Empresas que pensam a longo prazo já trabalham com pilha dupla, mas a maioria dos gestores não tem a questão como prioridade
Com o esgotamento da reserva de endereços eletrônicos que trabalham com o antigo protocolo IPv4, algumas empresas viram justamente uma oportunidade de ganhar dinheiro. É o caso da provedora de infraestrutura de TI Alog Data Centers. “Investimos R$ 1 milhão para oferecer ao mercado uma solução completa para a migração para o IPv6”, diz Raphael Bittencourt, gerente de redes.
Cerca de 23 mil sites de pequenos negócios gerenciados pela Alog já trabalham em pilha dupla, suportando tanto o formato IPv4 como o IPv6. Há ainda um total de 150 projetos maiores, mantidos por companhias de médio e grande porte. Para esses clientes, a mudança experimentada é transparente.
Os administradores de rede precavidos, no entanto, estão mais tranquilos do que os demais. “Nas minhas estimativas, o momento crítico deve acontecer daqui a dois anos”, avalia Bittencourt.
No entanto, as previsões catastróficas para um 2012 apocalíptico não precisam ser levadas a sério. Toda a rede baseada no padrão IPV4 continua rodando normalmente. Por outro lado, projetos de grande porte que pressupõem alocação de vários endereços IPs podem ser impactados.
Âmbito internacional
Internacionalmente, até o começo de setembro, cerca de 94,5% dos endereços IPv4 possíveis já tinham sido ocupados, segundo dados da American Registry for Internet Numbers (ARIN), entidade responsável pela distribuição desse tipo de endereçamento nos Estados Unidos.
Como é costume do brasileiro, boa parte dos administradores de TI estão deixando o problema para a última hora. Ao contrário desse comportamento, nos Estados Unidos, por exemplo, setores altamente competitivos e informatizados já estão cuidando do problema.
Pesquisa divulgada neste mês pela Number Resource Organization (NRO), com cerca de 1.500 operadoras de rede, mostra que 84% delas já alocaram endereços IPv6 ou planejam fazê-lo em breve. O estudo apurou que somente 16% não tinham planos para a migração.
No Brasil, pesquisas sobre o assunto mostram que o tópico, no entanto, não aparece com alta prioridade nas decisões de alocação de verba na maioria das empresas (mesmo nas mais dependentes da internet). A perspectiva é de que o assunto seja tratado de maneira urgente quando os últimos endereços do modelo antigo estiverem se esgotando. Nesse caso, correr atrás do prejuízo vai custar, certamente mais caro.
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