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Análise: um passeio pelo Google Wave

Sistema combina e-mail, mensagens instantâneas, fóruns de discussão, wikis e ferramentas de compartilhamento para criar algo totalmente novo

Publicado: 10/05/2026 às 16:02
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8 minutos
Análise: um passeio pelo Google Wave
Construção civil — Foto: Reprodução

Para parafrasear Edwin Starr: Wave — para que serve?

A resposta: para um pouco de tudo.

Quase mais nada que o Google lançou gerou tanto interesse e tanta confusão quanto o Wave. Só para descrevê-lo já é necessário escolher bem as palavras – não é e-mail, não é um mensageiro instantâneo ou um sistema de web chat, não é um fórum de discussão, nem um sistema colaborativo de documentos, mas uma mistura de muitas funções e características de todos esses serviços.

“Experimental” é a palavra mais apropriada para descrever o Wave – tanto as partes positivas quanto as negativas. Mitch Wagner acredita que o Wave seja uma criação “conceito” do Google, uma poderosa mistura de tecnologias que logo deve acabar reformulada. A mais crucial delas seria o protocolo nativo do Wave que, em teoria, pode ser implementado por qualquer um que queira criar um cliente ou servidor para ele.

Nesse artigo, irei navegar pelo Wave e mostrar como ele incorpora os aspectos de vários serviços já familiares: e-mail, wikis, mensagens instantâneas, aplicativos de colaboração online e muito mais. Em alguns casos, ele se mostra um ótimo substituto para o item em questão; às vezes, não chega nem perto (e não porque a outra pessoa que você quer envolver no processo ainda não possui uma conta no Wave).

E-mail

Se o Wave já foi descrito como qualquer coisa, com certeza foi como um “super e-mail”, uma forma de colocar o conceito inbox/mensagem/discussão em um reino completamente novo. De muitas maneiras, o Wave realmente lembra um pouco alguns clientes de e-mail: com uma caixa de entrada e algumas pastas, e as mensagens lembram mensagens de e-mail, organizadas de acordo com o assunto.

Essas analogias ao design são, provavelmente, propositais. Muita gente encontra dificuldade para lidar com qualquer novidade que não apresente características em comum com o que elas já conhecem e estão acostumadas – e, se existe um ambiente que até o individuo menos “tecnológico” conhece, é um de e-mail (seja o Outlook ou até mesmo o Gmail). Outros já chegaram a comparar a plataforma com uma versão “bombada” do Microsoft Outlook/Lotus Notes, já que o Outlook traz muito mais do que apenas e-mail, como gerenciamento de contatos, calendário e agenda, bloco de notas, etc.

Como o acesso ao Wave é restrito a “convidados” – pelo menos atualmente – ele se torna um pouco mais seguro do que e-mail. As conversas só são possíveis entre pessoas conhecidas e confiáveis. O que não existe ainda é a sensação de que o Wave pode ser transitório – por exemplo, não é possível usar sua conta de e-mail já existente e usá-la no Wave. Mas talvez isso não seja ruim, já que isso mostra que existem diferenças entre os dois serviços e o Wave, nesse momento, não pretende ofuscar outros conceitos aceitados.

Pode ser que a ideia do Google seja justamente oferecer funcionalidades para API suficientes para que outras pessoas preencham esses espaços. Um aplicativo terceirizado, por exemplo, que permita que as pessoas sejam notificadas, automaticamente, via e-mail, quando houver qualquer modificação em uma conversa/discussão. Uma boa ideia, mas que já é padrão no Wave, especialmente nesse estágio inicial de evolução.

Fóruns de Discussão

Outro conceito bem comum que o Wave emula é o de um fórum de discussão ou um grupo USENET. Mas o fato é que todas as discussões dentro do Wave são moderadas de alguma forma: as pessoas só podem participar da conversa se forem convidadas. E também não basta apenas um navegador Web, a pessoa precisa ter uma conta no Wave.

O Wave leva para o conceito “fórum de discussão” o comando “playback”, algo que não está disponível e que traz novidades a muitos outros aspectos do uso do Wave. Com isso, você pode ver como as mensagens foram adicionadas, modificadas ou apagadas como se apertasse os botões “play / avançar / voltar” em um DVD. É uma maneira interessante de observar como um determinado assunto evoluiu com o passar do tempo e quais caminhos a conversa poderia ter tomado.

Infelizmente, outros aspectos comuns em fóruns de discussão simplesmente não existem; você não pode editar ou citar partes de mensagens, por exemplo. O mais próximo disso que se pode chegar é copiando e colando uma determinada mensagem em um novo “wave”.

Assim, mais uma vez, muito do que o Wave oferece é um pouco específico demais para sua atual versão para servir como um substituto de outros serviços. Mas, pelo que já vimos, o objetivo não é substituir essas coisas, mas apresentar maneiras que permitam que as pessoas se familiarizem com a forma como o Wave oferece esses serviços.

Wikis / Bloco de notas

Outro exemplo dessa funcionalidade analógica é a forma como um “wave” pode ser usado como um tipo de wiki. Não no sentido de que o Wave tenha o formato e o estilo de Wiki, mas de maneira mais geral, como um local de armazenamento de informações livres que podem ser atualizados rapidamente por todos os participantes.

O maior problema em usar o Wave como um Wiki é a ausência da possibilidade de se criar versões, como já conhecemos na “Wiki-lândia”. Eu já mencionei como a função “replay” funciona com as conversas, e ela tem a mesma função – com iguais limitações – quando lida com uma conversa que está sendo usada como armazenamento genérico de informações. Não existe a função “diff”, que pode ser encontrada até mesmo na mais rudimentar ferramenta de wiki. A única forma de contornar isso agora é usando ferramentas externas (por exemplo: um web site onde você possa recortar e colar para realizar um “diff” tipo UNIX nos textos em questão), mas isso vai contra o conceito inicial do uso do Wave, em que todas as ferramentas necessárias deveriam estar bem na sua frente.

Algo que o formato do Wave traz para o estilo de gerenciamento de informação Wiki é uma sensação herdada de organização das conversas sobre um determinado assunto. Qualquer um que queira participar de uma página de “conversa” sobre um artigo na Wikipedia entende, rapidamente, o quão difícil é seguir ou acompanhar as discussões, já que o formato dessas coisas é uma criação ad-hoc que não tem muito suporte do próprio software wiki. As discussões no Wave tomam seu formato nativo automaticamente, para que tanto os documentos quanto as discussões sejam consistentes.

O Wave também permite que arquivos multimídia (pelo menos, um conjunto das mídias mais comuns) sejam inseridos diretamente nas conversas. Isso permite que um grande leque de material seja incluído, não apenas texto e HTML. No entanto, alguns documentos podem não ser reconhecidos pelo Wave ou podem ser interpretados de forma estranha: um “clássico” documento Word 97-2003, por exemplo, aparece com o ícone certo, mas como DOCX ou um documento .ODF, que aparece como um arquivo .ZIP. Experimente antes de incorporar.

Mensagens instantâneas

Muita gente já tinha experiência de sobra no uso de mensageiros instantâneos muito antes de opções como o Google Talk sequer existirem, mas entre os antigos programas e opções como a função chat do Facebook, o conceito de mensagens instantâneas em browser se tornou um território familiar. O Wave não é um substituto para outros aplicativos de mensagem instantânea, como o AIM, mas uma opção paralela de conversas em tempo real.

Assim como em programas de mensagens instantâneas, as conversas no Wave são registradas conforme acontecem e o que a outra pessoa digita aparece em sua tela em tempo real. Mas, diferente dos outros programas, você não é obrigado a responder apenas à última coisa que a pessoa escreveu – ou melhor, você pode comentar, contextualizando, as mensagens anteriores sem perder o rumo da conversa em si. Se você e seus amigos têm o habito de falar sobre vários assuntos ao mesmo tempo, indo e voltando em conversas paralelas, o uso do Wave nesse tipo de conversa impõe uma certa ordem que seria impossível conseguir em qualquer outro cliente típico.

Leia também:

Google Wave: o que ele é verdade?

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