Encerramos a coluna anterior comentando que não basta criar e transferir páginas da Web entre os servidores. Além disto, é necessário um programa para exibi-las, o chamado “navegador”. E que embora algumas versões deste programa já existissem para os sistemas operacionais usados pelos centros acadêmicos conectados via Internet, não havia uma que rodasse nas máquinas […]
Encerramos a coluna anterior comentando que não basta criar e transferir páginas da Web entre os servidores. Além disto, é necessário um programa para exibi-las, o chamado “navegador”. E que embora algumas versões deste programa já existissem para os sistemas operacionais usados pelos centros acadêmicos conectados via Internet, não havia uma que rodasse nas máquinas dos usuários comuns.
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Nesta altura dos acontecimentos, mesmo ainda restrita aos meios acadêmicos e usando programas navegadores que rodavam apenas em Unix e suas diversas distribuições e muito antes da criação do W3C destinado a normalizá-la, a HTML já tinha sido objeto de duas revisões que resultaram nas HTML 2.0 e HTML 3.2 (não me perguntem por que, mas jamais houve a HTML 3.0).
Mas lidar com tudo isto era ainda muito simples. Particularmente porque, seja qual fosse a alteração, era relativamente fácil implementá-la. Afinal, na prática, havia apenas um programa navegador.
Foi então que Marc Andreessen resolveu faturar “algum” e em 1994 deixou o NCSA para fundar sua própria empresa, originalmente denominada Mosaic Communications, mais tarde Netscape para evitar disputas com o NCSA sobre o direito de usar o nome “Mosaic”. E lançou uma versão comercial de seu navegador.
Bem, as coisas estavam se complicando. E se complicaram ainda mais no ano seguinte quando a Microsoft lançou a primeira versão do Internet Explorer, então integrada ao sistema operacional Windows 95. E mais ainda em 1996, com o lançamento do Opera.
Depois o Netscape acabou virando Mozilla que virou Firefox, a Apple lançou seu Safari e recentemente a Google lançou seu Chrome. Uma consulta às estatísticas do W3Schools mostra que hoje estes cinco programas navegadores (Firefox, IE, Chrome, Safari e Opera, nesta ordem) são responsáveis por 99,7% dos acessos ao sítio da instituição.
Uma diversidade que, em princípio, não constituiria problema. Afinal, há dezenas de editores de texto, outros tantos programas de edição de imagens e coisa e tal, e ninguém se incomoda com isto: cada usuário escolhe o seu e temos conversado.
Mas acontece que cada um destes aplicativos adota seu próprio formato de arquivo (e converte os formatos adotados pelos demais, quando necessário). Já um programa navegador não pode fazer isto. Tem que receber um arquivo no formato HTML e mostrá-lo na tela (ou seja, compor sua imagem, ou “renderizar” a tela) exatamente como desejado por seu desenvolvedor. E, se não houver um mínimo de entendimento e padronização, cada programa exibirá a página de seu jeito. O que, do ponto de vista do programador que criou a página (e do usuário), seria um desastre completo.
Pois é justamente esta uma das mais importantes funções do W3C: fazer com que diferentes programas navegadores exibam páginas com o mesmo (ou, na prática, com quase o mesmo) aspecto.