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À frente da Cisco, Pedro Ripper trabalha para dobrar a companhia no Brasil

O executivo assumiu em novembro a presidência da Cisco Brasil. Entre suas missões está dobrar o tamanho das operações no País

Publicado: 12/04/2026 às 23:17
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13 minutos
À frente da Cisco, Pedro Ripper trabalha para dobrar a companhia no Brasil
Construção civil — Foto: Reprodução

Incansável, Pedro Ripper trabalha 14 horas por dia. A meta é reduzir este tempo, mas ele admite que não tem conseguido. Desde novembro à frente da Cisco Brasil – o executivo ocupava o cargo de diretor de telecomunicações e assumiu no lugar de Rafael Steinhauser – Ripper se empenha para duplicar mais uma vez as operações da subsidiária, cujo crescimento, no penúltimo ano fiscal, foi de 52%. “A idéia é, dentro de alguns anos, não posso te adiantar quantos, mas não são muitos, dobrarmos novamente, de forma que o Brasil esteja no patamar de grandes países, como Reino Unido, Japão ou Alemanha.”

Nesta entrevista exclusiva, ele detalha os pilares que sustentarão a expansão da companhia, como banda larga, vídeo e comunicação unificada. Aos 34 anos e pai de gêmeas, Ripper se apóia nos esportes – pratica triatlo, maratona e esportes aquáticos – para gerenciar a correria do dia-a-dia.

InformationWeek Brasil – Você está desde novembro à frente da Cisco. Qual balanço você faz desses meses?

Pedro Ripper – Cada semestre na Cisco é como se fosse um ano em outra empresa. No mundo conectado tudo acaba acontecendo muito rápido. Esses meses acabaram encerando um ciclo importante: a virada do ano fiscal. Quando eu assumi, fiz algumas apostas e é interessante ver o quanto que estas previsões se mostraram verdadeiras ou não.

IWB – As apostas foram o desenvolvimento da banda larga, a consolidação de telefonia IP e o setor público, certo?

Ripper – É, mas, em relação à banda larga, eu comentei duas coisas: banda larga e vídeo, como dois serviços que impulsionariam o setor. Banda larga teve o crescimento mais forte entre estes segmentos, enquanto a telefonia celular sofreu uma desaceleração grande. Hoje, o cenário está longe do que queremos, ou seja, a universalização, mas começamos a ter competição.

IWB – O que ainda segura um pouco a banda larga é a questão dos tributos?

Ripper – Exatamente. Existem algumas dinâmicas que seguram a banda larga e tributos é uma que aumenta muito o custo. Se você conseguir abaixar o preço em 10% , talvez aumente em 30% sua base de clientes. Como tributos têm um peso muito grande, acaba limitando que você chegue às classes sociais com menor poder aquisitivo. Talvez, há dois anos, a penetração de PC fosse um dos limitadores da banda larga, mas hoje é o preço do serviço. Outro obstáculo é geográfico. O Brasil tem muitos municípios sem a oferta de banda larga, o que acaba excluindo pessoas com condições de pagar esta conexão.

IWB – Há também o aspecto burocrático.

Ripper – Hoje, há uma série de obrigações regulatórias que, eventualmente, poderiam ser reavaliadas, renegociadas, para incentivar investimentos com objetivo de aumentar a capilaridade da rede e incluir os municípios sem oferta.

IWB – Você aposta em um próximo ano forte para a banda larga?

Ripper – Continuo apostando em um ano forte, mas, se algumas dessas medidas não começarem a ser tomadas, a tendência é desacelerar. Estou otimista sobre a capacidade de o nosso País chegar a acordos. Há modelos criativos para fazer com que esse mercado continue se desenvolvendo.

IWB – A meta é atingir quantas pessoas e em quanto tempo?

Ripper – No Barômetro Cisco, fizemos uma mistura de meta e previsão para chegar a dez milhões de conexões banda larga em 2010. Se certas medidas forem tomadas, a curto prazo, poderíamos alcançar até doze milhões. É quase o dobro do que temos hoje, que é de pouco mais de seis milhões.

IWB – Então, há espaço para crescer.

Ripper – Claramente. Tanto para chegar a dez milhões quanto a doze milhões. É preciso incentivar a competição, reduzir tributos, investir ou realinhar investimentos regulatórios para expandir infra-estrutura. Todos eles seriam necessários.

IWB – E quanto ao vídeo?

Ripper – Foi uma aposta que aconteceu de maneira muito parcial. Muitas empresas de TV por assinatura se consolidaram, o que trouxe fôlego financeiro, e as empresas voltaram a investir depois de muito tempo paradas. O mercado de vídeo tradicional cresceu bastante e a IPTV, infelizmente, encontrou um impasse mais do que tudo regulatório e não aconteceu.

IWB – Qual é perspectiva para IPTV?

Ripper – Ainda vai acontecer, é uma questão de tempo. A IPTV está defasada talvez em um ano, mas é inevitável a entrada das companhias neste mercado. Hoje, uma empresa de TV a cabo consegue oferecer voz e dados, mas terá de arranjar um jeito para oferecer vídeo, se quiser manter-se competitiva. Independente da regulamentação acompanhar ou não, o mercado vai achar caminhos. Acho que, na segunda metade de 2007 e 2008, não vamos ver grandes roll outs de IPTV em escala, mas veremos vários projetos de vídeo sob demanda e alguns de integração com TV aberta digital.

IWB – Como você avalia a telefonia IP?

Ripper – Esta talvez se concretizou 100% e até de maneira mais intensa que eu imaginava. Nos primeiros seis meses do ano fiscal 2007, vendemos mais que em 2006 inteiro.

IWB – Isto reflete o cenário das grandes corporações trocando o legado e migrando para IP?

Ripper – O mercado tem uma expressão chamada “ponto da virada” e o da telefonia IP tem sido este ano. Um exemplo é o tamanho dos projetos. Levamos alguns anos para começar a ter projetos de mil telefones e, agora, entramos em uma onda dos cinco mil, seis mil telefones. Ganhamos, recentemente, dois projetos de acima de dez mil. É uma mistura de fatores. Houve uma redução significativa no preço, um ganho em escala e a troca da base legada, que vai depreciando e tem de ser mudada. Outra tendência é a comunicação unificada. Antes, buscava-se telefonia IP como uma maneira de cortar custo de uma ligação interurbana. Já hoje, a maioria dos clientes começa a enxergar benefícios além deste. Há também o efeito do processo de adoção de uma nova tecnologia, que segue uma curva: sobe e depois desacelera. Estamos vivendo o momento quando se começa a ter massa crítica e a adesão de vários clientes-referência.

IWB – Qual é a aposta para quando o mercado desacelerar?

Ripper – São duas dimensões: uma de massificação, ou seja, achamos que a aceleração continua e há espaço. A outra é cada vez mais na direção da comunicação unificada.

IWB – As empresas vão se basear na comunicação unificada para se tornarem mais competitivas?

Ripper – Sem dúvida. Eu tomo o exemplo da Cisco. Todo ano, temos a expectativa de tirar mais receita do funcionário. Produzir mais e gastar menos. As pessoas, obviamente, têm limite de horas no dia, ou seja, você não vai colocar as pessoas para trabalharem mais, mas sim de maneira mais inteligente e eficiente. Uma forma é fazer as pessoas colaborarem melhor. Na cidade de São Paulo, por exemplo, ninguém tem lugar definido, tudo é móvel e as pessoas trabalham remotamente. Isto traz não só um nível maior de satisfação dos funcionários como um modelo de colaboração melhor e uma economia de algo como de 40% a 50% do meu custo mobiliário.

IWB – Faltou falar da terceira tendência que você tinha mencionado: o setor público.

Ripper – Esta aposta tinha dois lados. Um tem muito a ver com o nosso histórico. O porcentual da carteira, que, no total, ainda era muito baixo comparado com outros segmentos, como o financeiro e as telecomunicações. Isto em si indicava uma oportunidade. O segundo é que acreditamos que o País precisa ser mais produtivo e crescer mais rápido. Eu diria que a primeira depende mais de nós e fizemos investimentos muito fortes nos últimos meses. Resultado: foi a área que porcentualmente cresceu mais que todas outras áreas dentro da Cisco. Aumentou mais de 250% .

IWB – Quanto o setor público representa?

Ripper – Está na casa dos 10% do faturamento.

IWB – Vocês focam mais em telecomunicações?

Ripper – Hoje, no Brasil, telecomunicações ainda é o maior setor. Mas a visão é não travar o crescimento. Queremos um equilíbrio maior entre segmentos pequenos e grandes. Telecomunicações representam uns 45% a 50%; as grandes empresas, uns trinta e pouco por cento e as pequenas, 20%.

IWB – Não é parar de investir, mas equilibrar?

Ripper – Exatamente. O segmento de telecomunicações, por um lado, é fantástico, porque é muito grande, mas ele é muito volátil. Veja o exemplo das licitações 3G, que fez com o faturamento de vários fornecedores caíssem pela metade.

IWB – O que trava o investimento…

Ripper – Sim, dá uma parada. Então, uma das nossas fortalezas é justamente a diversificação entre todos os setores.

IWB – De que forma vídeo, banda larga, telefonia IP e o setor público têm contribuído para o crescimento?

Ripper – A primeira parte boa é que todos têm crescido individualmente. O interessante é que estas áreas se misturam, por exemplo, muitos dos grandes projetos de comunicação no governo acontecem por meio das telcos, pelo crescimento de conexões, e aí as telcos deixam de ser meus clientes e passam a ser meus parceiros.

IWB – Qual é a aposta da Cisco mundial para o Brasil?

Ripper – A Cisco está seguindo à risca a idéia de investir de maneira mais intensa e mais acelerada em mercados emergentes, cujos países crescem mais ou menos o dobro da taxa do resto da Cisco. As grandes promessas que têm se concretizado até agora são Brasil, Rússia, Índia e China.

IWB – Como o Brasil se posiciona?

Ripper – Ganhamos atenção, devido aos bons resultados, e, por conseqüência, de investimentos como talvez jamais tenha acontecido antes. Eu tive pela primeira vez a chance de apresentar o plano de negócios do Brasil para os próximos três anos no conselho da Cisco. Talvez um ou dois anos antes tivesse pouca ou nenhuma visibilidade.

IWB – Como manter o ritmo de crescimento, que foi de 52% no penúltimo ano fiscal?

Ripper – Em um período curto, dobramos a operação. A idéia é, dentro de alguns anos, não posso te adiantar quantos, mas não são muitos, dobrarmos novamente, de forma que o Brasil esteja no patamar de grandes países mais maduros, como o Reino Unido, o Japão ou a Alemanha.

IWB – Como o Brasil está em comparação com Rússia, Índia e China?

Ripper – Hoje, somos ainda o menor destes quatro. A China é o maior e Índia, o segundo. Estamos bem próximos da Rússia. O problema do Brasil é o PIB muito mal-distribuído. Este é um dos desafios do Brasil para o futuro e por tabela para qualquer um que tenha como ambição vender no Brasil.

IWB – Você baseou sua trajetória em telco?

Ripper – Este sempre foi o meu forte. Sou graduado em engenharia de computação, fiz um mestrado no MIT [Massachusetts Institute of Technology] em numa área que misturava economia e software. Acabei co-fundando com mais três sócios uma empresa de software nos EUA. Meu início de carreira foi mais TI, não tinha muito a ver com telecomunicações.

IWB – Quando mudou?

Ripper – Quando eu mudei dos EUA para a Europa e trabalhei na área. O mercado de telefonia na Europa estava em franca expansão em 1998.

IWB – E depois?

Ripper – Voltei para o Brasil e a Promon estava montando uma empresa no mundo de tecnologia na área de redes, chamada Promon IP, na época. Voltei para ser um dos executivos desta empresa, que foi um dos grandes parceiros da Cisco no Brasil. Passei alguns anos na Promon. Na Cisco, primeiro cuidei de estratégias, depois tomei conta da área de telecom e agora Cisco Brasil.

IWB – Qual balanço você faz dos seus anos de experiência para comandar a Cisco?

Ripper – Olha, cada uma delas foi um aprendizado incrível. Na Europa, tive minha primeira experiência de visão mais estratégica de negócios e conhecer profundamente setores de telecom. Voltando um passo atrás, nos EUA, foi mais uma bagagem no setor de TI e um pouco como empreender um negócio de menor porte, levantar capital etc. Na Promon, talvez tenha sido a minha primeira experiência como executivo. Tinha um time de trezentas pessoas. Foi minha maior escola em aprendizado de gestão de gente, de time, de empresa. Na Promon, peguei o boom de telecom e de internet, quando crescemos o negócio em mil por cento, saindo de R$ 30 milhões e levando para R$ 300 milhões. Ao mesmo tempo, um ano depois, fizemos um ajuste no negócio para ele se manter rentável, quando o mercado havia encolhido drasticamente. Não foi um experiência fácil, mas bastante útil em termos de aprendizado.

IWB – E na Cisco?

Ripper – Foi outro mundo, ou seja, migrar de uma empresa nacional muito séria, muito estruturada para uma gigante multinacional, de US$ 180 bilhões e com presença em 160 países. O fato de eu ter entrado em estratégia me ajudou a ter uma visão mais macro e depois na área de telecomunicações foi um compasso bom, porque me jogou em um setor que eu já tinha muita familiaridade. Foi onde eu estive mais diretamente ligado a uma área de vendas.

IWB – O que você espera daqui para frente?

Ripper – Agora o meu desafio é duplicar o Brasil de novo, ou seja, cada vez que você dobra uma companhia, ganha uma empresa completamente diferente. A Cisco Brasil hoje já é diferente daquela de 1,5 ano ou dois anos atrás. E, com certeza, daqui a dois ou três anos será uma nova empresa, com novos desafios. A própria missão da empresa é mudar a maneira como as pessoas vivem, trabalham, aprendem e se divertem. Minha missão no Brasil é a mesma.

IWB – Você imagina outros cargos, assumir a América Latina?

Ripper – Minha pretensão atual é aquela que eu comentei. Se continuar em ritmo de crescimento, o meu emprego se reinventa a cada dois anos. Tenho o privilégio de ter um emprego que se transforma sozinho, então, minha ambição é garantir que eu consiga transformá-lo de novo.

IWB – Quantas horas você trabalha por dia?

Ripper – Estou com uma meta de cada dia trabalhar menos, mas não tenho conseguido muito (risos). Trabalho umas 14 horas por dia, às vezes, mais; outras, menos.

IWB – O que você faz para se divertir?

Ripper – Sou aficionado por esporte, faço triatlo, corro maratona, faço maratona aquática. Isto me ajuda um pouco a gerenciar a correria do dia-a-dia.

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