mansi.
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