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Aldo Navarro conta desafios de TI do Grupo Águia Branca

CIO revela a rotina da área de tecnologia da informação da companhia que cresce em ritmo acelerado e atua em setores distintos da economia

Publicado: 23/05/2026 às 10:11
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16 minutos
Aldo Navarro conta desafios de TI do Grupo Águia Branca
Construção civil — Foto: Reprodução

Aldo Navarro aguarda a reportagem de InformationWeek Brasil sentado em uma mesa de quatro lugares em frente ao balcão de check in em um hotel na Avenida Paulista, em São Paulo. Hóspedes conversam no ambiente movimentado. O executivo responde pelas estratégias de TI do Grupo Águia Branca. Fundado em 1946, virou um conglomerado de 12 empresas que atuam em três setores econômicos e geram um volume de negócios da ordem de R$ 2 bilhões ao ano. A organização pode ser posicionada como um reflexo do atual momento da economia brasileira: imprime um ritmo de crescimento anual na casa de 30%, aproveita-se do momento de expansão da economia local e vivencia a onda de consolidação do mercado nacional. O CIO conta o desafio e as peculiaridades de traçar planos para um negócio que cresce ao ritmo do País.

InformationWeek Brasil – O Grupo Águia Branca parece um retrato da economia brasileira: crescimento acelerado, movimentos intensos de consolidação… Como você avalia a atuação da companhia e de que forma isso chega a TI?

Aldo Navarro – O Grupo é muito seguro. Dificilmente segue por uma linha de alto risco. Sempre faz as coisas com muita segurança, muita análise, muito planejamento. É bastante estável e líder nos setores onde atua. Isso reflete política de ser o melhor no que faz. Até por conta disso, algumas áreas, ao longo da história, deixaram de ser foco. Ficou com transporte, logística e comércio de veículos. A TI se alinha a isso tentando ser o melhor em tecnologia para o Águia Branca. Não tenho só que ser o mais barato, preciso ser o melhor; tenho que entregar um serviço de qualidade para um negócio que cresce de forma acelerada, é extremamente dinâmico e exigente quanto as suas demandas dentro de um preço compatível com o praticado no mercado.

IWB – O crescimento a uma taxa de 30% ao ano significa que, em curtos intervalos de tempo, você tem uma empresa de proporções completamente diferentes. O desafio de trazer tecnologia para isso é imenso.

Navarro – Vamos separar essa questão do crescimento de duas formas. Tem o lado da novidade, que quanto mais a empresa cresce mais precisa de tecnologia nova. Em contrapartida, quanto mais cresce mais depende da tecnologia que já existe.

Peguemos como exemplo a Vix, uma de nossas empresas de logística que tem 7,3 mil veículos. Ela precisa de uma solução de manutenção funcionando de maneira bem afinada. Qualquer divergência ou erro na apuração de custo vai trazer impacto direto nos resultados da empresa, porque a manutenção representa uma grande fatia do seu resultado ou custo operacional. O legado precisa ser muito bem mantido.

Falando de tecnologia nova, a Trip (Linhas Aéreas) serve como exemplo, pois foi uma grande novidade. O Grupo crescia na casa dos 30% nas áreas de atuação que ele já atuava e isso já era um desafio razoavelmente grande para o departamento de tecnologia. Aí, em 2008, entrou essa nova empresa que não atua nos ramos onde estávamos. É transporte de passageiro? Sim, mas é algo completamente diferente do rodoviário. Inclusive, a legislação é outra.

IWB – Como foi isso?

Navarro – Quando o Grupo comprou a Trip e tivemos que assumir a TI foi um desafio enorme. O que sabíamos, naquela época, sobre tecnologia para o setor aéreo? Praticamente nada. O que eles tinham de TI para trazer para gente? Praticamente nada também. Como você compra uma empresa pequena e quer que ela seja grande em pouco tempo sem conhecer nada de TI? Tecnologia faz parte do negócio da aviação. Como nos inserimos nisso? Com muito estudo, esforço e um aprendizado em um período de tempo muito curto. Precisamos criar muita coisa para suportar uma operação que necessitava muito de tecnologia.

Por vários aspectos passamos a entregar muita tecnologia a eles e esse é um desafio constante. Já faz de dois a três anos que estamos inseridos nisso, começou a estabilizar? É obvio que está muito melhor do que quando pegamos a operação, mas a empresa cada vez cresce mais, precisa mais de TI e, do nosso lado, precisamos cada vez estudar mais para entregar soluções adequadas.

IWB – Agora é um trabalho contínuo…

Navarro – Para não falar apenas de um negócio, vamos pegar outro exemplo, o da Viação Águia Branca. Coisas novas vão surgindo. Colocamos um sistema de telemetria dentro dos ônibus que não mede apenas velocidade, inclinação, consumo e coisas padrões, mas também filma o motorista e a estrada. Por quê? Porque ocorrem acidentes muitas vezes devido as condições das estradas brasileiras e nem sempre – ou quase nunca – a culpa é do motorista. Isso é muito difícil de provar, pois você depende de testemunhas. Colocamos, então, câmeras nos veículos que registram a viagem inteira. É algo inovador e não tinha ninguém no mercado com algo parecido. Tivemos que pegar três fornecedores, colocá-los juntos numa sala e explicar o objetivo para desenvolver a tecnologia que não está implantada em 100% da frota ainda.

IWB – Vocês têm desenvolvido muita tecnologia que não encontram pronta no mercado?

Navarro – Não é muito frequente. Casos como esse são exceções. É lógico que você sempre adéqua uma coisa ou outra.

IWB – São 12 empresas que atuam em três diferentes setores econômicos. Qual a complexidade disso para sua área?

Navarro – É enorme. Peguemos bancos de dados como exemplo. Fica mais fácil falar o que não usamos. Um pouco porque precisamos de muita tecnologia e nem tudo é uniforme, e um pouco porque as empresas são completamente diferentes e os fornecedores são diferentes também.

IWB – Mas a estrutura de CSC ajuda nos negócios.

Navarro – Ajuda de diversas formas, pois você sempre consegue reaproveitar muitas coisas entre as empresas que compõem o grupo. Encontra-se grande sinergia. Muitos projetos na essência são os mesmos, com adaptações ferramentas. Tem ainda o ganho de escala. Quando se compra um ERP, é diferente negociar uma ferramenta para 20 usuários simultâneos de outra para 400. Tem ainda a renovação de data center, que é um grande projeto que fizemos no ano passado e esse ano. Não vou comprar seis servidores, mas 40.

IWB – O nível de adoção tecnológica nas empresas é semelhante?

Navarro – Não.

IWB – Como equalizar esforços?

Navarro – Acho que nem devemos tentar equalizá-los, pois o “time” de cada uma é diferente. Peguemos como exemplo a unidade de logística que por muito tempo foi a que mais demandou TI. Agora, ela entrou numa fase estável de adoção tecnológica. Hoje, temos as divisões de comércio e a de transporte de passageiros que estão expandindo muito. Cada empresa investindo no seu tempo é interessante para mim também. Já pensou se as 12 quisessem tudo de uma só vez? Não teríamos estrutura para isso e seria ruim criar uma porque é bem provável que, em determinado momento, alguém não cresceria tanto e eu ficaria com recurso sobrando.

IWB – Os orçamentos de TI são centralizados?

Navarro – Sim. Na próxima quarta-feira (17/11) eu entregarei para todas as empresas os orçamentos de TI delas. Isso é definido anualmente. No ano passado tentamos fazer planos para os exercícios de dois anos (2010 e 2011). Só entreguei de um, porque, crescendo 30% e com muitos ingredientes novos que aparecem, os valores seriam completamente irreais.

Começamos o orçamento do zero com base em tudo o que precisamos para o próximo ano. Faço o orçamento corporativo e aplico a base de rateio para as empresas com base ao uso que cada uma delas fará da TI e na estratégia de cada uma. Lembrando que tem grandes sinergias e ganhos de escala. Se duas empresas do grupo falam que vão precisar da mesma tecnologia é obvio que isso será atendido por um projeto para termos ganhos de escala.

IWB – Conte sua trajetória no grupo?

Navarro – Em março de 2011 farei cinco anos no Grupo. Entrei com o desafio de mudar algumas coisas na área, principalmente com relação à transparência, algo que não é um capricho nosso. TI, via de regra, traz consigo “o mito da caixa preta”. Ninguém sabe ao certo o que acontece por lá. Tínhamos algumas coisas a equalizar. O Águia Branca cresce a uma média de 30% ao ano. O desafio principal era estruturar uma TI que suportasse essa expansão forte dos negócios e conseguir desmistificar coisas, como, por exemplo, será não era melhor terceirizar o departamento? É interessante ter uma tecnologia interna? Temos dois data centers próprios, essa é a melhor estratégia?.

IWB – Você entrou, então, para propor novos rumos para área?

Navarro – Em uma palavra? Para trazer transparência. Esse era o maior objetivo. Infelizmente, isso não é inédito nem exclusividade da nossa empresa. O Grupo não confiava na TI, achando que era cara, demorada ou burocrática. Tínhamos mitos que não são caprichos do Grupo, mas algo normal dentro do universo da tecnologia.

IWB – Aí você fez uma radiografia do departamento e já conseguiu estabilizá-lo?

Navarro – Fizemos vários trabalhos. Este ano colocamos o último ponto nessa história. Funciono como se fosse um CSC (Centro de Serviços Compartilhados). São várias empresas e só existe uma área de tecnologia para o Grupo, que é a GTI (Gerência de Tecnologia da Informação). Rateamos os custos e investimentos em TI entre as empresas de acordo com o uso de TI. O departamento divide-se em três áreas: uma que cuida de infraestrutura, responsável pelos sistemas em produção; uma de projetos, que planeja o que há de novo, recebe as demandas e encontra formas de tornar isso realidade; e de suporte.

IWB – As áreas de negócio já perceberam o potencial e solicitam projetos à TI?

Navarro – Cada vez mais. Estava conversando esses dias com meu gerente administrativo financeiro, falando a respeito amenidades durante um vôo para São Paulo, sobre como a área de tecnologia cresceu. Quando cheguei (na empresa) tínhamos 28 funcionários dentro da ABP (Águia Branca Participações), hoje são mais de 40. Não aumentou porque precisava antes, mas porque precisamos agora. As empresas têm demandado muita TI por crescerem bastante e chega certo nível que se você não contar com tecnologia, o crescimento fica limitado.

Além disso, cada vez demandam e necessitam mais da área, até porque fica o legado. O negócio cresceu; tinha dez sistemas e contrata mais dois. Você não joga os velhos fora e fica só com os novos. É preciso manter o legado funcionando e incorporar novas soluções requeridas.

IWB – Quais projetos você tem previsto para os próximos anos?

Navarro – Tenho uma relação de projetos que não saberia falar de cabeça. Falar que telemetria é um grande projeto para o ano que vem não é novidade. Em 2011, tem a troca de sistema de inventário (venda de passagens) da Trip. (O executivo abre uma planilha no computador a sua frente e conta as iniciativas listadas). Ao todo, são 151 projetos previstos para o ano que vem.

IWB – Bastante coisa…

Navarro – Realmente. Pense que é previsão e não acho que encerraremos o ano com todos concluídos. Muitos começarão, mas não terminarão em 2011. Outros não vão acontecer devido a necessidades e há, ainda, aqueles que não foram possíveis prever neste momento. Devo entregar algo em torno de 100 projetos no ano que vem, pois normalmente 60% do que é previsto realizamos em número considerando aqueles que viram de um ano para outro.

IWB – Essa é a média dos últimos anos?

Navarro – Não, tem crescido todo ano. E isso ocorre em virtude de tudo que estamos falando: os negócios crescem muito, se torna mais dependente de tecnologia, a área ganhou confiança das empresas ao longo dos últimos anos.

IWB – Dentre desses 151 projetos, qual você avalia que é mais desafiador?

Navarro – (O executivo volta a percorrer as linhas da planilha). Uma coisa que será desafiadora no ano que vem não é nem um projeto específico. Hoje a área de tecnologia não cuida de telefonia. Eu não sou TIC, sou TI. Esse é um clamor do Grupo há muito tempo. Só que para fazer mal feito é melhor nem tentar.

Nesses dois últimos anos, em especial, ficamos muito envolvidos com (a reestruturação) o data center, que suporta todos sistemas do Grupo e onde não podemos errar. Investimos muito tempo nesse projeto e não podíamos pegar muita coisa agora, pois um dos dois sairia mal feito. Adiamos a parte de telefonia e comunicação. Mas acho que para 2011 essa questão é inevitável. Inclusive já estou até planejando uma pequena estrutura de telecomunicação para começar a incorporar a telecom a GTI.

IWB – Hoje é feito como com telecom?

Navarro – Cada empresa toma conta do seu.

IWB – Você já tem experiência em negociar contratos com operadoras?

Navarro – No porte do Grupo Águia Branca, não. Mas supriremos isso nos preparando. Há dois anos fizemos um projeto de VoIP, mesmo sem que isso passasse por telefonia. Nas matrizes, unificamos num sistema de ToIP (telefonia sobre IP), pois nem digo que é voz sobre IP. Conseguimos ligar de ramal para ramal, sem custo, por dentro do MPLS de qualquer empresa que esteja dentro do projeto. Com isso, unificamos tecnologia. Todos PABX são os mesmos, todos os telefones são os mesmos, os servidores rodam no DC, os switches… Fizemos pensando em algum dia administrar. Viemos, meio que por fora, fazendo algumas ações que vão facilitar nossa administração quando o dia de telefonia passar a ser nossa responsabilidade. Creio que será em 2011 e vai ser um grande desafio, sem sombra de dúvida.

IWB – O que mais?

Navarro – Terminar telemetria, certamente; tem muitos projetos de integração, pois temos muitos sistemas que pouco se falam. Fazer dois sistemas diferentes se comunicar nunca é fácil e sempre dá algum problema. Acho que esse é um grande desafio. Começamos a criar estruturas para gerar indicadores para o negócio. Temos hoje uma ferramenta de BI, mas eu não acredito que ela vai suportar a quantidade de sistemas e informação que teremos no ano que vem.

Também faremos estudos sobre assuntos que já são comuns no mercado. Tem a questão de virtualização de desktop nas agências que vendem passagem. Faremos estudo para ver se não vale a pena ter thin clients. Há um grande projeto é política de segurança, que hoje é antiga e não representa mais o tamanho do grupo. Vamos fazer um estudo de ERP também.

IWB – Vão trocar de ERP?

Navarro – Não acredito. Mas, assim como eu fiz um estudo de terceirização e não terceirizei vou fazer um de ERP para saber se, de fato, o que temos é o mais aderente ao Grupo. A troca ou não será uma consequência do que esse estudo vai mostrar.

IWB – Vocês usam qual ferramenta?

Navarro – O grupo inteiro usa o Datasul, da Totvs. A exceção é a unidade de comércio, que tem um sistema específico para comércio de veículos, mais específico para concessionárias Toyota.

IWB – Nos últimos anos o Grupo comprou 3 empresas. Como a TI lida com esses movimentos?

Navarro – Existem casos e casos. Vamos falar, por exemplo, das últimas aquisições da unidade de comércio. Soubemos com antecedência, participamos de algumas reuniões com os diretores e sabíamos o que iria acontecer. Foram mais simples, porque empresas de comércio de veículo, via de regra, não usam muito de tecnologia. É mais trazer para dentro de casa do que ver o que vai fazer ou mudar sistemas. As últimas (aquisições) foram tranqüilas, dentro do que um movimento desse tipo pode ser considerado como tranquilo, afinal, nunca é. Contudo, foram muito mais simples que as primeiras.

IWB – Quais foram as primeiras?

Navarro – Trip. Foi a maior, mais impactante e uma das primeiras para gente. Já tínhamos adquirido a Savana, que era pequena e com pouco impacto. (A Trip Linhas Aéreas) foi a maior aquisição, de maior impacto e bem no inicio, onde a gente mais aprendeu. Quando falo que das compradas mais recentemente é tranquilo é porque já sofremos bastante.

IWB – Vocês criaram um check list para os processos de integração desse tipo?

Navarro – Tem algumas coisas que você precisa verificar antes de começar a fazer a implementação, senão você planeja e vai executar a estratégia de forma errada. Por isso, sempre vai alguém na empresa (a ser adquirida) com um check list na mão com coisas que precisa ver e fotografar, porque temos um padrão. Se essa estiver fora do padrão, precisa ser adequada para entrar na rede do grupo. Entramos em contato com fornecedores já antes e começamos a planejar como será a migração de sistemas e dados. Esse check list é trazido para casa e os coordenadores, as vezes até eu, começamos a ver como traremos aquilo para nossa realidade. Elaboramos um plano e quando o negócio pode ser divulgado, o projeto já está quase pronto. É sentar com o diretor para ver como e quando isso será feito.

IWB – Conseguiu implantar a imagem de transparência à TI?

Navarro – Acredito que sim. Se perguntar para as empresas, é provável que elas digam que pode ser melhor, afinal, sempre pode ser melhor. Mas é algo incomparável com o que era no passado. E não posso pegar esse mérito para mim. Tenho uma equipe brilhante. Poucas peças foram trocadas ao longo desses anos. Não é um mérito do Aldo, é um mérito da GTI. Os melhores profissionais que já conheci estão no meu time.

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