Em artigo, Ricardo da Silva Ogliari fala sobre benefícios e problemas de cada um
Como resolver a dúvida entre o velho paradigma com uma massa enorme de aparelhos; ou o novo paradigma, que cresce sem parar, mas ainda não apresenta uma garantia de rentabilidade e base sólida? Estou falando da questão que envolve Java ME e Android.
A plataforma criada pela Sun Microsystems sempre teve como grande aliada a massificação dos telefones celulares, principalmente da finlandesa Nokia. Em 2009, existiam 4,6 bilhões de telefones celulares no mundo (Fonte: UIT e Wireless Intelligence). Destes, a grande maioria possui uma JVM (Java Virtual Machine). Porém, a principal fabricante desse tipo de aparelho, a Nokia, está em queda constante há vários meses. Segundo o Gartner, a participação de mercado da empresa caiu de 38,6% para 35% de 2008 para o primeiro trimestre de 2010.
Somado a isso, a venda de smartphones cresce vigorosamente. Em recente estudo, o Gartner informou que a venda desses dispositivos aumentou 50% em todo o mundo. Na grande maioria dos casos, os sistemas operacionais que equipam essa nova leva de plataformas são o iPhone, Android ou BlackBerry OS, sendo que o Java ME tem pouquíssimo espaço nesse mercado. E por que o Android? Simplesmente porque apresenta as maiores taxas de crescimento desde o ano passado. Segundo a mesma pesquisa citada, o SO da Google alcançou a marca de 10 milhões de unidades vendidas, superando em muito o número de 756 aparelhos do ano passado.
Nos EUA, por exemplo, as vendas de smartphones Android superou os da plataforma BlackBerry no segundo trimestre desse ano. Lembrando que o iPhone também já tinha sido batido em vendas no mesmo país. Todo esse cenário de números e estatísticas pode levar as empresas e programadores de serviços mobile a pensar: o foco é o Android, vamos investir nessa plataforma. Porém, onde fica toda a base já instalada de aparelhos java-enabled?
Existe outro dilema: as classes C, D e E, dominantes no Brasil, consomem na sua maioria aparelhos que possuem Java e não Android, iOS ou RIM. Em contrapartida, os maiores consumidores de aplicativos mobile e da internet móvel pertencem às classes A e B, mais suscetíveis à tríade apresentada há pouco.
Qual a resposta? Tudo vai depender do foco de seu serviço e de seu público alvo. Seu cliente exige que o seu aplicativo funcione na grande maioria dos dispositivos presentes no mercado hoje? Java ME. Seu cliente está pedindo um serviço de logística específico para uma empresa que possui apenas iPhone? Use o iOS. Seu cliente quer passar uma imagem de pioneirismo e está sempre atento ao mercado e seus números? Sugira o desenvolvimento para Android. Seu cliente quer um jogo específico para uma plataforma? Perfeito, você já teu seu mercado-alvo. Resumindo, não existe uma resposta mágica, não existe um padrão e uma plataforma a ser seguida ? tudo vai depender do que você estiver criando ou do que o seu cliente está exigindo.
*Ricardo da Silva Ogliari é analista de Sistemas Mobile da Navita
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