As telcos que desejam investir em negócios internacionais devem buscar modelo que se adapte às condições do país em questão
Com a premissa de identificar os melhores mercados para investimento de operadoras móveis virtuais, mesa redonda durante MVNO Summit em Barcelona (que reuniu cerca de 150 profissionais dos setores de telecomunicações, redes e tecnologia) alertou sobre a existência de dois panoramas opostos presentes no mercado mundial. O primeiro deles, realidade na Europa e nos Estados Unidos, envolve mercados saturados onde a tendência é segmentar a atuação para garantir lucros. No segundo, relativo a países da América Latina e do Oriente Médio, as companhias esperam regras a serem estabelecidas pelos órgãos reguladores para definir seu modelo de negócios.
“A Europa é um mercado estável e muitas estratégias são bem-sucedidas no continente. Mas, se a operadora local deseja trabalhar clientes na América do Sul ou Ásia, onde há oportunidades crescentes, não pode adotar as mesmas táticas aplicadas em sua experiência européia”, alerta Matthieu Joosten, diretor de gerenciamento de vendas para Bélgica e Países Baixos da KPN International, focada em soluções corporativas de comunicação.
Para Gurtaj Singh Padda, diretor-executivo e COO da Tune Talk, provedora de serviços móveis pré-pagos da Malásia, os mercados islâmicos são os mais difíceis de entrar. Por isso, apresentam uma demanda não atendida que pode representar lucros milionários à companhia que conseguir adaptar seu modelo de negócios. “Um conselho básico é atuar onde as grandes operadoras não atuam e buscar áreas onde elas colocam seu dinheiro”, resume o executivo, que continua: “cerca de 30% dos meus lucros vão para as operadoras e isso não me faz graça. Porém, necessito delas não somente pela sua infra-estrutura, mas também para ajudar minha empresa a abrir novos mercados”, justifica Padda.
Para o executivo, a Índia apresenta as principais oportunidades de negócios, devendo passar por um “boom” no que diz respeito a serviços móveis, nos próximos anos. Padda assegura que o país vai contabilizar cerca de 40 milhões de novos clientes para telefonia celular, neste ano. “Há gente que olha para o céu e vê estrelas. Eu vejo constelações. O mesmo acontece com a telefonia móvel: os pontos estao ai, basta encontrar a melhor forma de conectá-los”, relaciona o executivo. Ainda segundo Padda, a MVNO que deseja trabalhar países que sem regulamentação clara deve fazê-lo independente das regras. “Deve-se criar a melhor maneira de vender o serviço, mantendo o foco na necessidade de lucrar”, conclui o executivo.
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