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A Crise e as mudanças no setor de informática

Inegavelmente os efeitos da crise financeira chegaram ao Brasil, seja pela sensação de incerteza que afeta nossas bolsas de valores ou seja pela cotação do dólar que voltou aos patamares de 2006, subindo quase 40% em poucas semanas. Além disso, mudanças importantes como a divisão da AMD em duas, uma possível reestruturação na Intel, o […]

Publicado: 12/05/2026 às 14:45
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A Crise e as mudanças no setor de informática
Construção civil — Foto: Reprodução

Inegavelmente os efeitos da crise financeira chegaram ao Brasil, seja pela sensação de incerteza que afeta nossas bolsas de valores ou seja pela cotação do dólar que voltou aos patamares de 2006, subindo quase 40% em poucas semanas. Além disso, mudanças importantes como a divisão da AMD em duas, uma possível reestruturação na Intel, o desaquecimento da indústria de informática como um todo (os americanos, especialmente seus bancos, são os maiores consumidores de tecnologia do planeta) podem, e provavelmente vão, afetar negativamente todo o setor. Aqui no Brasil, a restrição de crédito para financiamentos também vai afetar a competitividade dos produtos de massa, vendidos em lojas de varejo. É o fim do mundo? Não, mas é um ajuste econômico bastante profundo.

Um dos problemas graves dessa crise é que ela se iniciou na maior potência econômica do planeta, os EUA, em pleno processo sucessório presidencial. Nenhum dos representantes do governo atual que estão à frente da crise nesse momento permanecerá no cargo a partir de janeiro de 2009. Sem contar com a desastrosa administração Bush ao longo dos últimos oito anos, responsável pelo cerne da crise, os mercados não estão digerindo bem nenhuma das intervenções imediatistas do governo americano porque não sabem como serão as regras daqui a poucos meses, com o novo presidente e seja lá qual for.

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Há alguns dados relevantes aqui, sem querer teorizar muito nem dar uma de profeta econômico. Um deles é a cotação do dólar: Apesar do movimento altista das ultimas semanas, e que pode se prolongar por mais algumas semanas, o cenário para 2009 é a retomada da tendência de queda das cotações simplesmente porque a economia americana não vai bem, e sua moeda tende a sofrer depois que o ajuste econômico mundial se equilibrar. Hoje o dólar é o caminho de fuga dos capitais em todos os países do mundo, e é através dele que as grandes transferências de fluxos monetários mundiais se realizam. Passado esse momento de ajuste, não há porque considerar o dólar como uma reserva de valor para uma crise como essa.

Aqui no Brasil, infelizmente, a crise nos pegou perto do Natal e essa loucura cambial acertou em cheio os importadores que preparavam seus estoques para o ultimo trimestre de 2008. Lojistas e distribuidores provavelmente vão ficar sem produtos importados nas próximas semanas, e aqueles que tiveram a sorte de pagar suas importações antes da crise terão que ajustar seus preços pra cima para poder repor os estoques no futuro. Some isso ao cenário de incertezas, a falta de crédito e a falta de motivação do consumidor em consumir, e temos um quadro difícil para esse final de 2008.

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O desaquecimento da economia mundial, especialmente na indústria de informática, trás outro efeito para nosso cenário de médio prazo: a desaceleração da inovação, e a gradual redução dos preços médios (e da qualidade/performance) dos produtos. Se aquele notebook de 2 mil dólares (no mercado americano) ficou difícil de vender, vamos com um de 800 dólares mais simples e menos funcional. Até a Apple está indo nessa direção, seu próximo lançamento é justamente um notebook “mais barato”. Eu começo a suspeitar que a indústria de informática mundial começará a partir de 2009 a ter parâmetros de valores nos seus produtos muito mais baixos do que vimos até agora. Isso significa menores margens unitárias, produtos mais massificados, canais de vendas capazes de atingir grandes volumes com preços mais baixos, e uma gradativa redução na inovação tecnológica. Parodiando a Intel com seu ciclo “Tic Toc”, eu diria que vamos iniciar um ciclo de “Tic Tum Toc Tum”, esticando a vida comercial de produtos, tecnologias, processos produtivos, etc. Inegavelmente o mercado de informática mundial encolheu bastante, como já vinha encolhendo nos últimos 2 anos.

Saindo do cenário econômico para o setor de processadores, vimos essa semana uma notícia já bastante antecipada: a divisão da AMD em duas empresas. Essa estratégia conhecida comoou “poucos ativos” pode ser traduzida por “sem fábricas” (Fabless). E a razão é muito simples: A debilitada capacidade de investimentos da AMD em função dos seus prejuízos e dívidas acumuladas não é suficiente para manter ativas fábricas que custam alguns bilhões em renovação a cada ciclo de 3 anos.

Resumindo, a AMD que agora só “desenvolve produtos” recebeu cerca de 1 bilhão de dólares e se livrou de 1.2 bilhões de dívidas (de 5.2 bilhões a pagar, agora só tem compromisso com 4 bilhões, praticamente o dobro de seu valor de mercado) em troca desse agrado entregou para os árabes todas as suas fábricas e todos os créditos fiscais relativos a elas. Traduzindo, a , empresa de investimentos árabe que já havia comprado 8% da AMD há um tempo atrás, antecipou em cash para a AMD créditos fiscais (só para a nova fábrica de Nova Yorkhavia mais de 1 bilhão em créditos) com o compromisso de construir e operar tais fábricas, e assumiu parte da dívida da AMD em troca de um aumento na participação societária na AMD “desenvolvedora”, que agora chega a 19%. O grande investimento dos árabes será na construção da nova fábrica e na renovação das antigas, e nisso a AMD não participa no curto prazo.

Os árabes, através da Mubadala, dividem com a AMD a participação acionária na nova empresa que possui as fábricas, mas detêm seu controle do capital e operacional. Eu acredito que a partir de 2010 gradativamente a Mubadala vai trocar suas posições societárias na AMD “desenvolvedora” pela maior participação na “de fabricação”, visto que os investimentos necessários são grandes e seu sócio, AMD, não tem capacidade financeira para isso. Mas é cedo para especular, pra todos os efeitos a AMD não tem mais fábricas, mas também não tem mais compromissos financeiros com elas.

Aqui vamos fazer uma pausa pra separar os assuntos. A “The Foundry Company” , nome da nova empresa que ficou com as fábricas, é agora uma empresa voltada para fabricação de chips de silício e que tem como cliente (nesse momento o único cliente) a AMD. Seu objetivo é atingir um nível de competitividade que permita absorver clientes de outras foundry, como os clientes da TSMC, Chartered, UMC, SMIC, IBM e outros mais, e pra isso os árabes vão investir cerca de 6 bilhões (ou mais) para atingir todos os objetivos planejados. O que isso tem a ver com a evolução dos processadores AMD? Pouco ou muito pouco. Todos os analistas que escreveram sobre o assunto esperam os primeiros efeitos práticos dessa estratégia somente em 2010, e até lá é possível que a AMD tenha que utilizar os serviços de outras empresas para manter a competitividade de seus produtos.

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O que nos interessa mesmo é a AMD “Desenvolvedora”, que agora recebeu um fôlego de caixa e pode se dedicar ao que, teoricamente, sabe fazer melhor que é desenvolver chips de processadores. O problema, e sempre há um problema, é que o momento é ruim (a tal crise mundial), os produtos são pouco competitivos e com a entrada do Intel Nehalem a AMD fica literalmente fora do jogo no único segmento onde ainda mantinha certa competitividade: os servidores. Convenhamos que o desafio de ganhar mercado com produtos pouco competitivos em um setor em forte declínio em meio a uma crise mundial não é uma tarefa fácil. Sabendo que o mercado caminha para produtos de baixo custo e bastante simplificados, e que a AMD não tem e não terá no curto prazo um chip com características similares ao do Intel Atom ou VIA Nano, só torna mais difícil a empreitada.

Quanto a Intel, um passarinho me contou que há uma reestruturação a caminho, similar ao que já está acontecendo na Micron, fabricante de memórias NAND que tem uma joint venture com a Intel chamada IM Flash Technologies, e que está cortando 15% da sua força de trabalho nos próximos 2 anos devido a mudanças no mercado de memórias. Esse passarinho ainda alerta que a nova unidade de discos SSD será bastante afetada, em virtude das novas projeções de vendas para o segmento e do corte de produção da Micron, mas a reestruturação deve ocorrer em todos os setores da empresa. Não há como escapar, todos os cenários de consumo possíveis no curto e médio prazo indicam uma retração nas vendas globais, e os equipamentos eletrônicos não são exceção. Eu diria até que os eletrônicos serão mais afetados do que outros bens de consumo. Se a RIMM, a bem sucedida fabricante dos Blackberry viu seu valor de mercado despencar 55% após o anúncio de suas previsões de vendas futuras, o que esperar das demais empresas do setor?

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