Companhia acredita que acirramento da concorrência fará com que operadoras móveis otimizem gastos com infraestrutura
Em julho de 2009, Rio de Janeiro e São Paulo ultrapassaram a barreira de um aparelho celular por habitante. Até então, as operadoras móveis disputavam clientes que não tinham celulares. Cada um comia uma parte do bolo e as despesas com rede eram diluídas no preço do produto. O acirramento da competição mudou o contexto e elevou a demanda por acesso. O cenário anima provedores. A AES Eletropaulo Telecom acredita que a concorrência entre as telcos abre oportunidades e estimulará o avanço no compartilhamento de infraestrutura.
“O mercado foi ficando cada vez mais competitivo e as operadoras viram a necessidade de melhorar a cobertura. Com isso, o custo começou a ganhar mais importância pois os pacotes precisam ser mais competitivos para ganharem clientes”, avalia Gilberto Cardoso, diretor-comercial da AES Eletropaulo Telecom. Atualmente, a companhia provê infraestrutura de conexão entre operadoras e clientes no Rio de Janeiro e São Paulo, estados onde possui uma rede de 5 mil km de fibra ótica.
O executivo acredita em um movimento intenso por parte das operadoras, em especial as móveis, para buscar redução de gastos em redes a partir de infraestrutura compartilhada. “O core dessas companhias é vender celular. Quando eu consigo dividir os recursos gastos com rede, a taxa de retorno é mais rápida”, comenta. De acordo com Cardoso, o compartilhamento já ocorre há algum tempo, mas a postura tende a se intensificar a partir de agora.
Com os resultados referentes ao ano fiscal ainda não consolidados, a companhia trabalha com a previsão de fechar 2009 obtendo receitas acima dos R$ 200 milhões, uma evolução na casa dos 30% sobre os R$ 170 milhões verificados no ano anterior. No terceiro trimestre do ano passado, a companhia alcançou receita líquida de R$ 51 milhões. No acumulado dos nove primeiros meses de 2009, a provedora registrou receitas de R$ 150,8 milhões. A AES Eletropaulo Telecom atende a uma base de 150 clientes em São Paulo e outros 75 no Rio de Janeiro.
No final de 2009, a companhia começou um movimento de fusão das diretorias de operação e comercial entre Rio de Janeiro e São Paulo. Até outubro, as operações de telecom eram independentes entre os dois estados. Logo, a expansão modelo de negócio para outras cidades e eventualmente para outros estados. “A definição que temos é que temos condições de crescer para outras regiões”, afirma Cardoso, dizendo não haver uma data para tal movimento ocorrer. Na visão do executivo, essa expansão territorial pode vir combinada com a estratégia das próprias operadoras.