Empresas de todos os portes fornecem tecnologia e solução para tornar realidade projetos de “cidadania virtual”
Neste ano, o desfile das escolas de samba na Marquês de Sapucaí teve uma “madrinha” especial. Não era nenhuma artista famosa. A estrela, que estreou no Sambódromo, foi a rede Wi-Fi gratuita, com velocidade de 30 Mbps, capaz de manter até dois mil acessos simultâneos.
O projeto Sapucaí Digital aconteceu graças à parceria da Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia com as secretarias municipais de Turismo e de Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro. Ele faz parte do projeto Rio Estado Digital, programa do governo do Estado que oferece internet gratuita para a população.
Coordenado pelo Laboratório de Processamento de Sinais, Aplicações Inteligentes e Comunicações (Prosaico), da Uerj, o projeto contou com a participação da empresa Printscom, parceira de soluções da Motorola, contratada para execução dos serviços. Nos 800 metros da Sapucaí, havia oito transmissores Motomesh, da Motorola, transmitindo por intermédio de rádio o sinal de internet.
Esse é um exemplo típico da participação da iniciativa privada em um projeto de cidade digital. Empresas do segmento de TI, pela própria natureza do negócio em que estão envolvidas, são parceiras em vários pontos de um programa desse tipo, atuando muitas vezes como incentivadoras de iniciativas governamentais, além de fornecedoras da tecnologia a ser aplicada.
A IBM, por exemplo, é uma das grandes entusiastas do conceito de “cidades inteligentes”, uma outra tradução para o conceito de “cidades digitais”. Segundo Fernando Faria, gerente de novos negócios da IBM Brasil, são os serviços oferecidos pelo governo que transformam um determinado município ou região em “mais inteligente”.
A sinergia com a iniciativa privada pode ser feita a partir de diversos modelos, envolvendo também empresas de médio e pequeno portes. A contribuição tecnológica pode dar a base para uma solução de governo eletrônico. É o caso de Minas Gerais. “Um dos estruturadores do governo desse estado é o projeto de e-Gov”, explica Paulo Miranda, diretor de negócios da Brisa, desenvolvedora e integradora do projeto de web 2.0 chamado Espaços Virtuais de Participação da Sociedade. O objetivo, segundo ele, é aprimorar a governança eletrônica e aprofundar as relações entre o governo e a sociedade.
Também neste caso forma-se o tripé operacional: governo, iniciativa privada e universidade, representada pela Fundação Renato Azeredo (FRAminas), vinculada à Universidade Estadual de Minas Gerais.
O programa, ainda em fase de implementação, deve ter suas primeiras ações operacionais na internet no próximo mês. Nesse estágio, há cinco ações de participação: Gestão de Bacias Hidrográficas, Poupança Jovem, Projovem Trabalhador, Disseminação da Cultura Empreendedora e Destinos Turísticos Estratégicos.
Nas quatro primeiras, a abordagem básica é de redes sociais. Os públicos-alvo são comunidades envolvidas ou interessadas. Além de facilidades de comunicação em rede (chats, páginas personalizadas para os participantes cadastrados, etc), os recursos levam à criação de grupos de discussão, fóruns e blogs. Futuramente, ferramentas como feeds e twitter serão adicionadas, permitindo atualização e mensagens curtas em tempo real.
Leia mais: