Após dois anos de entusiasmo intenso, 2025 ajudou a “aterrissar” o debate sobre o potencial impacto da inteligência artificial (IA) generativa nos negócios. Ao longo do ano, a discussão sobre o tema do retorno sobre o investimento (ROI) na tecnologia ganhou força – amparada por um grande número de companhias que revisaram suas expectativas frente […]
Após dois anos de entusiasmo intenso, 2025 ajudou a “aterrissar” o debate sobre o potencial impacto da inteligência artificial (IA) generativa nos negócios. Ao longo do ano, a discussão sobre o tema do retorno sobre o investimento (ROI) na tecnologia ganhou força – amparada por um grande número de companhias que revisaram suas expectativas frente aos retornos minguados.
Em agosto, um estudo promovido pelo MIT trouxe o tema para o centro do debate da TI. O levantamento, realizado com 150 líderes empresariais e mais de 300 projetos públicos envolvendo IA, identificou que 95% das iniciativas de IA generativa não traziam qualquer forma de retorno financeiro às empresas.
A consultoria brasileira especializada em inteligência de dados e IA parece fugir à estatística. Fundada em 2014, em Minas Gerais, a empresa começou sua trajetória com projetos voltados para dados e estatística. Desde 2018, no entanto, passou a atuar com uma jornada analítica completa, incluindo dados, BI, engenharia e IA. Nesse caminho, a organização tem encontrado sucesso em implementações de IA generativa.
Durante o Re:Invent 2025, principal evento anual da AWS para parceiros e clientes, um projeto desenvolvido pela companhia junto à Rede Mater Dei foi apresentado em uma das keynotes principais. Elaborado em conjunto com o GenAI Innovation Center da AWS, o trabalho utilizou 12 agentes autônomos de IA em todo o ciclo de receita da instituição para romper gargalos operacionais no processamento de contratos e na parametrização de novos convênios.
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A iniciativa entregou redução de glosas, diminuição do tempo de autorização de procedimentos de dois dias para 40 minutos e um ROI que alcançou 517%. “Nós desenvolvemos um programa de transformação para atacar uma dor que é uma das maiores do setor”, disse Rodrigo Pereira, CEO na A3Data, em conversa com o IT Forum.
A aposta da Rede Mater Dei na A3Data não é de hoje. Em 2021, a rede fechou a compra de 50,1% da empresa por R$ 40 milhões. O investimento ajudou a organização a fortalecer seu núcleo de inteligência voltado para a área de saúde e ciências da vida. Hoje, empresas como os laboratórios Hermes Pardini, Fleury, Novartis, Drogaria Araújo e Hypofarma estão entre seus parceiros.
Outro grande projeto recente da companhia que gerou ROI também foi no segmento de saúde. O Grupo Elfa, empresa de distribuição de produtos farmacêuticos, enfrentava um gargalo crítico na operação manual de milhares de e-mails de cotação, o que limitava a escalabilidade do negócio e colocava em risco a qualidade do atendimento.
A solução, desenvolvida em parceria com a AWS e com a FCamara, consistiu na adoção de uma ferramenta baseada em IA generativa que permitiu automatizar a leitura, classificação e extração de dados desses pedidos, transformando informações não estruturadas em insumos prontos para integração com os sistemas internos. O resultado foi um processo 95% mais rápido, funcionamento contínuo 24×7 e um salto de R$ 240 milhões em vendas processadas.
A A3Data descreve sua atuação como um modelo que combina consultoria técnica com formação estruturada de equipes. Para a empresa, projetos de IA – especialmente os de base generativa – só se sustentam quando áreas de negócio, TI e lideranças compreendem riscos, métricas e implicações operacionais. “Não fazemos projetos para os clientes, fazemos com os clientes. Educar é parte da entrega”, disse Pereira. A abordagem inclui desde nivelamento conceitual até mentorias individuais para garantir adoção contínua.
Paulo Laurentys, COO da companhia, acrescenta que a rápida popularização da IA generativa ampliou a necessidade de capacitação, porque executivos e analistas passaram a lidar com tecnologias cujos fundamentos não dominam. Isso trouxe uma camada de risco que apenas governança e formação estruturada conseguem mitigar, reforçou. “A IA generativa democratizou o uso, mas ninguém veio da estatística. Sem entender o que está debaixo do capô, a chance de uso indevido explode”, explicou.
Para atender a essas necessidades de clientes, a empresa lançou o AI Fluency, programa que surgiu da constatação de que presidentes, conselheiros e diretores têm investido pesado em IA sem dominar plenamente seus fundamentos e implicações estratégicas. A iniciativa propõe formar lideranças capazes de tomar decisões em um ambiente orientado por dados, estruturando o conteúdo em três eixos: conhecer, fazer e relacionar.
A metodologia inclui um diagnóstico de maturidade, trilhas personalizadas sobre temas como estratégia de IA, governança, hiperautomação, futuro da tecnologia e encontros de troca entre executivos e especialistas. O foco é criar cultura de IA no topo das organizações. “Líderes têm adotado IA, mas pouco impacto real tem sido gerado. A tecnologia não transforma sozinha; quem transforma são as pessoas, e isso começa por quem lidera”, explicou Laurentys.
Essa abordagem se fortaleceu com a parceria estratégica firmada com a AWS, o SCA, que ampliou o acesso da A3Data a tecnologias e programas globais de IA generativa da provedora. A empresa figura entre os primeiros parceiros da região a obter a certificação avançada, que permite participar de acordos de colaboração mais restritos. “A parceria nos permite acelerar projetos complexos e acessar especialistas do time mundial”, afirmou.
O setor da saúde é um dos pilares do crescimento que a A3Data projeta para os próximos anos, focado em grandes empresas e setores onde a companhia já consolidou presença. Segundo Pereira, o segmento vive hoje um ciclo acelerado de digitalização, o que o torna um dos mais estratégicos para os próximos anos. “Estamos há anos dentro de organizações como Pardini e Mater Dei. Saúde reúne escala, complexidade e espaço real para impacto de dados e IA”, destacou o CEO.
Além de saúde, a empresa reforça sua atuação nos setores financeiro e automotivo e prepara a entrada mais estruturada em agro e mineração, movida pela demanda crescente por automação, agentes de IA e eficiência operacional. A direção avalia que esses segmentos reúnem características comuns: elevado volume de dados, processos críticos e necessidade de readequação tecnológica diante da pressão por produtividade. “A IA generativa deixou de ser um tema de TI e passou a ser uma agenda das empresas”, pontuou Laurentys.
A A3Data projeta até quadruplicar o tamanho da operação nos próximos quatro anos, combinando novos contratos e expansão dentro da base atual. O plano prevê ampliar receitas sem crescimento proporcional do quadro de pessoal, apoiando-se em automação interna e metodologias próprias para escalar entregas. “Nosso modelo é começar pequeno, provar valor e expandir”, finalizou Pereira.
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