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O futuro das cidades é digital

Projetos nas esferas municipal, estadual, federal e internacional delineiam o destino das regiões envolvidas

Publicado: 11/05/2026 às 05:04
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4 minutos
O futuro das cidades é digital
Construção civil — Foto: Reprodução

O Acre lançou no

início do mês passado (4 de fevereiro) o primeiro estágio da chamada Floresta Digital. Com um investimento de R$ 30 milhões,

feito pelo governo estadual, o projeto pretende levar internet

banda larga sem fio gratuitamente aos 22 municípios até o fim deste ano. O

desafio é combinar tecnologia Wi-Fi com área florestal, permitindo o acesso à

internet numa região de mais de 150 mil quilômetros quadrados, em sua quase

totalidade cobertos por mata virgem.

Por enquanto, a iniciativa é realidade apenas no perímetro urbano, numa

área de 80% da cidade de Rio Branco. Na avaliação do secretário da Fazenda Mâncio Cordeiro, durante o lançamento do projeto, a

estrutura permitirá a economia de R$ 1 milhão por mês no

custo de comunicação do Estado.

Até dezembro, está prevista a distribuição de 9 mil netbooks para a

população. Os beneficiados seriam os estudantes do terceiro ano do ensino médio.

Eles terão de devolver os equipamentos no final do curso.

Impactos

Floresta Digital é um dos muitos programas de digitalização que prometem

revolucionar a região em que serão aplicados nos próximos cinco anos. Ações desse

tipo envolvem a participação do governo, iniciativa privada, universidades, organizações não-governamentais

e outras comunidades organizadas, tornando a era dos provedores pagos coisa do

passado.

Deve-se avaliar com

bom senso cada uma das iniciativas, considerando sempre o universo onde ela

será aplicada. “Não se pode esperar o mesmo tipo de ação em um município com um

milhão de habitantes e em outro com cinco mil”, alerta Fabio Josgrilberg,

pesquisador de cidades digitais pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de

São Paulo (FAPESP). “A sociedade civil organizada deve ter participação em

possíveis comitês gestores ou conselhos de comunicação locais que possam

orientar as ações”. Segundo ele, cabe ao governo, especialmente no início,

servir de articulador e catalisador dessas iniciativas.

Olhando para o futuro,

observa-se que esses programas terão impacto até no turismo. A consultoria americana

DeviceScape mostra que a decisão dos turistas para escolher suas viagens começa

a levar a conta o acesso gratuito. Numa pesquisa realizada recentemente, 90%

das pessoas consideram a oferta de conexão sem fio na hora de decidir em que

hotel vão se hospedar e qual local visitar.

Os turistas mostram-se

exigentes: 93% querem gratuidade de acesso. Apenas 6% cogitam pagar pelo

acesso. Mesmo não pagando, a qualidade do serviço é considerada: 75% dos

pesquisados afirmam que não retornariam a um lugar com conexão ruim.

O impacto das redes

sem fio gratuitas será percebido até no mercado imobiliário. Na mesma pesquisa,

cerca de 72% das pessoas afirmam que teriam mais interesse em comprar um imóvel

ou abrir um negócio em regiões com acesso gratuito à internet.

O certo é que nenhum

governo (em âmbito municipal, estadual, federal ou internacional) pode ignorar

as demandas por conexões. Por essa razão, os países da União Europeia estabeleceram,

em novembro do ano passado, metas de governo eletrônico para 2015,

comprometendo-se a oferecer mais serviços eletrônicos para cidadãos e empresas.

A reunião da quinta

Cúpula Ministerial sobre Governo Eletrônico da União Européia, ocorrida em

Malmo (Suécia), tomou decisões que apontam para “serviços públicos mais

interativos”, na opinião de Siim Kallas, vice-presidente de Assuntos

Administrativos, Auditorias e Antifraude da Comissão Européia. Em meados deste

ano, deverá estar pronto documento para estabelecer metas para o uso de TIC na

região.

No Brasil, o governo

federal define o Plano Nacional de Banda Larga, em meio a críticas, por causa

da reativação da Telebrás. Há ainda divergência no investimento a ser feito.

A estimativa de custos

da Presidência é de até R$ 14 bilhões. Por outro lado, o Ministério das

Comunicações joga com o número de R$ 79 bilhões.

As consequências para

a economia e a sociedade serão decisivas, a partir das medidas que estão para

ser divulgadas. Em qualquer panorama, a Tecnologia da Informação precisa ser

usada para promover a cidadania, a transparência pública e eficiência dos

governos locais.

Leia mais:

Esta matéria faz parte de uma série de reportagens que o IT Web divulga ao longo de fevereiro sobre cidades digitais. Confira.

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