Oracle enfrenta grandes concorrentes em Big Data com sua abordagem de empilhamento integrado
Apesar das óbvias diferenças em estilo, a co-presidente da Oracle, Safra Catz, e o CEO da Cisco, John Chambers, devem muito de seu sucesso às coisas que têm em comum: ambos são extremamente competitivos e definidos pela cultura das empresas que comandam. Catz, com sua sutileza, tanto intelectual quanto sarcástica, não sofre com os rivais inferiores. Chambers, o criador de consenso e colaborador, foi alvo de rumores sobre a possibilidade de partir para a política.
Ambos são peritos em não falar muito em público; e, justamente por isso, dizem mais do que se nota o olhar desatento. Para demonstrar seus estilos, vamos desconstruir o que cada um disse e a forma como disseram, em conversas separadas durante o evento Transformação da Tecnologia, da Wells Fargo, que aconteceu em São Francisco, Califórnia, no início desse mês.
O sarcasmo de Catz transparece em sua forma de falar. Enquanto Chambers demonstra sua competitividade de forma sutil, Catz não se preocupa em disfarçar. Até aqueles que sofrem os golpes admiram-se com sua habilidade de acertar o alvo, mesmo que às vezes sejam golpes baixos. Ela está sempre na ofensiva, um detalhe que percebi nas duas vezes que a vi testemunhar durante o julgamento Oracle-SAP, no ano passado.
Durante o evento da Wells Fargo, no entanto, Catz parecia mais tranqüila após excelentes resultados financeiros, mas suas farpas estavam afiadas; estava ainda mais sarcástica. Ela falou dos últimos anos como uma “caça ao tesouro”, conforme a Oracle, disse ela, continuava encontrando novas pérolas na aquisição da Sun. Por mais que tenha dito que seu negócio geral é direto, ela afirmou que ainda existe muita tecnologia na Sun que não se tornou produto. Ela não resistiu e soltou que “tagarelices não fazem o perfil da Oracle”, uma referencia clara ao ex-CEO da Sun, Jonathan Schwarts. “Blogs não são parte do trabalho na Oracle”, completou caso alguém não tivesse entendido a alfinetada anterior.
Mas a Oracle tem inimigos maiores para derrotar, especialmente em Big Data. Ao nomear sua ferramenta de banco de dados “Exadata”, é como se a Oracle dissesse, “deixamos os outros brincarem com alguns terabytes de dados. Nossos planos são muito maiores”. Os comentários afiados de Catz sobre Big Data foram direcionados à IBM e EMC. “A IBM comprar a Netezza quando está há séculos no negócio de hardware e bancos de dados deixou-me impressionada!”, exclamou.
Por mais que seja verdade, a Oracle tem centenas de milhares de clientes de bancos de dados, mas ainda estamos esperando para ver a implantação do Exadata em centenas de terabytes, imagine em petabytes ou exabytes. A verdade é que a Oracle (assim como a IBM e a EMC) teve de reagir quando a Teradata, a Netezza, a Greenplum e outras startups começaram a dominar o mercado de Big Data.
Eu não apostaria contra a Oracle, mas, por enquanto, a Teradata é a principal concorrente a ser vencida. A empresa está completamente focada em armazenamento de dados high-end, e tem uma longa lista de grandes clientes para comprovar isso, incluindo a Coca-Cola, eBay, Ford, Home Depot, Lloyds Banking Group, RBC Financial, Union Pacific, Verizon e Vodofone. Quando as empresas deixaram a Oracle, elas optaram pela Teradata, que encarou pouca concorrência até que a Netezza e a Greenplum surgiram.
Uma intensa batalha está se formando entre a Oracle, Teradata, IBM, EMC e, possivelmente, HP. “A Greenplum pode se concentrar em toda a carga de trabalho da Greenplum”, disse Catz. “O Exadata vai se concentrar na carga de trabalho da Oracle, que é muito maior.” Para melhor dimensão, ela completou dizendo que “só é bom se você quiser rodar com mais velocidade, gastando muito menos”. Por Deus, quem seria tolo de dizer não a uma coisa dessas?
Não seria um momento Oracle se Catz não aproveitasse para alfinetar a SAP. Ela o fez algumas vezes. Mas ela também zombou de si mesma, falando sobre o tão aguardado Fusion, a próxima geração da plataforma de aplicativos Oracle, que deverá substituir os aplicativos Oracle E-Business, PeopleSoft e JD Edwards, Catz insistiu que os consumidores troquem logo.
A Oracle vem testando demais a lealdade de seus consumidores. O ano que vem deve testar a frieza de Catz. Suas farpas ficarão ainda mais afiadas.
(Tradução: Rheni Victório| Revisão: Thaís Sabatini)
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